Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (55)

Franklim Costa Braga - 180x135 - Orelha - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 55 >> CUBA, VENEZUELA e CANÁRIAS.

Mapa de Cuba

Mapa de Cuba


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1999


Viagem a CUBA. Entre 28 de Março e 11 de Abril de 1999. Com a Ibéria.


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>> 28.3.1999 >> Fui ao aeroporto, mas o bilhete fora cancelado, não sei porquê.

>> 29.3.1999 >> Às 05:30 horas novamente no aeroporto. Tudo bem desta vez. Segui para La Habana. Fiquei na casa da Edelsa.

>> 30.3.1999 >> Ficou comigo de noite a Sarita, de 40 anos, amiga da Edelsa.

>> 31.3 a 7.4.1999 >> O costume. Conheci outras moças, de quem recebi carícias, como a eng.ª Yaguelin, e tive intimidades com mais algumas: Francys, negra, uma enfermeira, Yudi e Núbia.

>> 8.4.1999 >> Intimidades com a miúda amiga da Yudénis. Veio a Yudi. Uma negra, empregada do restaurante Karabali, ao lado da minha casa, acusou-me à polícia por ter tirado fotos a moças. O polícia foi revelar o rolo em frente e estava vazio. Tinha-o posto mal, como já me acontecera no Brasil. O rolo ficou estragado.

À noitinha fui enganado por uma trapaceira que me vendeu uma caixa de charutos Cohíba por 40$, dizendo que esse valor era por duas caixas, tendo de ir a casa buscar a outra. Fui com ela até umas escadas que davam para uma rua estreita. Mandou-me esperar. Nunca mais voltou. Felizmente, vendi essa caixa em Lisboa por 60$. Os charutos deviam ser bons porque, ao regressar a casa, já perto desta um homem viu-ma e disse: «Que buena mercancia usted lleva aí!»

>> 9.4.1999 >> Carícias com a Daialsy. Veio o superior da polícia por me ter queixado do que se havia passado com o meu rolo e este deu uma repreensão ao polícia seu subordinado.

>> 10.4.1999 >> Almoço de camarões no Fidel. Partida para o aeroporto, onde me esperava a eng.ª Yaguelin, de quem havia recebido umas carícias. Viagem Havana-Madrid.

>> 11.4.1999 >> Viagem Madrid-Lisboa.

Gastos: Não registei.

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Viagem a CUBA. Entre 19 de Julho e 10 de Agosto de 1999. Tratada por Top Tours.


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>> 19.7.1999 >> Partida na Ibéria de Lisboa para Madrid, continuando para La Habana. Paguei 120$ do quarto à Edelsa.

>> 20 a 24.7.1999 >> Conheci várias moças, tendo recebido carícias de algumas: a Gunaiki, Danai e Daisis. Tive amores com várias: a Madelaine, a Yamilé, de olhos azuis, e a maestra Márcia.

>> 25.7.1999 >> Encontrei a Yasnelis, de Nuevitas, e tive intimidades com ela várias vezes. Havia-a conhecido em Havana com a avó que ia para as Canárias juntar-se à filha. Conheci a Maité e prima.

>> 26.7 a 8.8.1999 >> O habitual. Conheci várias moças: a Belkis, a Ana Maria e a maestra Cyntia, a médica Odalys, com quem almocei, e duas irmãs, uma delas loura, médica de 28 anos. Estive em intimidades com a Yasnélis, de Nuevitas, a rúbia(loura) Yamilé, Yaguelin e a Dália. Estive um pouco adoentado.

>> 9.8.1999 >> Paguei 20$ de taxa de aeroporto. Partida de Havana para Madrid pelas 17:25 horas.

>> 10.8.1999 >> Chegada a Madrid pelas 08:00 horas da manhã. Partida para Lisboa pelas 09:30 horas.

Gastos: 879$ mais viagem.

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Viagem a CUBA. Entre 29 de Outubro e 7 de Novembro de 1999.


