Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (50)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 50 >> CUBA (1996 – 11.ª e 12.ª Viagens).

Mapa de Cuba

Mapa de Cuba


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1996


11.ª Viagem a Cuba – Entre 8 de Agosto e 28 de Agosto de 1996


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>> 8.8.1996 >> Saída pelas 11:00 horas com a Cubana de Aviación num velho avião russo, em lugar confortável mas com ruído de motores. Deram a comer pollo (frango). Chegada a Havana pelas 15:00 horas. Ida para o Hotel Comodoro, quarto 205, para o qual tinha um voucher da Agência Abreu válido para a dormida, transferência para Santiago de Cuba e visita de La Habana. Bom hotel.

Passeata. Ficou comigo de noite a prima da Tamara, a arquitecta empregada no hotel. Paguei ao custódio 20$ e tive de levantar-me às 06:00 horas para ela sair.

>> 9.8.1996 >> Passeio cedo com a moça. Depois, visita da cidade com o grupo. Perdi o guia na Habana Vieja. Montei noutra camioneta. Almoço no restaurante Quatro Gardénias. Assim, assim. Fui à praia privativa do hotel, onde conversei com uma ortopedista chilena, coxa, que se queixou de exploração por parte de um médico cubano. Jantar. Aluguei um quarto particular para estar com a Tamara, arquitecta, empregada de quarto, e prima. Regresso ao hotel.

De 10 a 14 de Agosto tinha uma reserva feita pela Agência Abreu (Clube 1840) no Hotel Los Corales, Carretera de Bocanao, Playa Cazonal, Santiago de Cuba, no Complejo Hotelero Carisol, Los Corales, quarto 517.

Partida de avião para Santiago, pelas 08:55 horas, seguindo para o hotel Los Corales na baía de Baconao, longe de Santiago de Cuba. Praias com pedras. À noite fui à boite dos trabalhadores.

Franklim no hotel Los Corales

Franklim no hotel Los Corales

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>> 11.8.1996 >> Fui no carro de trabalhadores para Santiago. Fui ao santuário da Virgem da Caridad del Cobre, virgem negra, numa moto dum rapaz. Era longe e parte do caminho era terra batida. Dei-lhe uns 2$.

Santuário da Virgem da Caridad del Cobre

Santuário da Virgem da Caridad del Cobre

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Visitei o antigo quartel Moncada, hoje escola, que sofreu o assalto de Fidel e seus guerrilheiros.

o antigo quartel Moncada, hoje escola, que sofreu um assalto de Fidel

O antigo quartel Moncada, hoje escola, que sofreu um assalto de Fidel

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Conheci a Flor e depois a Jordanka. Almoço na paladar Vicente em Santiago. Regresso ao hotel no carro dos trabalhadores. Jantei no quarto. Fui à boite com alunas da hotelaria Irina e Dúnia.

Franklim com a Flor em Santiago de Cuba

Franklim com a Flor em Santiago de Cuba

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>> 12.8.1996 >> Toda a manhã na praia, esperando pela Flor, que não veio. Aí conheci um casal de portugueses emigrados no Canadá, naturais de Cinfães. Jantar no hotel. Boite com a Dúnia e uma gorda.

>> 13.8.1996 >> Ida a Santiago no carro dos trabalhadores. O gerente Matthias Saas deu-me um cartão com autorização para viajar no guagua do hotel para os trabalhadores, amarelo às riscas, doado pelo Canadá, de 13.8 e 14.8.96. Passeei. Aluguei um quarto para estar com uma moça. À noite tive intimidades com a Marta, de economia. Jantei com a Jordanka. Não fui dormir ao hotel. Fiquei no quarto que havia alugado.

>> 14.8.1996 >> Fui cedo buscar as malas a Los Corales. Saí ao meio dia com a Kénia, boa rapariga. Almocei com ela na casa alugada, n.º 362 da calle San Félix, onde estive em intimidades com ela. Passeio no Parque Cespedes. Tive intimidades com outra moça. À noite apareceu a Marta. Despachei-a mais à Miurka.

