Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (52)

Franklim Costa Braga - 180x135 - Orelha - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 52 >> TAILÂNDIA, BIRMÂNIA e FILIPINAS.

Mapa de Myanmar, antiga Birmânia

Mapa de Myanmar, antiga Birmânia


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1997


Viagem à Tailândia, Birmânia e Filipinas – Entre 5 e 19 de Agosto de 1997.
Custo da viagem= 548.000$00.


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>> 5.8.1997 >> Tinha chegado de Cuba às 22:30 horas, no dia 4 de Agosto. Nem me deitei. Ida para o aeroporto pelas 05:00 horas da manhã. Saída de Lisboa para Frankfurt com a Lufthansa e continuação na companhia aérea alemã para Bangkok.

>> 6.8.1997 >> Entrei na Tailândia pela segunda vez e em Bangkok tirei o visa para Myanmar por quatro semanas. Fiquei no Hotel Sol Twin, longe do centro. Fui ao centro comercial. Deitei-me às 16:00 horas e acordei às 22:00 horas. Só comi sopa à noite, que me custou 800$00. Deitei-me cedo.

Visa e carimbos de Myanmar

Visa e carimbos de Myanmar

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>> 7.8.1997 >> Partida pelas 10:05 horas de Bangkok para Rangun, capital de Myanmar, antiga Birmânia, com a Cristina Fonseca e pais. Fiquei no Hotel Thamada, fraco. Almoço noutro hotel, à esquina da mesma rua, cujo director era francês. Fraco. Visita ao mercado e ao pagode de Shewedagon, cuja cúpula tem 98 metros de altura e está coberta por 60 toneladas de ouro puro em camadas sobrepostas de folhas de ouro. Vi um conjunto de stupas e o templo do Buda Reclinado de Chauk Htat Gyi com 65 metros. Os pés foram desenhados, representando os três reinos. Comprei um quadro com os pés do Buda. Visitámos ainda o Museu Nacional, onde estão o trono real e as jóias da coroa, recuperados na montanha, onde os ingleses se preparavam para as transportar para a Índia, impedindo, assim, a sua pilhagem. Choveu forte. Jantar, hotel.

Pagode de Shewedagon em Rangun

Pagode de Shewedagon em Rangun

Um pequeno mercado em Rangun

Um pequeno mercado em Rangun

Os pés de Buda com desenhos

Os pés de Buda com desenhos

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>> 8.8.1997 >> Partida de Yangon (ou Rangun) para Mandalay, em avião da Air Mandalay. Juntaram-se a nós, formando grupo, dois auditores (um brasileiro e outro alemão) que trabalhavam na Alemanha. Comigo, o Sr. Fonseca, a mulher, D.ª Hortense, e a filha Cristina éramos um grupo de seis. Fiquei no Hotel Treasure, quarto 105.

Visita ao mercado, onde comprei um boné, e fábrica das folhas de ouro, templo com 770 Stupas, subida ao monte e palácio real. Num templo comprei um pano bordado que representa uma batalha em que o transporte são elefantes por 2.000$00, que tenho na sala da minha casa. Stupas e mais stupas. Travessia do rio a pé pela estreita ponte U Bein. À noite, jantar no barco real. Deitar.

Fábrica de lacados em Mandalay

Fábrica de lacados em Mandalay, onde se vê o Sr. Fonseca e esposa

Palácio real em Mandalay

Palácio real em Mandalay

Franklim à saída do barco real, onde jantou

Franklim à saída do barco real onde jantou

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>> 9.8.1997 >> Mandalay-Bagan por estrada, desde as 08:00 às 18:00 horas. Visitámos um templo no alto dum monte com 729 degraus em Meiktila. Subida difícil até ao piso onde estavam os sinos. A meio estava um macaco assanhado que não me queria deixar passar. Almoçámos no caminho numa tasca bera. Parámos numa aldeia que tinha búfalos no rio. Jantámos no hotel Kumudadra, tipo vivenda, razoável, onde fiquei no quarto 211. Assistimos a um show de bonecas (marionetas). Depois fui dormir.

