Casteleiro – A Serra d’Opa sempre dominou

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

A Serra d’Opa sempre dominou tudo e todos lá de cima, do alto da sua posição altaneira. Confesso que às vezes dou comigo a pensar satisfeito que esta minha fixação pela Serra d’Opa não deve ser muito saudável. Acho que há ali nela algo de histórico e edificante que pode ter transformado as mentes durante milénios, dominando quem vivia no Casteleiro ou por estas zonas passava.

Serra d'Opa no Casteleiro

Serra d’Opa – Callixto chama a estas rochas as «Guardiãs do Casteleiro»

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Ali mesmo ao fundo do olhar vê-se a maravilhosa Serra d’Opa…

Digo: quem por estas zonas passava – fosse em paz, fosse em guerra: acho que ninguém lhe ficou indiferente, nesses milénios todos: acho que a todos a Serra dominava (como me domina a mim, aliás)…

Então e isso não tem mesmo de nos «apardalar»? Em mim, sem dúvida, cria um sentir quase físico: prazer de ver, fixação de imaginar, certeza de foco intelectual no encanto daquela serra. Pode gozar comigo: até gosto, se for por estes motivos. Sei muito bem de que género de loucura vou ser «acusado»… e saibam que isso me dá cada vez mais prazer…

Quando se está no Casteleiro, olha-se para um lado e vê-se a Serra da Estrela; olha-se para outro e vê o Cabeço de São Cornelho e Sortelha; e finalmente, se olharmos para «cima», ali mesmo ao fundo do olhar… vê-se a maravilhosa Serra d’Opa.

Um dia, há quase nove anos, escrevi sobre esse olhar:

«Para o lado contrário, duas outras elevações: uma, a Serra da Opa, para nós sempre a Serra d’Opa, com cerca de 860 metros, aproximadamente; a outra, o Cabeço Pelado, com uns 600 metros, julgo. Há quem garanta que é ali, na Serra da Opa, que se define a fronteira natural entre a Beira Baixa – à qual então o Casteleiro pertence – e a Beira Alta. A Beira Baixa começa ali. Aliás, quando era miúdo aprendi a escrever isso nas cartas: Beira Baixa / Casteleiro. Este era o nosso habitat e assim se confinava o horizonte da pequenada, até que se começava a ter a dimensão das coisas e da região, depois, o País, a Europa, etc. Vem isto a propósito de uma ideia fixa que não me abandona há mais de 40 anos (…).»

Pode ler mais… (Aqui.)

Lá ao fundo, a Serra da Estrela guarda a região toda da Beira

Serra d’Opa – Lá ao fundo, a Serra da Estrela guarda a região toda da Beira

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Mula de ouro – uma das lendas da Serra d’Opa

As lendas populares falam muito de ouro, moedas de ouro, potes de ouro. Pois para a Serra d’Opa também se arranjou no Casteleiro uma história que mete ouro. Reza assim: «No alto da Serra d’Opa, há um haver: uma mula de ouro com selim, freio e tudo. E quem a há-de encontrar é rabo de ovelha ou ponta de relha.» Eu explico. A mula tem os arreios todos: até selim e freio, portanto está completa e é muito valiosa. E está ali mesmo à superfície… Etc., etc.

Leia por favor e distraia-se da quarentena… (Aqui.)

Lá que parecem pessoas ali petrificadas... lá isso parecem...

Serra d’Opa – Lá que parecem pessoas ali petrificadas… lá isso parecem…

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Serra d’Opa: as mouras e os celtas

Um dia, há um pouco mais de oito anos, sou surpreendido por uma peça de arte e de escrita de um ilustre amigo, cujo ilustre pai conheci muito bem lá pelos idos de 80 em terras também para mim encantadas nos arredores de Lisboa…

Pois é isso mesmo e hoje foi um prazer reviver tudo aquilo – a subida do amigo José Carlos Callixto à encantadora Serra d’Opa. Leia:

«(…) o cume da Serra d’Opa é um lugar mágico. Saídos como que por encanto das entranhas da Terra, grandes blocos de granito erguem-se em formas bizarras, algumas, a lembrar formas humanizadas, outras. É nestas penedias que vivem, escondidas, três lindas mouras com tranças de ouro, de formas esbeltas e de superior encanto, presas por eternos desígnios a uma eternidade infinda.

…E a Serra da Estrela em pano de fundo… Aqui sim, algumas destas fragas atestam evidentes vestígios da mão do Homem. Concavidades escavadas, aparentes formas traçadas, transportam-nos para onde a imaginação nos levar… à medida que o olhar nos deixa “voar” para além dos horizontes. As histórias falam também de minas, grutas profundas, buracos enormes pela rocha abaixo, até às profundezas. E eles lá estão efectivamente. Conta-se até que se ouve lá no fundo o marulhar das ondas do mar!»

Pode continuar e sobretudo ver as belíssimas e artísticas fotos e comentários… (Aqui.)

Tenham uma semana tranquila, em quarentena ou não, mas sobretudo: em paz!
E a mim que não me faltem a mesma paz e tranquilidade…

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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