Águas Belas – Tradições de Carnaval

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Das tradições de Carnaval – chocalhos, entrudos, partidas e o galo oferecido à professora – só os entrudos continuam, mas não da mesma maneira. Agora, vemos crianças com disfarces completos de determinadas personagens.

Entrudos no Carnaval

Entrudos no Carnaval

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Não falavam para não serem reconhecidos…

– Os chocalhos – Duas semanas antes do Carnaval, o grupo dos rapazes, incluindo miúdos mais novos, juntava-se para ir tocar os chocalhos e também bater em latas e tachos velhos. Andavam, rua abaixo e rua acima, parando, uma noite, numas casas e, na noite seguinte, noutras, para darem vivas aos moradores.

Um dos rapazes dizia: «Viva o senhor… (diziam o nome)! Viva a mulher! Vivam os filhos!» Todo o grupo repetia: «Viva! Viva! Vivam!»

As pessoas iam à porta, agradeciam e davam rebuçados, vinho, dinheiro ou outras coisas. No último dia, antes do Carnaval, paravam em todas as portas e davam vivas a toda a gente.

– Os entrudos – Algumas pessoas vestiam-se de entrudo, sempre disfarçadas, para ninguém as conhecer, com roupa velha e a cara tapada, com uma meia ou um pano. Na noite do entrudo, já se estava à espera deles. Chegavam às cozinhas, cumprimentavam, faziam gestos, moafas… E por mais que insistissem… «Olá, estás muito bonito! De onde é que vens, vestido dessa maneira? Já sei quem és!»… não falavam, para não serem reconhecidos.

No dia de Carnaval, também, andavam os entrudos, às vezes, até, com crianças pequenas, pela mão. Havia garotinhos que tinham medo, porque os entrudos corriam atrás deles, com aqueles paus grandes que traziam. Assustavam, mas não faziam nenhum mal.

– Partidas de Carnaval – Uma das partidas, que os rapazes faziam, era trocar os vasos de flores que as raparigas tinham nas varandas. De noite, punham os do cimo, ao meio ou em baixo; e os de baixo, em cima ou ao meio, numa grande mistura. Pela manhã, quando as raparigas davam conta, cada uma ia à procura dos seus. Ninguém levava a mal.

– O galo oferecido à professora – No último dia de aulas, antes das férias do Carnaval, os alunos ofereciam, dentro duma cesta, um galo enfeitado com fitas à professora que costumava retribuir oferecendo rebuçados.

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«A minha terra é Águas Belas», crónica de Maria Rosa Afonso

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