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>> 29.10.1999 >> Chegada às 17:00 horas a La Habana. Táxi para casa da Edelsa por 15$. Paguei 60$ à Edelsa. Conheci e tive intimidades com a Natália, de las Tunas.

>> 30.10 a 2.11.1999 >> A minha vida habitual em La Habana. Conheci várias moças: Odálys, Natália, Kaylee, a cigana Olga, a Nelita e outras, com quem passei entretido estes dias, tendo tido intimidades com algumas delas.

>> 3.11.1999 >> Fui em guagua (autocarro) para Nuevitas, onde me esperava a Yasnélis e a Orealis, casada com um espanhol. Paguei 25,5$ pelo guagua. Visitei o porto. Como não pude ficar em casa da Yasnélis, porque estava lá o marido da avó, fiquei numa pensão particular, tendo pago 40$. À noite fomos a um tasco, onde havia festa e bebemos uma garrafa de rum com a Orealis. Tive bons amores com a Yasnélis.

>> 4.11.1999 >> Fui à praia de Santa Luzia com a Yasnélis, tendo pago 30$ pelo carro. Levámos connosco a Nioka, filha da senhora da pensão. Apesar de estar bom tempo, a praia estava vazia, já que para eles era Inverno. À noite voltámos ao bar.

>> 5.11.1999 >> Deixei Nuevitas pelas 09:00 horas em guagua muito velho, com bancos de pau, até Camaguey, tendo pago apenas 5 pesos. Visitei Camaguey com a Libera, grávida, que conheci no guagua, a quem dei 5$.

Na estação de camionagem conheci a Vilma, médica, divorciada com filhos, que trabalhava aí. Convidei-a a ir a La Habana. Foi lá ter comigo noutra viagem. Fui de táxi para Havana por 80$ porque não havia guagua nem comboio. Passei já de noite pela casa da Yudi, à saída de Ciego de Ávila, no pequeno povoado La Rueda. Estava já com um namorado.

>> 6.11.1999 >> Cheguei no táxi às 02:00 horas da manhã a casa da Edelsa em La Habana. Dormi, mas antes comi o queijo que comprei no caminho.

>> 7.11.1999 >> Partida para Madrid e depois para Lisboa.

Gastei: 504$50 mais custo da viagem.

Cá dentro

Num fim-de-semana fui até ao Porto apanhar o barco-cruzeiro do Douro até à Régua. Saí de Lisboa muito cedo com minhas irmãs e cunhados, tendo chegado ao cais de Gaia pelas 09:00 horas. O carro Mercedes ficou estacionado durante todo o dia no parque do cais. Comprámos os bilhetes e embarcámos num barco de cruzeiro. Almoçámos no barco. A viagem foi muito agradável, com a visão das quintas e vinhedos nas margens, tendo parado para visitar uma com socalcos, com prova de vinhos. Interessante foi a espera numa comporta até se poder adquirir o nível das águas para continuar viagem. Na Régua terminou a viagem de barco, tendo regressado a Gaia de camioneta, incluída no bilhete. Montámos no meu carro e regressámos a Lisboa, tendo parado na Mealhada para comer leitão assado.


III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 2000

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2000


Viagem a CUBA. Entre 13 de Abril e 25 de Abril de 2000.

Tinha partido o pulso direito recentemente e tinha-o engessado.


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>> 13.4.2000 >> Chegada já tarde, depois de, em Lisboa, faltarem os carimbos da Top Tours.

>> 14.4.2000 >> Fiquei no Fidel. Intimidades com a Mary (Maria Regla), enfermeira do Calixto Garcia.

>> 15.4.2000 >> Chegou a Vilma, médica de Camaguey. Tive amores com ela.

>> 16 a 18.4.2000 >> Passei estes dias com a Vilma.

>> 19.4.2000 >> De manhã partiu a Vilma. Intimidades com a bailarina de Varadero.

