O Linho – Da semente ao fio (1)

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Já poucas pessoas recordam os campos de linho, ainda, bastante abundantes nos anos cinquenta. Mas, quase todas têm algum lençol ou toalha desse linho antigo que herdaram das mães ou das avós e que guardam com particular cuidado. Impressiona o trabalho que o linho dava. Faço aqui uma descrição pormenorizada.

Campo de Linho

Um campo de linho florido (Foto: Freepik)

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Saía o linho grosso, a estopa, e ficava só o linho fino…

Cultivar – O linho nascia da semente da linhaça; era sachado, mondado e regado, até crescer a uma altura de 50/60 centímetros, ter flor e começar a secar. Nessa altura, arrancavam-se mancheias de linho e colocavam-se cruzadas, umas em cima das outras, para ficarem separadas.

Ripar – Com a ajuda de um ripanço, uma tábua larga, dentada numa das extremidades, passavam-se essas mancheias de linho, por entre os dentes de madeira, até cair toda a baganha – onde estava a semente que se tirava e guardava para semear no ano seguinte.

Curtir 1 – Faziam-se feixes e punham-se debaixo de água, de preferência, numa ribeira, com pesos em cima para a corrente não os levar, durante oito ou mais dias; quando começavam a ficar moles, tiravam-se e estendiam-se ao sol, para secarem. Muita gente, punha-o a secar, em pé, encostado a uma parede ou encostado um ao outro, numa espécie de «palheirinhos» – o importante era secar bem.

Curtir 2 – Tornava-se a pôr o linho em feixes e voltava para a água, repetindo-se todo o processo de curtir e secar.

Maçar – Quando se via que estava bem curtido e já se podia manobrar bem, maçava-se com uma maça de madeira: batia-se, batia-se…

Espadelar – A seguir, com um utensílio de madeira, uma espadela, davam-se pancadas no linho, seguro pelas raízes, de cima para baixo, para tirar os tomentos, uma estopa grossa, e o resto que não fosse bom.

Sedar – Quando já estava bem espadelado, ia para o sedeiro, uma tábua comprida, com uma espécie de «reguinhos» e picos finos e bastos. Saía o linho grosso, a estopa, e ficava só o linho fino. Só agora, os tomentos, a estopa e o linho fino, estavam prontos para ser fiados.

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«A minha terra é Águas Belas», crónica de Maria Rosa Afonso

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