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António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

El Comandante

Em tempos foi Presidente. Poderia ter sido da República, de uma Câmara, mas não o foi. O nosso navio aportou a bom porto para o «apanhar». Tal como eu, gosta de escrever, ler e ouvir boa música. O comando da TV a maior parte do tempo é um bibelot. A messe agora está mais composta, e durante as refeições esquecemos a agitação do mar ou das tempestades que se avizinham. Bem vindo a bordo Sr. Comandante!

El Comandante

Nelson – El Comandante

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Um pesadelo de Ano Novo

Com estas viagens longas, e atribuladas, tive um pesadelo de todo o tamanho de 30 para 31 de dezembro. Fiz cerca de 8.000 quilómetros, com escalas e dormidas, sendo uma delas em zona de tiroteio nocturno, concretamente no Bairro de Cazende, na periferia de Luanda.

Pesadelo de Ano Novo

Pesadelo de Ano Novo

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A minha primeira tentativa de entrar no Congo!

Era um domingo soalheiro. Por ser muito cedo resolvi ir até à fronteira entre Angola e a Republica Democrática do Congo. Os Domingos aqui são como o nosso antigamente. Cada um veste a sua melhor roupa para ir à missa ou ao culto evangélico. Porém, como dizia a minha saudosa Mãe, «Deus não dorme!», tive uma das peripécias mais engraçadas desta minha curta estadia.

Fronteira entre Angola e o Congo

Fronteira entre Angola e o Congo

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

E tudo o vento levou!

Aqui em África os Salões de Beleza são simultaneamente cabeleireiros e barbeiros. Não deixa de ser um facto curioso porque, por estas bandas, normalmente os espaços são diferenciados por género. Mas no caso do cabelo é uma excepção. Mas ainda há outro dado relevante. O cabelo do europeu é bem diferente de um africano. Por isso a estória de hoje é sobre a minha aventura de cortar o cabelo. A primeira vez que o faço fora do meu país.

E tudo o vento levou

E tudo o vento levou

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

A Caminhada de «O Pensador»

Esta foi a primeira actividade que realizei aqui em terras do interior de Angola, com a participação de perto de 80 jovens, dos 14 aos 22 anos. O percurso foi preparado pela equipa de avanço, onde estava eu e mais três jovens. A extensão era de cerca de 20 quilómetros e terminava num dos rios onde o agrupamento de escuteiros poderia tomar um banho refrescante.

Os novos «Pensadores»

Os novos «Pensadores»

Um engenhoso chefe de posto

Um chefe de posto da antiga administração colonial portuguesa em Angola, servindo-se de um engenhoso esquema, gozou umas longas e serenas férias sem que os superiores se apercebessem da sua ausência.

N’Riquinha (Angola)

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Sustentabilidade no outro lado do mundo

Quem diria que acabado de chegar sou surpreendido com um evento que, felizmente, parece ser transversal a todos e todas. No sonho de fazer esta missão, não podia ficar mais feliz de ver que as sociedades mais afastadas sentem a realidade de quem não quer ver. E o mais surpreendente é que foi a Diosese do Dundo, sede da Província de Lunda Norte, que patrocinou este encontro, com muito mais debate que nos «desenvolvidos» países europeus. Aqui todos e todas participam e nada os amedronta de dizer o que pensam.

Desenvolvimento sustentável na Diocese do Dundo

Desenvolvimento sustentável em debate na Diocese do Dundo em Angola

O abandono de S. João Baptista de Ajudá

A Fortaleza de São João Baptista de Ajudá, localizada na cidade de Ouidah, na costa ocidental africana, na actual República do Benim, foi abandonada pelos portugueses em condições humilhantes, em 1961, o que levou o regime a isolar o último administrador daquela minúscula possessão colonial.