>> 20.4.2000 >> Tirei o gesso no hospital Calixto Garcia, com o Dr. Pedro Caminero. Tiraram-me radiografia em nome de Franklim Perez. O Dr. Pedro Caminero indicou-me o Juan Carlos, enfermeiro no hospital Hermanos Ameijeiras, para me dar massagens.

>> 21 e 22.4.2000 >> Fui ao Ameijeiras (primeira massagem) e, no dia seguinte, segunda massagem no hospital.

>> 23 e 24.4.2000 >> Terceira massagem em casa, dada pelo Juan Carlos. Intimidades com a miúda de Ciego; no dia seguinte intimidades com a Sorraya, mulata.

>> 25.4.2000 >> Partida para Madrid e depois para Lisboa.

Gastos: 830$.

Compras em diversas viagens: charutos, rum, duas caixas para guardar charutos, alguns quadros, maracas, tambor e prato em metal.

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Viagem a CUBA. Entre 29 de Julho e 3 de Setembro de 2000.


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>> 29.7.2000 >> Saí de Lisboa pelas 12:30 horas, com atraso de 30 minutos. Chegada pelas 16:30 horas locais a Varadero, onde chuviscava. Serviço normal. Apanhei o autocarro de turismo para Varadero. Fiquei novamente na Zoila.

Zoila e neta Mairélis frente a sua casa em Varadero

Zoila e neta Mairélis frente a sua casa em Varadero

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>> 30.7 a 2.8.2000 >> Praia, passeio, praia. Leitura do livro D. Sebastião. Ida à fisioterapia (acumpuctura) com o Dr. Plácido (el Chino), todos estes dias, a quem dei uma camisa nova. Veio a Belkis com a Orquídea, rúbia pintada, de 21 anos e uma moça linda, de 17. No dia 1 de Agosto conheci a Idânia, de 25. Choveu forte neste dia.

>> 3.8.2000 >> Acumpuctura nos olhos pela primeira vez. Aguardei que a polícia revistasse a casa da Zoila. Entretanto conversei com a Mirelis, estudante de alemão. Praia. À 13:00 horas fui a Santa Marta, no carro de Cárdenas (10 pesos); Carreton (1 peso). Guagua para Marti (central). Não me quiseram levar de carro por ser estrangeiro. Táxi até Jovelhanos (10 pesos). Almoço em casa da Belkis, carícias com a Orquídea. Conheci a Yudelmis, maestra. Regressei de táxi, depois de recusa. Em Cárdenas, novo táxi. Praia. Jantar no El Criollo. Passeio. Cama 23:00 horas.

>> 4.8.2000 >> Acumpuctura. Praia. Aguaceiro de noite.

>> 5.8.2000 >> Acumpuctura. Almoço com o Dr. Plácido. Às 15:00 horas fui para la terminal. Táxi para la Habana (10$) com o chauffeur e a Maria, galega de Santiago, que viveu em Tenerife e era guia. Chegada pelas 18:00 horas a La Habana, à casa do Fidel. Fui aos Carnavales. Veio a Soraya. Carícias.

>> 6.8.2000 >> Conheci a Mónica, loira, de 19 anos, actriz. Jantou comigo. Choveu. Carnaval estragado.

>> 7.8.2000 >> Fui ao fisioterapeuta Juan Carlos. Dei-lhe Voltaren para a mãe. À noite conheci a Renée, meio mexicana, meio índia e americana.

>> 8.8.2000 >> Fisioterapia. Fui encontrar-me com o Dr. Pedro Caminero. Intimidades com a Soraya, que jantou comigo. À noite conheci a Janet de 18 anos no Malecón. Dei-lhe um chocolate.

>> 9.8.2000 >> Fisioterapia. Fui ao Calixto Garcia conhecer a Blenda, loira. Conheci a Yaima, bonita. Passeio até ao terminal. A Vilma, médica de Camaguey, veio novamente e mais cedo. Casa com a Vilma. Jantar. Não saí.