a moça que vendia amendoins para dar aos macacos do templo de Meiktila

a moça que vendia amendoins para dar aos macacos do templo de Meiktila

Frankllim em frente a uma aldeia num lago

Frankllim em frente a uma aldeia num lago

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>> 10.8.1997 >> Bagan foi a primeira capital da Birmânia. Fazia calor. De manhã fomos ao mercado, onde comprei uma pequena balança em madeira, travessas e caixa lacadas e uma boneca-marioneta. Visitámos diversas stupas, das 3.200 existentes, entre elas o pagode Shwezigon, construído no século XI pelo rei Anawrahta, e o templo de Ananda, o maior. Muitas stupas estavam em reparação. Havia pinturas do séc. X a XIII. Falei com umas mocinhas que tinham pó na face. Depois de jantar junto ao rio, fomos ao festival do Buda, autêntico mercado.

Franklim junto da loja das marionetas

Franklim junto da loja das marionetas

templo Dhama Yan Gyi em Bagan

templo Dhama Yan Gyi em Bagan

Templo Ananda em Bagan

Templo Ananda em Bagan

Paisagem dum campo cheio de templos

Paisagem dum campo cheio de templos

Franklim com 2 moças onde se vê o pó no rosto

Franklim com 2 moças onde se vê o pó no rosto

>> 11.8.1997 >> Saída de Bagan para Rangoon com a Air Mandalay pelas 09:15 horas. Conheci entre as meninas a dar as boas-vindas no aeroporto a Kadae Kadar Hlaing, bonita, que me escreveu. Só fomos almoçar ao hotel e seguimos para Bangkok pelas 16:30 horas.

Compras

Em Myanmar comprei tabuleiros, copos, espécie de cálice, etc., tudo em tiras de bambu lacadas, um quadro grande em tecido com elefantes em relevo que conservo na minha sala, uma marioneta e um cabide em madeira trabalhada, que tenho na parede do hall da minha casa. Bebi Mandalay Lager Beer.

Impressões

Os birmaneses vivem muito pobremente. As ruas, mesmo as da capital, estão cheias de buracos e lama e as casas mais parecem casebres. Os homens vestem um pano enrolado à cintura, mais parecendo uma saia. As mulheres, desde crianças, usam um pó amarelado nas faces. Parece que as protege do calor. A enorme quantidade de templos em Bagan e Mandalay revela a religiosidade deste povo desde há centenas de anos e constitui um património muito valioso.

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Mapa de Tailândia

Mapa de Tailândia

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>> 11.8.1997 >> Reentrada na Tailândia. Hotel. Comi berbigão especial na rua.

>> 12.8.1997 >> Fui ao mercado e comprei três relógios imitações de Rolex e Omega por 10$ cada, três camisas a 7$ cada e três calções. Fui de rikchó para o hotel e logo, pelas 11:30 horas, para o aeroporto. Partida de Bangkok para Manila, sempre com a Lufthansa.

Mapa das Filipinas

Mapa das Filipinas

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>> 13.8.1997 >> Entrei nas Filipinas, onde já havia estado. Chegada já tarde a Manila, cidade com oito milhões de habitantes. Fiquei hospedado no Hotel Héritage, quarto 703, bom. O jantar foi bom. Fui ao Karaoke espreitar. Paguei 200 pesos por um sumo, só porque tinha a companhia da Karen. A moeda era o peso=7$00.

>> 14.8.1997 >> Visita da cidade, a começar pela zona Intramuros, com monumentos dos sécs XV a XVII, do tempo colonial espanhol, já meus conhecidos doutra viagem. Passeio de tarde junto ao centro comercial Makati, onde conheci a Annie e colegas, tendo pago 600 pesos num restaurante por um lanche com elas. Regresso ao hotel. Jantar. Fui ao Karaoke. Bebi um whisky por 120 pesos, por ter por companhia a Karen, que bebeu um sumo, pelo qual paguei 200 pesos. Fui levado.

>> 15.8.1997 >> Saída para Baguio a 350 quilómetros, nas montanhas da província de Nenguet, no norte da ilha de Luzon. Ainda parámos num local de Manila para ver uma churrasqueira. Havia homens por trás de uma parede que rodavam os espetos onde assavam leitões. Em Baguio fiquei no Hotel Concorde. Fraquito. Saí e conheci a Annett, bióloga. Fui ao mercado e comprei uma t-shirt por 110 pesos e um saco para uma miúda por 70 e três camisas delas por 120. Tirei foto à Lília e à Dani.