São João Baptista de Ajudá é hoje um museu

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

1971-74 – Os dias da Tropa (01)

O meu plano é trazer aqui um resumo dos 38 meses e 11 dias da minha tropa: desde 21 de Julho de 1971 (entrada no Curso de Oficiais Milicianos da Escola Prática de Infantaria de Mafra) até 2 de Outubro de 1974 (aterragem no aeroporto militar de Lisboa, vindos de Luanda). Trarei apenas episódios marcantes, nunca esquecidos, que dormem acordados nos recantos da minha memória.

Maiombe na Guiné - Uma das picada mais perigosas - José Carlos Mendes - Capeia Arraiana

Floresta Virgem de Maiombe em Angola – Uma das picada mais perigosas

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Viagem ao centro de Angola

Mesmo sendo uma longa viagem, sem dúvida que valeu a pena esta deslocação à Província do Uíge, em tempo uma das principais zonas de produção mundial de café, tendo acabado por fortalecer laços e, conjuntamente com os meus parceiros angolanos, enriquecendo experiências.

Viagem ao Uíge em Fevereiro de 2018 -António José Alçada - Capeia Arraiana

Viagem ao Uíge em Fevereiro de 2018

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Notas soltas de Verão (2)

Agora que é mês de Agosto e que não posso estar no Sabugal, é altura de aligeirar estas minhas crónicas…

Big Ben de Londres - Ramiro Matos - Capeia Arraiana

Big Ben de Londres

Março 2015 - Efemérides - Capeia Arraiana

Efemérides – 10 de Março

:: :: EFEMÉRIDES 2015 :: 10 DE MARÇO :: :: O Capeia Arraiana publica diariamente as efemérides mais relevantes de cada data… No dia 10 de Março destacamos a partida de Lisboa de famílias do distrito da Guarda para colonizarem Angola em 1953.

Há 62 anos famílias do distrito da Guarda embarcaram para Angola (uma família de colonos na nova aldeia de Freixo em Angola)

Há 62 anos famílias do distrito da Guarda embarcaram para Angola
(uma família de colonos na nova aldeia de Freixo em Angola)

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Casteleiro – Aqueles 27 meses…

Tão longe e tão perto… Foram 27 meses em que não estive nem no Casteleiro nem em Portugal. Não uns meses quaisquer: foram aqueles 27 meses. Estive em Cabinda. Cheguei de lá, fez agora 40 anos. Muita gente que passou por aquilo ou por coisas parecidas não se cansa de insistir: este mesmo sítio fala por si, como adiante recordo. Também por isso, quis voltar ao assunto. Mas que título dar à peça de hoje? Pensei: «Um casteleirense na mata do Maiombe» – seria o título que daria a esta peça de hoje, se tivesse coragem. «Aerograma» – foi outro título que saltou logo. Mas não. Seriam demasiado violentos… e eu quero que o leitor esteja tranquilo na sua zona de conforto.

O Maiombe é uma das sete maravilhas naturais de Angola

O Maiombe é uma das sete maravilhas naturais de Angola

Obituário - © Capeia Arraiana

Faleceu Nelson Borges

Faleceu na África do Sul o sabugalense Nelson Borges, de 49 anos, num hospital onde estava internado após ter sido evacuado de Luanda (Angola) devido ao agravamento de uma doença que o afectou nos últimos dias.

Nelson Borges

Nelson Borges

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

As relações Angola-Portugal

Para além de cinco séculos de história comum, Angola e Portugal gozam do primordial dos elos de união – a comunidade de língua.

Eduardo dos Santos e Cavaco Silva cumprimentam-se

Eduardo dos Santos e Cavaco Silva cumprimentam-se

Lembrei-me de Angola…

Mais um serviço público que o Governo Central quer fechar no nosso Concelho!

