Os jovens socialistas do distrito da Guarda, aprovaram um documento onde se opõem à introdução de portagens das auto-estradas que servem o distrito. Os subscritores pretendem apresentar o documento à Comissão Nacional da Juventude Socialista, ponderando ainda pedir uma audição aos diversos grupos parlamentares da Assembleia da República solicitando que a questão volte a ser discutida e reavaliada.

O texto considera a introdução de portagens uma medida com «efeitos perniciosos», tendo em conta que as SCUT não são uma medida de discriminação positiva, mas sim um acto de justiça para com um território com um modelo de mobilidade diferente daquele que tem o Litoral do País.
Os jovens socialistas enumeram depois algumas das razões pelas quais consideram desajustada a introdução de portagens. Um dos argumentos é que «a construção destas auto-estradas implicou o desaparecimento das estradas alternativas», outro refere a questão da «geografia montanhosa» da região que implica a existência de estradas muito sinuosas onde se praticam velocidades muito baixas, tornando as viagens morosas. A «dispersão populacional», é outro dos argumentos, pois as distâncias entre as principais cidades são muito maiores do que as que separam as cidades no Litoral. Outro factor referido é a «falta de transporte alternativo», pois são menores as opções ferroviárias. A «impossibilidade de fixação» da população jovem face ao elevado custo com as deslocações pela auto-estrada é também uma razão apontada para a reivindicação.
Critica-se o «abandono do desígnio do turismo», associado à medida, pois «a qualquer pessoa da capital poderá ficar mais barato tomar um voo low cost para um destino de montanha europeu do que pagar combustível mais portagens até à Serra da Estrela».
O isolamento face a Espanha, a diminuição da velocidade permitida nas viagens pelas estradas nacionais, e a desligação da Juventude para com as terras do Interior, são também razões justificativas da tomada de posição, a que se junta o argumento dos «produtos mais caros para população com baixo poder de compra», pois as mercadorias que vêm dos grandes centros terão um custo de transporte mais caro.
O documento termina com uma citação do padre António Vieira: «Não hei-de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois esta é a licença e liberdade que tem quem não pede favor, senão justiça.»
plb