>> 10 a 13.8.2000 >> Fui todos os dias à fisioterapia. Passei estes dias em amores com a Vilma, com quem fui a pé à catedral e ao Cristo na lancha. Chegámos a casa às 21:00 horas. Ela estava brava, de cansada, por eu não ter alugado uma carreta. Assisti aos Carnavales. No dia 12 choveu forte. No dia seguinte tive carícias da Janet, que conhecera dias antes.

>> 14.8.2000 >> Pela manhã foi-se a Vilma. Fui à fisioterapia. Visita à Blenda. Conheci outra Mónica.

>> 15 a 17.8.2000 >> Passeei, fui à massagem, cortei o cabelo e tratei dos bilhetes para a Venezuela. Conheci a Daevis, negra massagista, com quem tive intimidades, a Elena, de Direito, uma moça loura, de Las Tunas, e a Yaíma, mulata delgadita, com as quais tive intimidades.

>> 18.8.2000 >> Fiz as malas. Fui à fisioterapia. Almoço. Aeroporto e partida para Caracas, onde cheguei pelas 20:00 horas. Chegada ao hotel pelas 21:00 horas.

No avião conheci a Maria Helena, cantante, de Artemisa, a viver na Venezuela. Muitas carícias com ela.

Gastos: 887$.

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Interrupção: para ir à Venezuela de 18 a 26 de Agosto.

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>> 26.8.2000 >> Regressei da Venezuela na Aeropostal, com um atraso de uma hora. Fui para casa do Fidel, que estava ausente, mas deixou a chave à vizinha do lado. Na cama dele estava um amigo, creio que mexicano, com uma moça cubana. Passeio. Jantar. Cama.

>> 27.8.2000 >> Veio a moça de Santo Domingo e foi-se logo. Só umas carícias. Conheci várias que falharam, mas a Âmbar, linda, ficou comigo de noite.

>> 28 e 29.8.2000 >> Fui ao Hospital. Choveu. De resto, o mesmo de sempre. Conheci várias moças.

>> 30.8.2000 >> Idem. À noite fui aos anos da Clarita do 6.º andar com o Osvaldo, familiar da Mary do Fidel, até às 02:00 horas da manhã.

>> 31.8.2000 >> Conheci a Marianela, amiga da Yaima, prima da Sueily. A Âmbar voltou a ficar comigo de noite.

>> 1.9.2000 >> Hospital. Paguei ao Juan Carlos. Conheci a Liuva.

>> 2.9.2000 >> Às 08:00 horas partida para Varadero por Via Azul. Aeroporto. Saída às 09:20 horas. Escala na isla Margarita. Chegada a Caracas com o embarque encerrado, mas tudo se conseguiu. O avião saiu com uma hora de atraso, pelas 13:00 horas. Almoço a bordo de um bom bife e todas as bebidas (whisky, vodka e duas cervejas).

>> 3.9.2000 >> Chegada a Lisboa.

Gastos: 370$. A juntar aos 887$ da primeira parte=1.257$ em Cuba. Há que acrescer os custos dos aviões.

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Viagem às CANÁRIAS com a minha amiga Cidália.

Entre 16 de Julho e 22 de Julho de 2000.


Não tenho relato desta viagem e não sei onde param as fotos.

Quis gastar os pontos de passageiro frequente na Ibéria com as minhas idas a Cuba, mas quase paguei o mesmo.

Comprei uma máquina de filmar JVC, tendo sido aldrabado pelo monhé da loja.

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>> 16.7.2000 >> Saída de Lisboa para Madrid com a Ibéria. Continuação com a Ibéria para Tenerife. Visitámos as pirâmides de Guimar.

>> 22.7.2000 >> Regresso a Madrid com a Ibéria e continuação para Lisboa.

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Viagem à VENEZUELA. Entre 18 e 26 de Agosto de 2000. Preparada por Top Tours


Fiz seguro de viagem. Paguei 414.500$00 só pelo circuito dentro da Venezuela.

