Correi águas do Côa!…

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Quis lavrar o mar, quis semear palavras, quis viver uma Utopia, só colhi desenganos, abracei tristezas, criei fantasias e atingi esta cruel verdade: só vive quem é submisso ao poder, ou seja, não impera a razão.

Correi águas do Côa...

Correi águas do Côa…

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Correi águas do Côa, dizei ao mar que nesta Terra já não há luar.

Correi águas do Côa, levai um recado ao mar: nesta Terra já não nascem cravos de Abril.

Correi águas do Côa, dizei ao mar que sois lágrimas de um Povo que chora.

Correi águas do Côa, dizei ao mar que este Povo já não canta, e nem se veste de Abril.

Correi águas do Côa, dizei ao mar que o pensamento deste Povo é varrido por vendavais de derrotas.

Correi águas do Côa, dizei ao mar que no silêncio deste Povo há palavras de protesto.

Correi águas do Côa, dizei ao mar que a Cidade está triste, triste do silêncio que a devora, do silêncio de um vazio espectral.

Correi águas do Côa, dizei ao mar que tudo está moribundo, os caminhos, os campos, as árvores, as velhas casas e o triste piar das aves.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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