Partida para MT Data, a 100 quilómetros. Só montes altíssimos e estradas de terra batida. Péssimas. Iam connosco dois chauffeurs e a guia Arlinda. Hotel fraquito. Tirei fotos à Caroline e irmãs. Isolamento total.

>> 16.8.1997 >> Partida para Banaue por Sagada, onde visitámos a gruta dos túmulos da tribo Ibaloi, com centenas de anos.

Havia centenas de corpos mumificados em cavernas nas montanhas de Kabayan, descobertos no início do século XX. Muitos foram pilhados e vendidos. Agora estão protegidos. Fazem lembrar as múmias do Perú.

Múmias das cavernas de Sagada

Múmias das cavernas de Sagada

Franklim num miradouro no caminho para Banaue

Franklim num miradouro no caminho para Banaue

Franklim no campo perto de Bontoc com os montes ao fundo

Franklim no campo perto de Bontoc com os montes ao fundo

Passámos também por Bontoc, capital dos indígenas Igorot. Chegada a Banaue. Alojamento no Hotel & Youth Hostel. Visita ao mercado. Comprei peças em madeira. Bustos por 25 pesos; índios e vaca por 150.

>> 17.8.1997 >> Dia passado em Banaue. Visita a Hapao e passeio pelos arrozais e pelas terrazas de arrozais, com mais de 2.000 anos. Até havia peixinhos nos arrozais e ainda apanhei um ou outro, Mas também havia cobritas que procuravam ratos ou peixitos. As terrazas de arroz são património da humanidade. Assemelham-se aos socalcos do Douro, mas com mais trabalho. Foto com duas amigas no campo.

Terrazas de Hapao

Terrazas de Hapao

Franklim com 2 moças nos campos de Hapao

Franklim com 2 moças nos campos de Hapao

De tarde fui ao mercado. Estava lá de visita, em campanha eleitoral, o senador Alvarez e uma equipa de médicos. Conheci a Lindel. No hotel, razoável, conversei com a empregada Lorna, de 29 anos. Assisti a danças. Fracas.

Franklim com os dançarinos de Banaué

Franklim com os dançarinos de Banaué

>> 18.8.1997 >> Saída de Banaue para Manila, a 360 quilómetros, por San José. Almoço aí. Por pouco não apanhámos com a enxurrada que se abateu sobre a montanha e cortou a estrada por onde regressámos a Manila. Chegada a Manila pelas 17:30 horas. Apanhámos uma forte chuvada. Tudo alagado. Levámos 4:30 horas para atravessar a cidade. Aqui choveu tanto que tivemos de sair da carrinha, que ia ficando submersa, e caminhámos com água a cobrir parte das pernas. Jantar apressado por ser já tarde. Fiquei no quarto 830 do hotel Heritage. Bom.

>> 19.8.1997 >> Para ir para o aeroporto foi uma carga de trabalhos por a estrada estar toda alagada. Saída das Filipinas com a Lufthansa para Frankfurt.

Curiosidades

Fiquei surpreendido com a existência de múmias e com as terrazas que já vêm de há 2.000 anos, construídas nas montanhas pelos indígenas de Batad e que ocupam 10.360 quilómetros quadrados. Situam-se na província de Ifugao e são Património da Humanidade desde 1995.

O interior das Filipinas apresenta maior pobreza que a capital, mas não se nota miséria extrema. Esta será mais própria dos arrabaldes da capital. As Filipinas têm mais de cem milhões de habitantes, sendo o 7.º país mais populoso da Ásia e o 12.º do mundo. São constituídas por 7.641 ilhas, segundo uns, ou 7.107, segundo outros. Com a chegada em 1521 de Fernão de Magalhães começou a colonização europeia. Foi o explorador espanhol Ruy López de Villalobos que, em 1543, deu o nome de Islas Filipinas a esse arquipélago em honra de Filipe II de Espanha.

(Fim da Etapa 52.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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