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Mapa da Venezuela

Mapa da Venezuela

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>> Viagem a pé, de carro, de canoa, helicóptero e avião na zona sudoeste da Venezuela. Foi organizada pela Bagheera Tours. Acompanhou-nos um alemão, o organizador da viagem, que conhecia bem a Amazónia, e um condutor venezuelano, o David, que era montador de rodeos, os quais faziam de guias. Era a primeira vez que se realizava este percurso e eu tinha sido o primeiro a inscrever-me. Não conhecia nenhum dos outros cinco participantes.

>> 18.8.2000 >> Cheguei, pelas 19:00 horas a Caracas, vindo de La Habana na Cubana de Aviacion. Fiquei em Caracas no hotel Hilton, grande, mas fraco. Jantei nas tabernas ao lado: sopa de marisco (lulas) e lluvia del mar (lulas e camarões) e duas cervejas. Caro. Deitei-me às 10:30 horas.

>> 19.8.2000 >> Levantei-me às 05:30 horas. Táxi para o aeroporto e avião da Aeropostal para Puerto Ordaz, no Estado de Bolívar, pelas 07:50 horas, onde cheguei às 08:50 horas. Esperei pelo guia no restaurante do aeroporto durante horas, o qual chegou com outros participantes. Em Toyota fomos com o Ube e a mulher Pipi, que eram sócios da Bagheera Tours, para El Manteco, a 140 quilómetros de Puerto Ordaz. Era eu, duas italianas de Milão (Bárbara e Daniela), o Kepa, venezuelano a trabalhar em San Sebastian como vendedor de medicamentos, o qual utilizava muito a exclamação: «Oh! La baina!», e um casalito de namorados austríacos, Huber e Eva. El Manteco é uma pequena povoação mineira no início da selva tropical. Ficámos no hotel Saltamonte, tipo pensão de 4.ª categoria, do italiano Fúrio. Jantámos no restaurante desse hotel, um alpendre com umas mesas.

Grupo da Aventura Venezuelana

Grupo da Aventura Venezuelana

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>> 20.8.2000 >> Pequeno almoço às 06:00 horas. Partida para Aventuras Saranda (uma casa isolada na savana em terra de índios perto do rio Caroni, construída com tijolos levados para aí num helicóptero). Atravessámos numa Iveco a selva tropical com plantas raras, árvores enormes, termideiras e bichos. Num charco no caminho apanhámos uma baba (crocodilo pequeno). Entretanto, a Iveco avariou. Andámos a pé uns quatro quilómetros. Depois apanhou-nos o carro já reparado. Caminhos horríveis, tendo descido algumas vezes do carro para colocarem grandes lascas de pedra nas rodeiras e assim poder avançar a Iveco. Fomos a pé mais um pouco. Chegámos pelas 18:00 horas da tarde a Bocón, onde estava a casa. Ao jantar comemos frango cozinhado por um indígena índio. Dormimos em hamacas numa única sala. De noite choveu forte.

Botes em que viajámos no rio Caroni

Botes em que viajámos no rio Caroni

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>> 21.8.2000 >> Pelas 07:00 horas arrancámos na Iveco até ao rio Carrronda (nome do tepuié) porque chovia. Depois continuámos a pé, de mochilas às costas, rodeando o tepuié até às margens do Caroni. Uma barca passou-nos para o outro lado do afluente, um a um. Seguimos a pé por detrás dum monte até darmos com o salto Baba, lindo e com um caudal enorme, no Caroni. Havia uma povoação índia numa ilha em frente. O rio Caroni, afluente do Orinoco, atravessa a Venezuela de Norte para Sul numa distância de 952 quilómetros. Continuámos a pé, até descer um monte, onde nos banhámos num riacho. Estavam lá uns espanhóis. A sola de borracha das minhas botas descolou. Em cima havia um acampamento. Tomámos um bote (tronco escavado). Parámos no acampamento Arekuna a tomar uma cerveja. Continuámos cerca de duas horas em bote pelo Caroni acima. Rio largo. Subimos depois um monte enorme a pé e descemos até uma cabana. Depois, novo monte a pique, dificílimo de subir.

