Category Archives: Terras do Jarmelo

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Chuva que arrola sonhos

O inverno fere a noite chuvosa e fria, sortida de vento que soa a negro e abre portas à fantasia. As estrelas fugiram deixando o céu tingido de escuro e levaram, com elas, o declivoso vulto da Serra.

Adensam-se aguaceiros em pingas engrossadas a bater às janelas

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Ténues tons de terapia

Vão passando os dias, acossados por ruídos de mediatização muitas vezes violenta, algumas vezes inútil, excepcionalmente objetiva e isenta.

Atentado bombista no Paquistão

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Sair de mim

A janela avisa-me da manhã, do sol e da cidade. Entreabro-a e confiro o inverno que se me oferece gelado e me arde no rosto. Chegam-me imagens de pessoas em movimentos apressados e de olhares efémeros.

A Serra, vista da janela, impõe-se sem dizer onde começa ou onde acaba

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Liberdade na mais pura essência

Há vivências que, anotadas no nosso íntimo, nos insinuam gente que dá tudo para ser bem sucedida e, também, pessoas que, estritamente, se entregam ao destino.

Errava pelos caminhos do mundo

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Semente de um choro colectivo

– Como se atrevem? – Foi o grito mais alto de Greta Thunberg na Cimeira de Acção Climática, em Nova Iorque.

Greta Thunberg

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Também eu, pá!

Nós, os humanos, temos, obviamente, muitas visões em comum. Concordamos na ideia do bem e do mal. Coincidimos no conceito de guerra e paz. Convergimos sobre o que é justo e o que o não é. Enfim, aceitamos, universalmente, tudo isto e muito mais. Mas, quanto a gostos? Diz o povo que eles não se discutem.

Chapinhar na água da chuva

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

Até parece mentira!

Hoje, vou dar à caneta para estampar nesta crónica uma peripécia inusitada.

O parquímetro não deu o talão

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Sopro antigo na moderna urbanidade coimbrã

Sempre achei que, em Coimbra, os encantos coexistem com surpresas. A cidade dos estudantes medeia caminhos entre Interior e Litoral não parecendo, às vezes, ser muito zelada por quem manda.

Cidade de Coimbra

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Soltem-se as convicções

Quem comtemple um lugar ou uma paisagem poderá colher perceções capazes despertar e instigar o que tem dentro de si. Será, depois, possível implementar a divulgação.

Porque redijo com base na observação

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Primeira noção de finitude

Havia no quintal dos meus avós paternos uma ameixoeira centenária e insolitamente corpulenta. A sua folhagem verde/espessa coroava um caule grosso, cinzento, torto e meio furado de velhice.

Árvore caída

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Não há palavras!

Há momentos que não cabem nas palavras e determinam instantes que brotam no fluir do tempo fazendo verter indefiníveis emoções.

Faltam as palavras e só o sentir pode ser lido

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Retratos de um Povo

Chegou-me o livro “Retratos de um Povo” pela mão do seu autor, José Grilo dos Santos, meu amigo de sempre. Foi-me entregue sob um olhar embebido de cumplicidade, gerada por vivências comuns e por uma ampla sobreposição de gostos.

José Grilo dos Santos retrata uma época plena de peculiaridades

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Limpar a Praça

As paixões não são más só por si. Bem pelo contrário. O problema é quando elas ficam tão exacerbadas que se pervertem ou se transformam em loucuras.

Bruno Lage no Marquês: ninguém vai para casa sem deixar a Praça limpa

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Maio serenamente afável

Temos, por ora, um maio de verde tingido que o tempo ainda não fez maduro. A janela desafia-me a espreitar a manhã quando já ultrapassa as sete e meia. O sol tanto enche a concavidade do vale quanto beija os píncaros da Serra.

Maio manteve-se quieto e ameno

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Assim se vive e festeja em Castelo Mendo

As Portas da Vila sugerem a entrada num passado medievo. No âmago da Aldeia Histórica, a antiguidade, severa e granítica, grita silêncios durante a maior parte do ano e uma quietude religiosa acaricia as igrejas ainda que despojadas de fiéis.

Festa em Castelo Mendo

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Nostalgia ou um pouco mais?

Com algum amargor se diz que a sucessão de presentes que se vem desenrolando se divorciou da memória deixando para trás experiências de outros tempos.