Franklim com a Kénia no quarto da R. de S. Félix

Franklim com a Kénia no quarto da Calle de San Félix

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>> 15.8.1996 >> Comprei bilhete de avião de regresso a La Habana em 15 de Agosto, pelas 07:30 horas, por 75$. Saí pelas 08:30 horas para o aeroporto. O avião para Havana (Baracoa) só saiu pelas 11:40 horas. Em Baracoa apanhei um táxi grande para Havana por 10$. Fiquei na casa do Fidel, a quem paguei 20$ por dormida e refeições. Conheci outra Flor e duas amigas. Tomámos umas bebidas. Fui deitar-me.

>> 16.8.1996 >> Passeio até às 14:00 horas. Estive de conversa com a Libera em frente ao cine Yara. Arranquei em carro de turismo para Varadero, para casa da Zoila. As gineteras tinham desaparecido. Constava que a Presidente de Matanzas as mandou carregar em dois ou três camiões e as levou a todas para a prisão.

>> 17.8.1996 >> Praia. Visita dos Fonsecas, emigrantes no Canadá, com o Ventura.

>> 18.8.1996 >> Praia. Conheci na praia uma farmacêutica e uma moça de olhos bonitos. Estive com uma senhora do campo e depois com a Yorális.
Atrás de mim, na foto na praia, está a casa de um alemão, diziam, onde, por vezes, assavam um porco para vender em sandes. No seu quintalito estava uma enorme árvore que dava sombra para a praia, onde eu me deitava.

Franklim na praia de Varadero com a farmacêutica

Franklim na praia de Varadero com a farmacêutica

Praia de Varadero frente à minha casa, com a árvore que me dava sombra

Praia de Varadero frente à minha casa, com a árvore que me dava sombra

unta Blanca em Varadero, perto da ponte sobre o canal

Punta Blanca em Varadero, perto da ponte sobre o canal

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>> 19.8.1996 >> Praia. Tive intimidades com uma estudante de Direito.

>> 20.8.1996 >> Veio a Eribel. Intimidades com ela. Choveu. Fui às lojas com os Fonsecas, emigrantes no Canadá.

>> 21.8.1996 >> Praia. Intimidades com uma lourita de Santa Clara.

>> 22.8.1996 >> Dia de sol, mas choveu à noite. Praia. Conheci a Anaides, miudinha, e a Greissy, educadora de infância.

>> 23.8.1996 >> A vida habitual na praia.

>> 24.8.1996 >> Praia. De tarde estive em intimidades com uma atraente ajudante de escola. À noite conheci uma eng.ª civil. Ao deitar-me apareceu a ajudante de escola. Dei-lhe um vestido e um blume.

>> 25.8.1996 >> Saí de casa pelas 07:30 horas. Esqueci-me lá duma toalha branca grande, que recuperei na viagem seguinte. Táxi para o terminal. Apanhei um carro turístico por 8$, que me deixou junto do hotel Colina em Havana. Fiquei, pela primeira vez, em casa da Edelsa, porque o Fidel, que ma apresentou, não tinha lugar. Passeio. A Edelsa apresentou-me a sobrinha Marta Amarilis. Jogámos cartas. Dormi com ela. Boa parceira na cama.

>> 26.8.1996 >> De manhã, andei passeando pelo cine Yara. Almoço em Los Balcones. À noite estive no Malecon com a Iélis, de 26 anos, professora primária de Moa, com o tio e a prima. Dormi com a Iélis.

Franklim com a Iélis, profª primária de Moa, e prima

Franklim com a Iélis, professora primária de Moa, e prima

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>> 27.8.1996 >> Sempre ali pelo cine Yara. Tirei foto com a Mónica, de 25. Jantei no Oscar. À noite, no Malecon, conversei com a Ubita, de 17, de San Miguel, virgem. Acabei por ir com a índia para a cama.