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»A notícia da proposta de encerramento de uns quantos tribunais, entre os quais o do Sabugal, trouxe-me à lembrança aquilo que registei das minhas idas profissionais a Angola e que deveria servir de exemplo a quantos pretensos sábios de vez em quando aparecem a governar este País.
Na década de 90 do século passado desloquei-me algumas vezes a Angola, desenvolvendo trabalho, entre outros sítios, na Província do Huambo.
Tive então oportunidade de visitar algumas dezenas de Comunas (equivalente às nossas Freguesias) e Municípios daquela Província.
Falo de uma realidade completamente distinta da nossa, desde logo por condições extremas de falta de quase tudo o que consideramos «sociedade moderna».
Da paisagem urbana de povoações ainda com muita construção em adobe, sobressaiam edifícios de alvenaria sempre pintados nas mesmas cores de comuna para comuna: azuis, amarelos, vermelhos, etc.
É que, apesar de todas as dificuldades, não encontrei comuna que não tivesse, pelo menos, a casa da Administração, a escola, a polícia, o centro social e o centro de saúde, isto é, a população tinha na proximidade dos locais onde residia e trabalhava, os serviços públicos essenciais!
Somos mais desenvolvidos (?), mas parece que as troicas e os seus lacaios em Portugal não perceberam ainda que qualidade de vida e coesão territorial não rimam com freguesias e concelhos sem serviços públicos de proximidade!
Ainda não perceberam que por cada serviço encerrado é mais uma machadada que dão no direito de todos serem cidadãos iguais!
Encerrados nos seus gabinetes em Lisboa, não percebem que um país onde uns têm tudo e outros nada, não é um país, é uma coutada de alguns!
Anulam-se umas quantas freguesias; fecham-se escolas; encerram-se tribunais; anulam-se urgências de saúde, numa lógica economicista de tudo o que não dá lucro é para acabar, e quem cá vive que se mude!
As condições vão sendo cada vez piores, mas, estou certo, conseguiremos, todos juntos, ganhar uma guerra que não pedimos, resistir e, como os raianos e os transcudanos sempre souberam ao longo da sua já longa história, ganhar a batalha rumo a um Concelho do Sabugal melhor.
Como dizia o da história olhando para os aviões que pairavam lá no alto, «deixá-los pousar!…»

PS 1: Como já tive oportunidade de comentar, a decisão de mandar abater as árvores da Praça da República (Praça simplesmente para os da minha idade), foi para mim, não só incompreensível, como revelador de uma grande insensibilidade para os sentimentos dos sabugalenses.
O espaço público é de todos e a todos compete defendê-lo e melhorá-lo.

PS 2: Na última crónica congratulei-me com o facto de ter sido aprovada por unanimidade na reunião de Câmara a proposta para a elaboração do «Plano Estratégico do Concelho» apresentada pelos vereadores do PS.
Por lapso não referi que, em sede de votação do Plano e Orçamento para 2012, o vereador Joaquim Ricardo tinha já apresentado proposta idêntica, lapso pelo qual aqui publicamente me retrato.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Faleceu o Frei João Domingos (1932-2010)

Morreu na madrugada de ontem, em Lisboa, o Frei João Domingos, natural da Torre, concelho do Sabugal, vítima de um ataque cardíaco. Completava nesse mesmo dia 77 anos de vida e encontrava-se doente desde Abril deste ano, altura que saiu de Angola para Portugal.

