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Eastwood no Além

Clint Eastwood é um dos realizadores veteranos que se tem provado bastante prolífero nos últimos anos e quase sempre com bons resultados. É esse o caso de «Hereafter – Outra Vida», o seu mais recente filme.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaCom argumento de Peter Morgan (o mesmo de «A Rainha» e «Frost/Nixon») o filme mais parece uma obra do mexicano Alejandro González Iñárritu, cineasta que por estes dias também chegou às salas portuguesas, devido à sua estrutura com três histórias paralelas que se cruzam no final. E elas são as histórias de Marie LeLay (Cécile De France), uma jornalista francesa que tem uma experiência de pós-morte durante o tsunami de 2004 que afectou o Sudeste asiático, George Lonegan (Matt Damon), um ex-vidente norte-americano que consegue entrar em contacto com os mortos tocando nas mãos das pessoas, e Marcus (George McLaren), um miúdo britânico que perde o seu irmão gémeo num acidente.
Hereafter – Outra VidaTodos se questionam sobre a vida para além da morte, cada um à sua maneira e cada um com as suas dúvidas específicas.
Aparentemente «Hereafter – Outra Vida» poderia ser mais um daqueles filmes sobre filosofias transcendentais, com ideias muito rebuscadas sobre as grandes questões do universo, mas Clint Eastwood consegue fazer uma vez mais um grande filme. Há qualquer coisa nos seus filmes, que por mais simples que pareçam, faz com que nos agarrem. E nem precisa de ter grandes nomes no elenco, como é este caso.
Está muito bem filmado, aquela banda sonora com o piano e guitarra (que também é assinada pelo realizador) está sempre no ponto certo.
Uma vez mais Clint Eastwood prova porque razão continua a ser considerado o último dos realizadores clássicos de Hollywood.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Prova dos nove de Ben Affleck atrás das câmaras

Ben Affleck é talvez dos maiores canastrões do cinema actual. Mas a sua passagem para trás das câmaras em «Vista Pela Última Vez…» em 2007 deu-nos uma outra faceta do actor, que já tinha dado cartas na escrita de argumentos logo na estreia com «O Bom Rebelde» de Gus van Sant, com a ajuda de Matt Damon.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaDesta vez com «A Cidade» Ben Affleck resolveu realizar e interpretar a personagem principal. E é este segundo pequeno pormenor que acaba por ser um dos pontos negativos do filme.
Passado em Boston, tal como «Vista Pela Última Vez…», este filme conta a história de Douglas MacRay, o ‘arquitecto’ de um gangue de assaltantes de bancos e carrinhas de valores que quer mudar de vida, depois de um dos assaltos não correr de acordo com o planeado. Tudo estava a correr bem até o grupo se lembrar de fazer uma refém (Rebecca Hall), por quem Douglas acaba por se apaixonar quando não devia. Esta paixão é mais uma razão para Douglas deixar a ‘má vida’ mas tudo se complica porque ninguém do seu grupo o quer ajudar, a não ser se for para participar em mais um assalto. Ao mesmo tempo, o gangue tem um agente do FBI (Jon Hamm) à perna que não lhes dá tréguas.
A CidadeBem filmado, sobretudo nas cenas dos assaltos e nas perseguições de automóveis, «A Cidade» acaba por perder muito por ter Ben Affleck no papel principal, pois o actor quase não muda de registo. O mesmo sucede com Jon Hamm que não parece ter sido a escolha mais acertada para o agente do FBI. Salvam-se Rebecca Hall e Jeremy Renner, que interpreta o melhor amigo de Douglas e seu parceiro nos assaltos, James Coughlin.
Esperemos que da próxima vez que Affleck se decida a realizar, opte por apenas ficar atrás das câmaras, pois já deu provas de que poderá vir a ser um bom realizador.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Um jogo do tamanho da vida

Em 1995 Nelson Mandela, recentemente eleito presidente da África do Sul, resolveu aproveitar a realização do mundial de rugby no país para aproximar as populações branca e negra, num período conturbado pós-apartheid. O episódio é recuperado por Clint Eastwood em «Invictus».