>> 28.8.1996 >> Conheci a Niurka, de 22, bonita e boa rapariga. Conheci ainda a Tamara, bonita, de 27 anos, com um filho. Almocei camarões em casa da mulata conhecida do Ramón. Conheci a Antoinette, de Direito, com quem tirei uma foto. Despedi-me da casa da Edelsa pelas 17:15 horas. O Ramon levou-me ao aeroporto. Paguei 15$ de taxa de aeroporto.

Partida de Havana para Lisboa, também com a Cubana, pelas 19:45 horas.

>> 29.8.1996 >> Chegada a Lisboa.

Despesas = 554$, mais cerca de 125.000$00 pela viagem, mais o visto=3.400$00.

Transportes em La Habana

Os transportes urbanos eram poucos e maus, salvo os táxis para turistas, pagos em dólares.

Os autocarros eram velhos, com frequentes avarias. Por isso havia bichas intermináveis para ir a qualquer parte da cidade. Autorizaram os carros particulares a fazer de táxi colectivo, isto é, iam metendo passageiros e, à medida que saía um, entrava outro. Percorriam a cidade, com letreiro para onde iam ou com o pregão do chauffeur. Andavam quase sempre a abarrotar, levando mais que a lotação normal. Eram baratos, 3 a 5 pesos por pessoa. Havia um ou outro carro da União Soviética: Moscovitch ou Lada, mas estas marcas eram mais usadas por particulares. Os mais utilizados a fazer de táxi eram os velhos Ford. Havia alguns bem conservados, outros, a maioria, já acusavam a velhice. Mas lá circulavam por todo o lado. Eram bonitos. Por isso, alguns americanos vieram a Cuba comprar vários. Tiveram azar porque o governo cubano não deixou sair de Cuba os carros, considerando-os de interesse público, impedindo, assim, os negócios chorudos que os americanos pretendiam fazer com a revenda nos EUA.

carro Ford antigo

Carro Ford antigo nas ruas de La Habana

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Alguém se lembrou de utilizar nos transportes públicos urbanos os «camellos». Eram dois grandes autocarros ligados, com desnível de um para o outro, parecendo ter uma bossa como camelos. Estes levavam muita gente, esgotando as bichas. O problema nestes camelos eram os roubos, sobretudo por parte de negros, que aproveitavam os apertos para lhes facilitar a arte. O M-3 e o M-2 serviam o Vedado. Apanhei-o algumas vezes o M-3 e uma vez fui ao Rincón de San Lázaro no M-2.

Enfim, se o problema dos transportes não ficou resolvido totalmente, melhorou muito.

Havia também quem usasse bicicletas com um atrelado para duas pessoas, tipo rikchó. Para ir à Habana Vieja cobravam dois dólares.

Os autocarros para turistas eram razoáveis. Houve uma altura em que renovaram a frota de turismo urbano e também inter-cidades. Era difícil ter lugar para viajar para Santa Clara, Varedero ou outra cidade, pagando em pesos. Passou a haver autocarros novos pagos em dólares.

Pagavam-se 15 dólares para ir para Santa Clara ou Varadero e havia quase sempre lugar. Os cubanos também os poderiam utilizar, desde que pagassem em dólares.

Espanhóis e canadianos contribuíram para melhorar os transportes, com a oferta de autocarros em segunda mão. Podiam ver-se a circular autocarros escolares canadianos, de cor amarela às riscas pretas, ainda com as palavras da origem. Apanhei alguns em Santiago de Cuba.

Para ir de La Habana Viega a La Regla, povoação do lado de lá dum braço de mar, onde se venerava a virgem de La Regla, utilizavam uma espécie de cacilheiro – la lancha –, que mais parecia uma plataforma de um rés-do-chão de um prédio, com uma parede de chapa à volta, já centenário. Apanhei-o algumas vezes para ir à capela da Virgem. Metro não havia.

E ainda nos queixamos nós dos nossos transportes públicos!