Frei João Domingos - Torre - SabugalO Frei João Domingos vai a enterrar amanhã, quarta-feira, dia 11, em Lisboa. Em vida o prestigiado Frei João Domingos pediu para ser enterrado onde morresse, para não dar trabalho aos irmãos da sua congregação.
Frei Domingos Fernandes adoptou o nome João Domingos depois de receber a ordem dos padres dominicanos. Antes de ir para a Angola foi director e professor no seminário dominicano português, professor de filosofia no Centro de Estudos de Fátima e de Teologia na Universidade Católica de Lisboa.
Chegou a Angola em 1982 a convite de Dom Zacarias Kamuenho, na época bispo do Sumbe, província do Kwanza Sul, para começar um trabalho ligado aos padres dominicanos em Angola. Mais tarde, foi convidado pelos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé para ser o reitor do Instituto da Ciências Religiosas de Angola.
Licenciou-se em Teologia, em França, e possuía um mestrado na mesma área, obtido no Canadá. Foi superior dos padres dominicanos em Angola e primeiro pároco da paróquia do Carmo, em Luanda. Fundou o Instituto Superior João Paulo II e o Centro Cultura Mosaico.
Em Angola exerceu os cargos de reitor e docente de Doutrina Social da Igreja no Seminário Maior e no Instituto de Ciências Religiosas de Angola e foi ainda professor de Deontologia no curso médio de educadores sociais e doutrina social da Igreja e Direitos Humanos, no Seminário Maior de Luanda, e do curso de Educação Moral e Cívica e de Teologia Pastoral, no seminário Maior de Luanda.
Em 1998, foi agraciado com a comenda da Ordem Mérito do Estado Português.
Em memória do frei, que teve 53 anos de sacerdócio, celebra-se hoje uma missa na Paróquia da Nossa Senhora do Carmo, em Lisboa.
O religioso agora falecido era muito estimado na Torre, terra onde tem família, que visitava amiudadamente.
plb

Semanário «Sol» vai passar a sair à sexta

O director do «Sol», José António Saraiva, informou que o semanário vai passar a estar disponível nas bancas à sexta-feira a partir do próximo dia 22 de Maio.

Semanário SolA decisão de antecipar para as sextas-feiras a saída do semanário «Sol» prende-se, de acordo com o director José António Saraiva, com a necessidade de antecipar o fecho para assegurar a distribuição do título ao sábado em Angola.
«Ponderámos fazer um fecho para a edição de Angola e outro para a portuguesa», admitiu José António Saraiva, mas a logística revelou-se «complicada». A decisão poderá não ser definitiva, diz, quando asseguradas as condições de impressão em Angola da edição local. Actualmente, o jornal é impresso em Portugal seguindo de avião para Luanda.
«A passagem da saída em banca para sexta e não sábado, dia da saída do “Expresso”, tem prós e contras», acrescentou José António Saraiva considerando que «a sexta é um dia em que somos o único semanário, não temos um concorrente directo mas sair ao sábado era importante para competir ombro a ombro com o Expresso porque, apesar da diferença de vendas entre os títulos, mantemos essa chama acesa. Era um ponto de honra.»
«O semanário Sol vai começar a distribuir DVD para crianças a partir de 22 de Maio, simultaneamente em Portugal e Angola, tendo como objectivo a extensão do jornal a toda a família. O produto para os mais jovens passa a ser parte integrante do jornal, tal como a revista ou o suplemento de economia. A ideia base é ter um jornal para a família toda. Arrancamos com DVD, mas pode não ser sempre um DVD. Podemos distribuir livros infantis ou música. A ideia é ter sempre um produto para crianças», revelou à agência Lusa José António Saraiva.
O director do «Sol» adiantou ainda que a empresa está a estudar alterações no formato e agrafamento com a mudança da Gráfica Funchalense para uma nova casa de impressão.

Estudos gráficos a nível mundial apontam para um formato mais pequeno, tipo «i», e para o agrafamento em forma de revista. O agrafamento será, a curto prazo, o futuro de todos os jornais.
jcl

Poesia a quatro mãos no Porto

Manuel António Pina apresentou sábado, 31 de Janeiro, no Porto, o livro de poesia da autoria do jornalista Nicolau Santos e do gestor António Costa Silva, intitulado «Jacarandá e Mulemba».