Pedro Miguel Fernandes - Série BUma vez mais o realizador norte-americano mostra porque é um dos grandes mestres do cinema actual, pois nos últimos anos tem-nos habituado a grandes fitas. «Invictus» não é excepção, apesar de não ser uma das melhores obras de Clint Eastwood. Para contar este epsiódio foram convocados Morgan Freeman, para interpretar o presidente Nelson Mandela e Matt Damon, que interpreta o capitão da selecção de rugby sul-africana da altura François Pienaar, que tinha uma equipa cujos resultados não eram os melhores e o seu fim esteve à beira de acontecer. Mas a vontade de Mandela foi mais forte e conseguiu incentivar o capitão da selecção a liderar os seus homens às vitórias, que culminaram na conquista do torneio, quando muitos consideravam a passagem aos quartos de final uma possibilidade irrisória.
Invictus - Clint EastwoodParalelamente à história desportiva, «Invictus» conta a relação de amizade entre estes dois homens e a união de um país que tinha saído recentemente de um regime racista, o apartheid. Curiosamente a união do povo é representada através de um desporto para brancos – apenas um negro ingressava na selecção sul-africana na altura e era o mais popular – que anteriormente era mal visto. Tal fica vincado no primeiro jogo que Nelson Mandela assiste, contra Inglaterra, quando o presidente é vaiado e os adeptos negros torcem pelos ingleses.
Outra das imagens que mostra o clima tenso entre as duas raças surge junto dos seguranças. Quando Mandela obriga os seus guarda-costas a aceitarem os agentes do seu antecessor, todos trocam olhares desconfiados. Mas durante a final histórica este clima altera-se e todos acabam a festejar.
Para a história do cinema fica mais uma boa obra assinada por Clint Eastwood, num registo um pouco diferente do que tem sido habitual, daí não ter chegado aos dez finalistas para os Óscares deste ano. Mas a presença dos dois actores entre os nomeados é justa. Na minha opinião, apenas a de Matt Damon é um pouco forçada, pois teria sido mais justo ser reconhecido pela sua prestação em «O Delator». Mas isso são outras histórias.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Jogo de Mentiras

Matt Damon é a grande estrela de «Delator!», o novo filme de Steven Soderbergh, um dos realizadores norte-americanos mais originais da actualidade, capaz de filmar obras de puro entretenimento, como a série Ocean, e obras mais experimentalistas, como Full Frontal.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Delator!» pode ser considerado uma mistura entre ambos os tipos de filmes que popularizaram a obra de Soderbergh. Por um lado tem um actor bastante popular, Matt Damon, numa história simples de um funcionário de uma grande companhia multinacional que decide tornar-se informador do FBI. Mas aqui tudo se complica, pois a personagem interpretada pelo actor que em tempos encarnou o célebre Jason Bourne, tem a característica de ser mentiroso compulsivo e ter um comportamento bipolar, o que não facilita a tarefa. Não só às restantes personagens, que quando se começam a aperceber na teia em que estão metidos passam o resto do filme à espera do próximo coelho a sair da cartola de Mark Whitacre, como ao próprio espectador, que ‘ouve’ o que vai na cabeça do funcionário, algumas vezes a meio de diálogos com outras personagens. E estas vozes que se ouvem na cabeça do actor, muitas vezes são reflexões avulsas, que pouco ou nada têm a ver com o que se passa no resto da história.
«Delator!»E à medida que a história vai avançando, a personagem principal continua a enredar-se numa confusão de mentiras gigantesca, que não deixa ninguém de fora, desde a família aos seus colegas de trabalho, passando pelos próprios agentes do FBI, que a principio o aceitam como informador, mas acabam por se arrepender quando se apercebem o que se passa.
No fundo, é curioso ver Steven Soderbergh realizar um filme que aborda, de certa forma, a temática do capitalismo (o filme começa praticamente com Matt Damon a querer ser informador do FBI para contar uma suposta concertação de preços entre a sua empresa e empresas rivais), logo depois de ter feito um excelente olhar sobre a figura de Che Guevara, nos dois anteriores filmes Che – O Argentino e Che – Guerrilha.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt