Tratado do Sabugal de 1231

António Gonçalves - Colaborador - Orelha - Capeia Arraiana

Em 2 de abril de 1231 o Sabugal (então território espanhol) foi local de encontro entre D. Sancho II, rei de Portugal, e Fernando III, de Leão e Castela, resultando daí um Tratado entre os dois jovens monarcas. O soberano português garantiu a restituição de Chaves, detida por Afonso IX, desde 1212, e reconheceu a união das coroas de Leão e Castela. Fernando III tornou-se o monarca mais poderoso da Península Ibérica.

Castello do Sabugal por Abel Acácio (1886), Occidente. Revista Illustrada de Portugal e do Extrangeiro, Lisboa, 279, 21 de setembro, p.209

Castello do Sabugal por Abel Acácio (1886), Occidente. Revista Illustrada de Portugal e do Extrangeiro, Lisboa, 279, 21 de setembro, p.209

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Fernando III tornou-se o monarca mais poderoso da Península Ibérica…

Afonso IX de Leão, filho de D. Fernando II e D. Urraca, filha de D. Afonso Henriques e D. Mafalda, subiu ao trono de Leão em 1188.

Em 1191 casou com D. Teresa Sanches, filha de D. Sancho I e D. Dulce. Este enlace seria anulado pela Santa Sé devido a consanguinidade quando já tinham três filhos.

Em Dezembro de 1197 celebrou segundas núpcias com Berengária, filha de Afonso VIII de Castela e Leonor Plantageneta. Também este seria anulado, em 1204, pela Santa Sé e pelo mesmo motivo. Depois desta separação voltou a ligar-se a D. Teresa.

Fernando III, filho de D. Afonso IX e Berengária, com o apoio desta, sucedeu a Fernando II de Castela, entrando em conflito com o pai e tendo a oposição da nobreza leonesa.

A estratégia do monarca leonês era impedir a união das duas coroas. A morte do filho primogénito, que tivera de D. Teresa, e as relações tensas com o filho, levaram-no a um acordo com D. Afonso II, pelo Tratado de Baronal, de 1219, fazendo uma aliança contra o novo rei de Castela, e mais tarde a legar em testamento a coroa leonesa às filhas D. Dulce e D. Sancha.

Mapa da Península Ibérica em 1200

Mapa da Península Ibérica em 1200

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O monarca leonês morreu na cidade galega de Sarria, em 24 de Setembro de 1230, com cinquenta e nove anos, quando fazia uma peregrinação a Santiago de Compostela, sendo aí sepultado na catedral.

D. Teresa, retida no mosteiro do Lorvão, defendeu a causa das filhas querendo que se respeitassem as disposições testamentárias, tendo o apoio da nobreza leonesa. Fernando III inconformado decidiu disputar o trono pelas armas. Berengária pugnava pelos direitos do filho e tinha a simpatia do clero e do povo. Faltava-lhe o direito expresso às filhas. Tomou o conselho e encontrou-se com D. Teresa, em Valença do Minho para negociar a renúncia das infantas. O acordo concretizou-se comprometendo-se, a coroa leonesa, a pagar às filhas de D. Afonso IX a pensão anual de trinta morabitinos, abdicando as infantas dos direitos sucessórios.

Simultaneamente, em 2 de abril de 1231, os dois jovens monarcas, Fernando III, de Leão e Castela e D. Sancho II, de Portugal, encontram-se no Sabugal, para uma conferência política, de que resultou o Tratado segundo o qual o soberano português se abstinha de patrocinar as infantas, garantindo a restituição de Chaves, detida por Afonso IX, desde 1212, com o pretexto de servir de penhor à segurança e bens que D. Teresa possuía em Portugal, pois a sua ex-esposa e filha D. Sancha haviam sido despojadas dos seus bens pelo irmão, D. Afonso II de Portugal.

D. Sancho II reconheceu a união das coroas de Leão e Castela, mostrando alguma indiferença pelos direitos das sobrinhas, e Fernando III tornou-se o monarca mais poderoso da Península Ibérica.

Resolvidas as questões fronteiriças o objectivo passou a ser a recuperação das terras em posse dos muçulmanos.

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«Memórias de Sortelha», por António Augusto Gonçalves

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