nicolau2Trata-se de uma obra poética, onde a poesia é apresentada como uma forma de expressão que confere um especial prazer aos seus autores. O livro foi editado pela cooperativa Árvore e tem como tema principal Angola, país onde os seus autores nasceram.
Para Nicolau Santos, conhecido jornalista e analista económico, este livro representa um «acerto de contas com o passado». Nele se expressa a experiência de dois jovens, os seus autores, que assistiram ao fim da presença do império colonial português em Angola. «Mais do que um livro de poesia, é um testemunho, um livro de memórias escrito a quatro mãos», acrescentou Nicolau Santos.
«Jacarandá e Mulemba« foi apresentado pelo conhecido e prestigiado escritor Manuel António Pina, natural do Sabugal e há muito radicado no Porto.
O lançamento contou com a presença da ministrada da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que justificou a presença com a amizade que a une aos autores. Curiosamente, Manuel António Pina, que apresentou a obra a convite dos autores, tem escrito severas críticas à política educativa seguida pelo governo.
plb

Torre homenagea Frei João Domingos

No passado dia 9 de Agosto comemoraram-se na Igreja da Torre, concelho do Sabugal, as bodas de ouro sacerdotais do Frei Dominicano João Domingos da Ordem dos Pregadores. As cerimónias coincidiram com a data de aniversário do homenageado que nasceu há 75 anos no dia de São Domingos.

