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Rede de Judiarias de Portugal - Sabugal - © Capeia Arraiana

Herança Judaica em exposição na Torre do Tombo

«Heranças, Vivências e Património Judaico em Portugal» tem como objetivo divulgar ao público em geral a vivência dos sefarditas portugueses. A exposição, que estará patente na Torre do Tombo, em Lisboa, tem inauguração marcada para esta segunda-feira, 20 de março. Após o dia 29 de abril a mostra irá viajar por 37 municípios incluindo o Sabugal. (Actualização.)

Exposição sobre os Judeus foi visitada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

Exposição da Herança Judaíca na Torre do Tombo foi visitada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Castelo do Sabugal no início do Século XVI

Estes três desenhos do castelo do Sabugal, da autoria de Duarte d’Armas, fazem parte da obra «Livro das Fortalezas que são situadas no extremo de Portugal e Castela» (c. 1509), editada a pedido de D. Manuel I. O rei encarregou o autor de fazer o levantamento de todas as fortificações que faziam fronteira com Castela, desde Caminha a Castro Marim.

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Jorge MartinsO cartógrafo Duarte d’Armas, nascido cerca de 1465 em Lisboa, escudeiro da Casa Real, desenhou os castelos solicitados em duas panorâmicas e uma planta. As suas anotações, onde se pode ver a localização da vila do Sabugal, constituem um precioso contributo para o estudo da vila medieval e da sua evolução. Este exemplar, tratado pelo historiador António Baião, encontra-se depositado no Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo.
A publicação pelo Capeia Arraiana destes três desenhos do Castelo do Sabugal, pouco conhecidos dos sabugalenses, é um modesto contributo para a história do concelho e um primeiro passo para futuras investigações sobre a história da comunidade judaica local que, já se pode afirmar hoje, sobreviveu à expulsão dos judeus de Portugal em 1496 e ao estabelecimento da Inquisição em 1536. Há provas documentais de que os judeus do Sabugal resistiram à Inquisição até meados do século XVIII, ou seja, até ao seu funcionamento efectivo, em boa hora interrompido pelo Marquês de Pombal.
Proximamente, daremos a conhecer no Capeia Arraiana os resultados preliminares desses estudos em curso.
Jorge Martins

E se Gil Vicente tivesse nascido em Ribacôa?

José Robalo – «Páginas Interiores»

Como leigo nestas coisas da literatura e perdoem-me os entendidos, desde que conheci e li Gil Vicente, sempre pensei que este dramaturgo nasceu nas terras da Riba Côa.

Muy graciosa es la doncella

Muy graciosa es la doncella,
cómo es bella y hermosa!

Digas tú, el marinero
que en las naves vivías
si la nave o la vela o la estrella
es tan bella.

Digas tú, el caballero
que las armas vestías,
si el caballo o las armas o la guerra
es tan bella.

Digas tú, pastorcito
que el ganadico guardas,
si el ganado o los valles o la sierra
es tan bella.

Gil Vicente

Este poema de amor do nosso Gil Vicente foi extraído de «Uma antologia de las mejores poesias de amor en lengua española de Luís Maria Anson», da Plaza Janés.
Desconhecendo-se como se desconhece a data e local de nascimento por inexistência de elementos, nada melhor do que percorrer a sua obra e concluir que pelos indícios e conhecimentos que o autor tinha dos hábitos, maneiras de pensar e agir das gentes beirãs, este nasceu e passou grande parte da sua vida na Beira.
Em primeiro lugar, nos tipos que criou de forma superior, nomeadamente o lavrador, o pobre e humilde beirão foi sempre tratado com muito afecto nas suas obras.
Gil Vicente não era um homem da côrte! Foi estudante em Salamanca!
Gil VicenteO seu domínio do castelhano (recorde-se que estamos perante um escritor bilingue), mais próximo do reino de Leão, mais ratifica a minha ideia de que este autor foi nosso antepassado nas terras da Riba Côa. Ainda hoje é normal que um raiano domine o castelhano falado, o que não acontece no restante território nacional. É ainda verdade que mestre Gil Vicente mesmo quando escrevia em português arcaico, utilizava com frequência o castelhano, por vezes até corrompido para reforçar o cómico, o que evidencia um excelente domínio desta língua.
Na actualidade os nossos agricultores continuam a ir à feira de Trancoso, facto que o autor referiu ao longo das suas obras.
Estou convencido que se tivéssemos o cuidado de investigar esta temática na Torre do Tombo, talvez se retirassem conclusões muito interessantes, trabalho a desenvolver por especialistas.
Por outro lado, o nosso auditório que serve também para a representação teatral poderia ter o nome deste dramaturgo, considerado «o pai do teatro português».

:: :: PARA LER :: ::
«Quem tem farelos» e «Floresta de Enganos», de Gil Vicente.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«St. Elsewhere», por Gnarls Barkley (em especial o tema Crazy).

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com