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Feitura do carvão em Malcata

«Feitura do carvão. Vi, claramente visto, o lume vivo.» Há cerca de oito dias o meu amigo Victor Fernandes, Presidente da Junta de Malcata, telefonou-me para me convidar a participar numa jornada que tinha a ver com a feitura do carvão, através da cepa da torga, ou canaveira, como por cá também se diz.

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José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaFiquei, agradavelmente surpreendido, e logo comecei a orientar a vida de modo a que me fosse possível ir à simpática freguesia de Malcata onde somos sempre muito bem recebidos e bem estimados.
Cheguei por volta das 9.30 horas e alguém me disse que os «carvoeiros» já estavam para a serra. Fiquei um pouco embaraçado mas, de repente, apareceu-me o anjo salvador. O Rui Chamusco.
Passados dez minutos chegámos ao local onde cerca de duas dezenas de malcatanhos trabalhavam e outros iam servindo a jeropiga, dizendo que era para aquecer, já que o frio era mesmo de rachar.
Enquanto os mais entendidos iam retirando dos buracos o carvão que já estava feito e arrefecido outros circundavam uma outra fogueira onde estava a ser consumida uma grande quantidade de cepas.
Os mais entendidos iam ajeitando o lume de modo a que as cepas ficassem mesmo no ponto e, quando muito bem entenderam, começaram a escavar terra em volta do lume com a qual iam cobrindo e abafando as cepas que, por sua vez, se iam convertendo no apreciado carvão. Mas que arte, meus senhores! Sob o comando de um Senhor, já bastante maior, como dizem os espanhóis, mais dois ou três iam desenvolvendo as mais diversas tarefas também com as mais diversas ferramentas onde o enxadão é rei.
Já mesmo ao fim da manhã eis que chegava o Tó Peneira com o seu lustroso burro que havia de transportar as quatro sacas de carvão que estava pronto a ser consumido ou comercializado se fosse nos tempos de antigamente.
Por volta das 12.30 horas a maioria das pessoas chegavam à sede da associação onde já um grupo de voluntários e voluntárias tratavam do merecido almoço.
Logo que o burro foi descarregado chamaram todos os presentes para junto do balcão do bar poderem tomar um aperitivo. Num ambiente de pura e franca harmonia todas as pessoas bebiam e conversavam animadamente e o tema principal era mesmo o carvão.
Às 13.00 horas, tal como estava previsto, toda a gente se sentou à mesa onde foi servida carne em abundância acompanhada por um saborosíssimo arroz de feijão e couve que a Carla confeccionou. Parabéns, Carla, extensivos às outras moças que contigo trabalharam nas mais diversas tarefas.
Depois do café e copa e sob a orientação dos incansáveis – anfitriões – Vitor, Presidente da Junta e Rui Chamusco, Presidente da Associação, organizou-se o cortejo onde o burro, todo vaidoso, nos conduziu por várias ruas da Freguesia onde o acordeão do Rui e o pessoal dos bombos animaram toda a freguesia. Quem tem um Rui tem um Cristiano Ronaldo!
Confesso que fiquei maravilhado com esta festa do carvão que julgo ser merecedora de honras de televisão para que a ilustre e simpática Dina Aguiar pudesse divulgar através do seu muito apreciado programa «Portugal em Directo».
Mas para substituir as televisões – faltosas – surgiu o João Paulo e o irmão Tiago Cabral que com uma Câmara e uma máquina fotográfica fizeram um trabalho que prometeram meter em DVDs para que esta actividade possa ser divulgada porque, sinceramente, merece.
Parabéns a todos os malcatanhos quer tivessem ou não participado nesta inolvidável jornada!
Os nossos antepassados agradeceram.

«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Jardim natural autóctone

Um exemplo concreto, que não só os turistas, mas nos também deveríamos apreciar.

Jardim Natural AutóctoneO conceito de «jardim natural autóctone» deve estar presente sempre que se idealizar um novo espaço, dando preferência a espécies autóctones em detrimento das exóticas que podem ser encontradas em qualquer lado. Isso dará especificidade e carácter próprio. Temos de adquirir um novo olhar para aquilo que sempre esteve à nossa frente. Será que muita gente sabe que neste momento os amieiros estão com a candeia em flor (parte masculina equivalente à candeia dos castanheiros), ou que o Mostageiro, belíssima arvore endémica na nossa região nunca foi aproveitada para efeitos ornamentais e de sombreamento, o próprio medronheiro com a sua folha persistente, encaixa muito bem neste conceito de jardim natural autóctone. As vantagens são inúmeras, melhor adaptação ao nosso clima e solo, menor utilização de mão de obra e de água na manutenção dos espaços.
Os extensos relvados, são o exemplo acabado daquilo que não serve,nem para o nosso clima nem para a nossa economia. As várias Urzes existentes no concelho, poderiam com grande vantagem substituir os relvados, fornecendo florações ao longo de todo o ano.
Floração da Torga, (Erica Austrális), Março e Abril.
Floração da Queiró, (Erica Umbellata), Abril a Junho.
Floração da Caluna, (Calluna Vulgaris), Agosto a Outubro.
Floração da Urze Branca, (Erica Arborea), Março/Julho.
Floração da Esteva, (Cistus Ladanifer), Abril/Maio.
Floração do Rosmaninho, (Lavandula Stoechas), Abril/Maio.
Floração do Medronheiro, (Arbutus unedo), Outubro/Novembro.
Sem querer tornar fastidiosa a leitura finalizo com um endemismo ibérico conhecido por Rosa Albardeira (Paeonia broteroi), que floresce na Primavera.
Criar jardins com estas espécies seria um acto cultural e um excelente cartão de visita.
António Moura