Será apenas nostalgia?

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Mais da alma que da vontade

Engendrar uma crónica faz-me lembrar uma quase conversa a dois, entre quem escreve e quem lê. Aliás, quando redijo, ideio alguém perante mim, como que um vulto de rosto indefinido, que me escuta e que gosta ou desgosta.

Cada um fluirá a seu jeito

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Ninguém aguentaria

Sinto-me chamado à crónica, tal como se houvesse apalavrado com alguns leitores do «Capeia» a publicação do meu escrito, para amanhã, às zero horas. E, para mim, que sou da velha guarda, a palavra vale tudo.

Tragédia em Moçambique

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Março quer-se marçagão

Março é auspicioso e é um mês em que pode acontecer de tudo. Aos vinte dias conclui-se o inverno. Aos vinte e um já a primavera nos abraça. O dia oito homenageia as mulheres e o dia dezanove celebra o dia do pai. Às vezes março festeja a Páscoa. Este ano, só último dos seus trinta e um dias é dilatado pela hora legal.

Março mimoseia-nos com dias cálidos ou ventilados mas, uns e outros, prazenteiros

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Crónica ou desabafo?

Acabei por granjear suficiente arrojo para articular sobre um proeminente meio de comunicação social como a televisão assumindo, desde já, que sustento o presente intento num fastio, profusamente incomodativo, motivado pela estirpe de canais TV a que tenho vindo a ter acesso. Não coloco, evidentemente, tudo no mesmo saco e permito-me salientar, como rara e honrosa exceção, o canal 2 da televisão pública.

A televisão persiste num apelo que desce ao primário das emoções

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A cor e a voz do vento

Se a vida for um sopro nós existimos no veemente brotar do vento ante a sucinta fluência do tempo. Partem e volvem os nossos dias nos sussurros da ventosidade. Enegrecem e aclaram as nossas noites na sua flutuação. No seu seio sonhamos os nossos sonhos e advogamos os nossos arbítrios.

As cores e as vozes do vento transmutam no contínuo escoar do tempo

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Realidades que se vão despindo

No tempo em que, assiduamente, habitava a aldeia que me habita, os aldeões desafiavam o inverno em casas de paredes maciças que hoje pouco mais recolhem que silêncios.

Havia casas de baixos e casas de altos

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Crónica à toa

Alguém, um dia, oferecendo-me uma caneta, dizia: «Isto não é uma prenda. É um utensílio para escrever». Era uma caneta encarnada, quase marron. Dois ou três fios de ouro longitudinais estampavam-lhe elegância e finura fazendo dela a minha caneta preferida.

A tinta escorrendo resultava em letras azuis e espessas

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Primeira crónica

A minha primeira crónica deste ano não será apenas dedicada a quem se divertiu, a valer, nos réveillons. Decidi dedicá-la, especialmente, aos que entraram no novo ano sem nada terem para além do tempo e aos que continuam a viver de enfraquecidas esperanças. Só depois a dedicarei aos foliões que iniciaram 2019 esforçando-se por deixar no ano velho todas as malquerenças.

Que 2019 consiga ser diferente para melhor

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Privilegiada contemplação

A Estrela já foi Serra de muitas e frondosas árvores. Porém, as suas encostas são, agora, atapetadas de ervas. Nas ladeiras fincam-se gestas que medram espontâneas entre arbustos rasteiros e há colinas onde prosperam jovens árvores, animadas pela justa aspiração de se tornarem adultas. Assim os incêndios ou outras perversidades humanas o consintam.

Serra da Estrela

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Falar de quê?

Talvez referir, hoje, um sítio onde a escassez de gente constrói silêncios ímpares. Porventura revelar uma aldeia, de rua única, onde hortas incultas são o desboque de travessas estreitas. Quiçá falar de um lugar bucólico que se expõe, serenamente, à tarde fria. Eventualmente garantir que, neste pequeno burgo, existem dois pequenos bares aptos a aviar os sedentos de cerveja, os amantes de bom vinho caseiro ou os viciados em café.

Da capela só saem andores de dois em dois anos

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O café da minha juventude

Todos guardamos, da nossa juventude, recordações de sítios especiais. Há cafés que, por preservarem vivências próprias dessa idade, constituem lugares de referência privilegiada.

