A fauna no futebol

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Há muitos anos que temos conhecimento, principalmente através da comunicação social escrita e falada, da existência de vários faunos no território futebolístico nacional.

Futebol português está cheio de animais

Futebol português está cheio de «divertidos» animais

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Saudades tenho eu dos animais do meu Pai…

Se olharmos para o mapa futebolístico, temos a águia imperial, que gosta de molhar o bico quando jogo no seu ninho e que, dizem alguns, dá ovos de ouro.

Segue‐se o leão, o rei da selva, que nos últimos anos não tem demonstrado a sua raça. Parece anestesiado e triste. Um ou outro leãozinho mais atrevido mostra as suas pequenas garras, incentivado pelo leão‐mor, mas não consegue agarrar nem arranhar nada.

Na capital do império ainda temos os canários, lindos com a sua indumentária amarela, mas que não incomodam ninguém.

No Norte, futebolisticamente falando, há as panteras negras (a cor‐de‐rosa retirou‐se há muito), os tigres, o macaco, e os dragões que nos conduzem o pensamento para o oriente, para Macau ou para os negócios da China. Neste país da segunda economia mundial, onde o futebol atinge agora uma paixão proporcional aos gastos, realizou‐se um jogo entre cobras e morcegos, apitado por um rato. O resultado foi um coronavírus que rapidamente contagiou a bancada central. O Ano do Rato, por causa desta epidemia, deixou de ser festejado e, na capital do Norte, fala‐se já de um rato azul, que tem despertado grande curiosidade na comunidade científica: um roedor doentio de tudo o que é azul, atraído para esta cor como o touro é atraído para o vermelho.

Há tempos falou‐se muito nas toupeiras, animal subterrâneo que dá imensos prejuízos aos pobres agricultores (tenho experiência do que falo). Não são fáceis de apanhar, pois o seu modus vivendi é em galerias difíceis de penetrar.

Há poucas semanas um treinador gritava, para quem o queria ouvir, que um boi lhe dera um murro. É um pouco surrealista imaginar um boi a dar um murro, quanto muito uma cornada… Será que era mesmo um boi? O certo é que nos túneis de acesso aos balneários há sempre estranha fauna. Investigações e mais investigações e, até à data, ainda ninguém identificou o verdadeiro animal.

Há dias um desvairado e aventureiro gato preto, sem GPS, sem nome nem chip, não teve medo do vírus que assolou a equipa principal dos golfinhos e tomou a liberdade de invadir o relvado em pleno jogo, pelo que o respetivo clube, sem ser dono do bichano, teve de pagar uma multa. Dizem que o gato vive agora orientado, gozando de uma boa vida na sede do PAN, na companhia de um papagaio eloquente de bom alimento.

Saudades tenho eu dos animais do meu Pai: a vaca «Castanha», a burra «Farrusca» e o cão «Manda vir».

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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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