Homenagem a Frei João DomingosA Eucaristia de Acção de Graças decorreu na Igreja da Torre, concelho do Sabugal, pelas 12 horas, presidida por D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, e acompanhado pelo Provincial Frei José Nunes, frei Pedro Fernandes (irmão do frei João), frei Bernardo Domingues, frei Miguel dos Santos, padre Hélder, padre Souta (anterior pároco do Sabugal) e diácono António Lucas Fernandes.
A cerimónia foi seguida de um almoço-convívio organizado pela família que contou com a presença de cerca 170 pessoas entre familiares e amigos.
No final da refeição foram projectadas fotografias e o percurso de Frei Domingos e lido um texto baseado numa entrevista efectuada por uma aluna do ICRA ao homenageado.
A homenagem contou ainda com a presença do Cónego Pereira de Matos (Vigário Geral da Diocese da Guarda) e do Padre José Júlio.
Frei João Domingos fez nesse dia, precisamente, 75 anos, tendo nascido com o nome de Domingos Fernandes, numa aldeia chamada Torre, do concelho e paróquia do Sabugal, distrito da Guarda. O nome foi-lhe dado por ter nascido perto do dia de S. Domingos.
No seio de uma família da classe média, agricultores e pastores, cresceu com os valores do catolicismo. A ida à missa, à catequese e a oração do terço ao final do dia na igreja, faziam parte do seu quotidiano. Com os pais, cuja convivência era pacífica e fiel, aprendeu a verdade e honestidade, a franqueza e confiança.
O início do seu caminho pela vida religiosa começou a desenhar-se em 1946, após o exame da 4.ª classe, com a vinda de uns padres dominicanos da Ordem dos Pregadores que realizaram exames de admissão ao seminário. A Ordem tinha um Seminário Menor, perto de Fátima, onde ministrava o curso liceal. Fez o exame e foi aprovado. Recebeu o nome de João, na tomada de hábito em 1951, a 7 de Setembro, nome religioso que o ligava à Ordem dos Pregadores ou Dominicanos. A partir daí foi sempre chamado por Frei João Domingos.
Em Julho de 1955, o Superior, um padre dominicano canadiano, chamou-o e perguntou-lhe se estava disposto a ir para o Canadá estudar teologia durante 4 anos. Respondeu afirmativamente, fez os votos solenes (perpétuos) e partiu.
Durante esse período, para além do estudo, ajudou muitos emigrantes portugueses no Canadá, a maior parte deles vindos dos Açores, que tinham dificuldade com a língua. Ajudou-os na Emigração, no Ministério do Trabalho, com o preenchimento de papéis e mudança de contratos de trabalho.
Trabalhou, posteriormente, na América, três meses por ano, durante 23 anos, num Centro de Atendimento e Aconselhamento, aprendendo muito com as pessoas e, sobretudo, com os psicólogos e psiquiatras com quem trabalhava, para ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas.
Em França, esteve no ano de 1968, ano do ressurgimento da juventude na Europa. Passou por Paris e outras cidades, mas foi em Estrasburgo que passou um ano escolar inteiro, onde vivia com os dominicanos e estudava na Faculdade de Teologia. Celebrava, também, missa numa Escola de Reeducação de Jovens e numa igreja onde se reuniam os emigrantes portugueses.
Em Portugal, trabalhou oito anos no Seminário dos Dominicanos em Aldeia Nova, sete dos quais como Director. Passados, esses 8 anos, foi Superior do Convento dos Dominicanos em Fátima onde ajudou a criar, um Centro do Estudos, aberto a seminaristas e jovens, rapazes e raparigas, novidade que, na altura, nem toda a gente aceitou bem. O centro conta hoje com mais de quatro mil estudantes.
Em 1975 voltou ao Canadá onde estudou durante um ano. Regressou em 1976 e foi viver em Lisboa na Casa dos Dominicanos em Benfica. Foi nomeado Director do ISTA (Instituto de Teologia São Tomás de Aquino) e começou a dar aulas de teologia na Universidade Católica de Lisboa. Nesse tempo, desempenhou, simultaneamente, outras funções, como: pregação e animação das pequenas comunidades religiosas de padres e irmãos operários, inseridas nos bairros de Lisboa e Porto e nas aldeias do Interior.
Em 1981 iniciou o seu percurso no país em que permanece até hoje, 2008, Angola. O projecto dos Dominicanos em África inclui o trabalho como missionários na pastoral, na educação, na promoção e no desenvolvimento do povo.
Em Agosto de 1988, respondendo ao pedido dos bispos da Igreja Católica, assumiu a reitoria do ICRA (Instituto de Ciências Religiosas de Angola) em Luanda. Assim, em Setembro desse ano assumiu o ICRA e a paróquia do Carmo, juntamente com outros dominicanos onde foi pároco durante quatro anos.
A partir de 1992, deixou de ser o pároco, mas continua sempre a trabalhar como colaborador, apenas ausente desde Setembro de 1992 a Agosto de 1993, ano sabático, em que esteve em Jerusalém, em estudos bíblicos.
O ICRA foi criado pelos bispos de Angola a 8 de Dezembro de 1984 e tem como objectivos a formação de quadros angolanos baseada em filosofias de altruísmo e honestidade.
As competências adquiridas de frei João Domingos incluem ainda: «Filosofia e Teologia» na Faculdade de Teologia Católica, em Strasbourg, França; «Mestrado em Teologia Dogmática», na Faculdade de Teologia, do Collegium Philosophiae et Theologiae Dominicanum, Ottawa, Canadá; Director e professor no Seminário Dominicano português, professor de «Filosofia» no Centro de Estudos de Fátima; professor de «Teologia» na Universidade Católica de Lisboa; reitor e professor de »Doutrina Social da Igreja» no Seminário Maior e no ICRA, em Luanda; professor de Deontologia no curso médio «Educadores Sociais e Doutrina Social da Igreja e Direitos Humanos», no Seminário Maior de Luanda e no curso de Educação Moral e Cívica; professor de «Teologia Pastoral» no Seminário Maior de Luanda; professor de «Deontologia» no Curso Médio de Educadores Sociais; e Professor do «Pensamento Social da Igreja» no curso superior de Assistentes Sociais no Instituto Superior João Paulo II onde foi também reitor e professor de «Direitos Humanos» no curso superior de Professores e Educação Moral e Cívica, no mesmo Instituto João Paulo II, em Luanda.
Foi agraciado em 1998 com a comenda Ordem Mérito do Estado Português.
Natália e Gabriela (primas do Frei João Domingos)