Sortelha – Moinho giratório manual

António Gonçalves - Colaborador - Orelha - Capeia Arraiana

A construção do moinho giratório manual era com base nos materiais existentes na região. Tinha um funcionamento simples, sem necessidade de um trabalhador especializado, destinando-se à satisfação das necessidades de moagem e farinação do seu proprietário.

Moinho giratório manual, existente em Sortelha, pertencente a Luís Paulos

Moinho giratório manual, existente em Sortelha, pertencente a Luís Paulo

.
Existência das mós mostra que a economia teria uma base agro-pastoril…

O moinho giratório manual da imagem, existente em Sortelha, pertencente a Luís Paulo. Na peça passiva é visível um sulco por onde escorria a farinha. Assim, teria que ser colocado de modo a que a farinha caísse no recipiente próprio.

A construção era com base nos materiais existentes na região, exigindo apenas arte e engenho. Tinha um funcionamento simples, sem necessidade de um trabalhador especializado, destinando-se à satisfação das necessidades de farinação do seu proprietário.

O moinho giratório manual é composto por duas peças de pedra de formato circular, encaixadas entre si por meio de planos inclinados e unidas por um eixo vertical, provavelmente de madeira.

«A componente inferior (meta ou peça passiva) permanece estática, enquanto a superior (catillus ou pedra ativa) roda sobre si. Estas peças e o eixo são depois todos unidos por uma trave horizontal, de modo a facilitar a rotação do catillus.» (Quesada Sanz, Kavanagh de Prado e Lanz Dóminguez, 2014, p.84.)

A difusão do moinho manual giratório na Península Ibérica constituiu um fenómeno geográfica e cronologicamente desigual, surgindo de modo tardio em alguns locais, ainda que ocorra com frequência nos séculos IV e III a.C. em diversas regiões.

Apesar da mais valia tecnológica no processo da moagem, possibilitando o produto final em menos tempo, poderá ter coexistido com o de vaivém.

Face superior da Catillus

Face superior da Catillus

Face inferior da Catillus

Face inferior da Catillus

.
>> Catillus >> Pedra superior ou pedra ativa do moinho giratório manual, existente em casa de Margildo Gonçalves, no Dirão da Rua.

Os moinhos manuais eram colocados sobre uma plataforma amovível, numa altura que permitia que fossem movidos de pé ou sentados por uma pessoa, permitindo o escoamento da farinha. Servia de «entretenimento» para as crianças, nas famílias em que havia uma prole numerosa, retirando proveito para o agregado familiar.

A existência das mós mostra que a economia teria uma base agro-pastoril, ilustrando a perenidade de sistemas de farinação anteriores. (O Passado proto-histórico e Romano. In, Mattoso, J., Dir. História de Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores.)

Não sabemos a época em que foi introduzido na nossa região. A sua utilização manteve-se, em algumas famílias, até cerca de 1960. É provável que tenha sido utilizado durante milénios!

Considerando os constrangimentos resultantes de um relevo acidentado, péssimas vias de comunicação e os períodos de seca prolongada, em que as ribeiras secavam, seria uma alternativa aos moinhos de água existentes na região, que não poderiam laborar em alguns períodos do ano. Mostra, ainda, alguma capacidade das comunidades para serem auto-suficientes.

Obs.: Agradeço a colaboração do meu colega Carlos Mocho, professor de Educação Visual.

:: ::
«Memórias de Sortelha», por António Augusto Gonçalves

2 Responses to Sortelha – Moinho giratório manual

  1. Paulo Melo Costa diz:

    Olá. Descobri um enterrado em Castelo Mendo e funciona na perfeição. Utilizo.o pra fazer a minha própria moagem pra elaboração á posteriori do pão.
    Muito bom pra uma pré moagem para as galinhas
    Uma maravilha e que toda a gente gosta de experienciar.

  2. António Gonçalves diz:

    Olá!
    Em Sortelha parece que fui o primeiro a tropeçar nele!
    Deveria haver estudos mais aprofundados!
    O que fiz foi por amor à camisola!
    Inexplicavelmente este elemento do património da região não está a ser aproveitado ….
    Para bom entendedor meia palavra basta!
    Um abraço!
    António Gonçalves

Deixar uma resposta