Do alto avistámos Canaima. Nova caminhada até cerca de Canaima, onde um Unimog nos esperava e nos levou à pousada de pequenos quartos térreos ao lado uns dos outros. Fraca. Aí comemos uma pratada de arroz com frango. Bebi litros de água com gelo, tal a desidratação que sentia depois de tão grande caminhada. Ri com a sra. Ana, empregada, sobre os passarões negros que por ali passavam que podiam matar-me a fome. Choveu fortemente de noite. Dormi bem.

Laguna de Canaima

Laguna de Canaima

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>> 22.8.2000 >> Saída para ver a laguna de Canaima e a queda de água, de nome Guarey. Fui ao miradouro sobre a laguna. Depois, seguimos para o aeroporto.

Partimos para Uaylen em helicóptero, rodeando o salto El Angel que cai a mil metros do tepuié Auyan, enorme maciço de 2.600 metros de altura. Tomámos café e fomos à Cueva de Uaylen. Difícil o acesso, mas belíssima. Escorreguei e afundei-me com a máquina de filmar. A água caia do alto no meio da gruta, não se vendo donde vinha. Regressámos a Uaylen a uns dois quilómetros, onde nos banhámos no rio que vinha da Cueva. Seguimos de avião para Kavanarien. Aí almoçámos frango e visitámos a missão de Santa Teresa com casas de pedra e cimento e tectos de latão. Pelo Natal acolhia os índios das redondezas. Aí encontrei um casal luso-venezuelano com uma filha. Pelas 04:15 horas, partida em Toyota da Bagheera Tours com o David. O guia Henrique ficou no aeroporto de Kavanarien. Umas duas horas de caminho pelo quase leito do rio. Por gosto caminhámos ao longo do rio uns 500 metros até chegarmos ao acampamento de Mantopai dirigido pelos índios locais. Casas térreas individuais de pedra com tecto de colmo, autênticas cabanas. Interior pobre com uma enxerga e um cobertor no chão. Nem sequer espelho tinha, nem luz eléctrica. A água era bombeada dum poço. Havia muitas plantas insectívoras. Jantámos bife com batatas fritas num restaurante dos mesmos índios no cimo do monte. Cama às 22:00 horas.

Salto el Angel

Salto el Angel

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>> 23.8.2000 >> Pequeno-almoço às 08:00 horas. Saída de Mantopai até cerca de Kavanayen e continuação à esquerda até um restaurante em construção. Fizemos uma parada. O caminho estava cheio de charcos até ao rio Apouwao. Caminhada de quatro quilómetros depois de atravessar o rio em canoa. Salto Apouwao ou salto Chinak, ou Atsiriwinak, lindíssimo,. Banho no poço escondido numa cova. Caminhada para o topo do salto. Fomos de canoa até ao campo Apouwao. Almoço de bife. Continuação até ao campo Kamoiran, parte já em asfalto, desde a pista do aeroporto de Luepa. Bebida e continuação para Santa Helena de Uairen, na Iveco. Ao todo eram 240 quilómetros. Já chegámos de noite e o campo Yakoo ficava longe da cidade. Quarto razoável, no 1.º andar. Jantámos bifes e boa fruta. Ida à cidade a jogar bilhar e ida à boíte. Havia muitas prostitutas brasileiras. Regresso à meia noite.

Franklim com a Daniela no Salto Apouwao

Franklim com a Daniela no Salto Apouwao

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>> 24.8.2000 >> Pequeno-almoço às 07:00 horas. Saída para salto Jaspe. Pequeno, mas lindo. Depois para o salto Yuarani, baixo. Parámos no Campo Saruwapu para almoço, com banho prévio no rio com duas cascaditas. Cerca das 13:00 horas almoçámos bife de frango.