O café Madrilena no topo do jardim José de Lemos (foto colhida do blog Sol da Guarda)

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Verdade implacável

A investida do Leslie, à hora da sua furiosa chegada do Atlântico, apaziguou-se num abraço à Serra da Estrela. Do seu ímpeto inicial calaram-se os ventos e sobejaram chuvas ocasionais.

A abjeta imbecilidade de um motorista

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Certificados de beleza e afeto

Há tempos e tempos. Há tempos de memoria, tempos de mudança e sítios que sobrelevam a passagem e a transmutação dos tempos.

Muitas aldeias são santuários dinâmicos ainda que minguados de gente

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Cenários e enlevos

Logo que o verão se transfaz em outono, ainda sob os escombros do calor, abre-se o desponte de prévias imagens inverniças. Os primeiros frios e os anoiteceres outonais hão de sugestionar quenturas e crepitares de lareira.

A beleza e o enlevo de um cenário outonal

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Castelo Mendo – genuíno desfile de emoções

A Aldeia Histórica Castelo Mendo acolheu, no passado fim de semana, dias catorze e quinze de Setembro, várias atividades no âmbito do Ciclo de Eventos «12 em Rede – Aldeias em Festa».

Sete vozes coadjuvadas por sons de instrumentos tradicionais (fotografia de Armando Rui)

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Crónica dos verões repetidos

Iniciam-se, ultimamente, os verões numa intensidade reforçada de rituais de “Sunset”. Grupos mais ou menos estruturados, nos mais diferentes sítios e cenários, sob pretexto de fazer festa e usufruir de animação, aguardam o pôr do sol colocando o olhar no horizonte, assistindo ao sumir da claridade como se não previssem novos amanheceres.

Sunset

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Magnifico espetáculo!

Três mulheres diferentes mas, todas três, com algo em comum. Unia-as uma trilogia de arte. Buscaram um epíteto que as pudesse conectar e identificar. Adoptaram o nome “LunArte”.

Tocaram, cantaram e dançaram com uma entrega perfeita

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Agora é que vossemecê me lixou!

O Zé Catano era o taberneiro mais alto de que tenho memória. Tinha uma estatura de trave. Vivia dentro da mesma camisola cinzenta que sempre lhe conheci. Sob o pescoço e, do decote do pulover espreitavam dois colarinhos azulados, sujos e assimétricos.

Taberna antiga

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Perduram incertezas

Pouco mais de um ano passou após o fatídico dezassete de Junho de dois mil e dezassete, dia em que o Interior de Portugal se tornou numa ilha ardente.

No interior brotou uma angustia duradoura

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Não vale comprimir realidades

No desnovelar da vida há muito mais quem a tome por enigmática do que quem a julgue entendível. Porém, o seu todo é realmente complexo e tenta-nos a ideia de que o problema poderá estar em simplificá-la. Eis, assim, a razão pela qual se abreviam conceitos para facilitar a sua interpretação.

A infância é a etapa mais feliz da vida

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Sucesso oco

Nunca, como hoje, o sucesso foi tão intencionado apesar dos caminhos que o sugerem se terem tornado, cada vez mais, faltos de competência. A capacidade e a inteligência têm sido progressivamente desvirtuadas pela “finura” de tramas desleais e gananciosas.

A leitura entrou em absoluto desuso

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Evidente “cocozada”

Começo por referir que não sou um fiel seguidor do Festival da Eurovisão. Em todo o caso, colhi, de forma meramente ocasional, da cruzada festivaleira recentemente finalizada, algumas canções. Elegi duas delas para poder comparar: a vencedora e a que ficou em último lugar.

Um có-có-có-có-có e palavras desgarradas, sem nexo e quase a puxar a gargalhada

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A «salto»… sem despedida

Havia frio na madrugada da partida. Um vento fresco cavalgava o vale para se abraçar ao Monte. O céu mantinha-se desenevoado deixando adivinhar a limpidez do dia que prometia emergir.

De quando em vez alguém partia “a salto” na longínqua manhã

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Neste estirar de manhã

A cidade exalava beleza exibindo o ar aristocrático com que vestia monumentos e construções arcaicas. Ostentava, sincronicamente, a elegância dos bairros mais modernos. E acordava…

A Guarda tem o encanto da história