Franklim com a Yoilka

Franklim com a Yoilka

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Ida ao salto Arepan Meru, onde caminhámos rio acima e aí conheci a Yoilka, de cerca de Barcelona venezuelana. Trocámos uns beijinhos. Fomos a um monte (chamei-lhe Taboc), donde se avistavam o Roraima e mais dois ou três tepuiés. Visita do salto Kama, onde comprei uma espada de madeira e revi a Yoilka e conheci uma moça de 16 anos. O salto Kama tem 60 metros. O Apouwao tem 105 metros.

Franklim num monte, com os tepuies atrás

Franklim num monte, com os tepuies atrás

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Partida para os rápidos Kamoiran, tendo visitado a cidade fronteiriça brasileira de B.B.Oito, no norte do município de Pacaraíma, na Roraima. Aí comprei uma hamaca e uma garrafa de vinho Sangue de Boi. Jantámos e dormimos em Kamoiran numas casinhas térreas, lado a lado, mas já mais decentes. No jantar bebi o vinho brasileiro com alguns colegas. Após conversa com duas venezuelanas guias, fui deitar-me.

Franklim na fronteira Venezuela-Brasil

Franklim na fronteira Venezuela-Brasil

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>> 25.8.2000 >> Café às 08:00 horas. Partida às 08:30 horas. Parada em Roca la Virgen (de Lurdes), ao descer a montanha, uns quilómetros depois da savana e entrada no bosque tropical.

Franklim em Roca la Virgen

Franklim em Roca la Virgen

Franklim nas minas de ouro de Las Claritas

Franklim nas minas de ouro de Las Claritas

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Visita das minas de ouro de Las Claritas, onde faziam garimpagem. Almoçámos barriga de vaca em Tumeremo.

Continuação por Guasipati e Upata até Puerto Ordaz. Chegámos cerca das 17:00 horas ao aeroporto, onde o Ube nos esperava. As italianas partiram pelas 17:45 horas e os austríacos e o Kepa pelas 18:15 horas. Tomámos antes umas cervejas e levaram-me à Residência Tore, Pousada Turística, Calle S. Cristobal. Aí não tinham a minha reserva, mas tudo se resolveu. Fui ao centro da cidade a pé e jantei no restaurante la Fuente por 6.000 bolívares (brocheta, duas cervejas e café). Regresso ao hotel a pé. Quis perguntar algo a uma senhora, mas ela fechou a porta do carro. O medo de roubos a imperar na Venezuela.

>> 26.8.2000 >> Pequeno-almoço às 07:30 horas. Veio a Bagheera Tours buscar-me para me levar ao aeroporto. Parti para Caracas na Aeropostal pelas 09:10 horas, com chegada às 11:00 horas e, pelas 12:00 horas, devia seguir para La Habana na Aeropostal, mas só muito tarde segui.

Compras: espada em madeira e hamaca. Moeda: Bolívar.

Gastos: 66.100 bolívares. 100$=68.050 bolívares.

Considerações

A Gran Sabana, que atravessámos, fica no sul da Venezuela, no Planalto das Guianas, na parte sudeste do Estado de Bolívar, que faz fronteira com o Brasil. Faz parte do Parque Nacional de Canaima. É habitada por várias tribos índias, entre as quais se destacam os Pemons. É imensa e pertence aos índios. Vêem-se grandes extensões sem nada. As aldeias dos índios ficam fora das estradas ou caminhos de terra batida por onde andámos. Qualquer casa ou hotel a construir nela tem de ser pertença de índios. Por isso as instalações onde ficámos são tão pobres. Vimos um acampamento a que os índios puseram fogo, certamente por não terem cumprido contrato com eles. Orios, sobretudo o Caroni, são de grande caudal. É curioso que não têm peixes, certamente por não haver neles comida apropriada. Os saltos (quedas de água) são espectaculares. O Salto El Angel é o mais alto do mundo.

É uma viagem maravilhosa de aventura e de caminhadas. O contacto com a natureza selvagem fica na memória.

(Fim da Etapa 55.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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