Noutros lugares, como para ir de Santa Clara para Caibarien ou Cayo Largo, usavam camiões de carroceria de chapa, com acrescentos em madeira. E lá seguia. Até apanhei um para ir à praia. O mesmo tipo de transporte se usava em Havana para ir à praia de Santa Maria, uns 20 quilómetros depois do túnel da baía. Tentei apanhar um mas não me deixaram, por ser estrangeiro.


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1996


12.ª Viagem a Cuba – Entre 25 de Outubro e 3 de Novembro de 1996

Tratada pela Agência Abreu


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>> 25.10.1996 >> Partida de Lisboa para Caracas na Viasa. Segui depois para La Habana. Fiquei na mulata amiga do Ramón. A Libera foi lá ter comigo. Fomos até ao Malecón e passeámos pela Av. de Los Presidentes.

26 de Outubro a 1 de Novembro – A minha vida habitual em La Habana.

Em 29.10 mudei-me para casa da Edelsa. Nesta viagem conheci várias moças, algumas delas boas raparigas, sérias, entre as quais destaco a Yaniluz, bióloga, a Niurka e a enfermeira Yéni. Foi nesta viagem que conheci a Yudi (Yudiélkis) junto do mini-mercado Focsa. Tive amores com ela e haveria de a visitar mais tarde em sua casa em La Rueda, junto de Ciego de Ávila.

A Libera na Av. de los Presidentes

A Libera na Avenida de los Presidentes

A Niurka em casa da Edelsa

A enfermeira Yéni no quarto da Edelsa

A enfermeira Yéni no quarto da Edelsa

A Niurka em casa da Edelsa

Franklim com a Yudi

Franklim com a Yudi

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>> 2.11.1996 >> Saída de La Habana com a Viasa para Caracas pelas 11:45 horas. Dormi no hotel Melia Caribe perto do aeroporto, em La Guaira.

>> 3.11.1996 >> Saída de Caracas para Lisboa na Viasa pelas 20:00 horas.

Gastos: Visas = 3.400$+ 5.300$; Viagem = cerca de 125.000$00.

Curiosidades

A minha vida em La Habana era a seguinte: No Vedado ficava o cine Yara, mesmo do lado de lá da rua frente ao hotel Habana Libre. Os bilhetes eram muito baratos. Por isso, havia bichas para se entrar. Fui lá uma vez ver «O Profissional» e um ou outro filme mais. Entrei e paguei como cubano em pesos. O mesmo aconteceu em Santa Clara, no cine Camilo, onde vi alguns filmes. Parava muito junto do cine Yara, onde havia dois vendedores de livros usados, e aí comprei alguns a preços muito baixos, entre os quais o Diccionario de La Literatura Cubana; Historia de Cuba, de Fernando Portuano; Magallanes, de Stefan Zweig; Por Quien Doblan Las Campanas e Adiós a Las Armas, ambos de Ernest Hemingway; El Amor en los Tiempos del Cólera, Crónica de una Muerte Anunciada e Cien Años de Soledad,todos de Gabriel Garcia Márquez; El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha e Novelas Ejemplares, ambos de Miguel de Cervantes Saavedra; El Acoso, de Alejandro Carpentier; La Novela Pastoril Española, de Jorge de Montemayor(o portugês Jorge de Montemor) y Gaspar Gil Polo; Dos Novelas, de Carlos Enriquez; e um ou outro mais.

Em frente ao Fidel havia um pequeno hotel. Fui uma vez com o Fidel e esposa a uma sessão de boleros no último piso desse hotel. A cantante dedicou-me um bolero.

Para além de assistir a missas em igrejas católicas, assisti a um acto religioso dos protestantes metodistas num templo no Vedado e também assisti a um acto religioso judaico numa sinagoga. No claustro da igreja del Carmel assisti a danças galegas por um grupo local.

Em Santa Clara assisti a um torneio de basebol. É um desporto apreciado pelos cubanos, por influência americana, mais que o futebol. Vi uma ou outra manifestação dos vencedores de basebol em La Habana. Creio que eram os Santiagueros. De futebol não se falava e não conheci nenhuma equipa.

Em frente da Edelsa, na Rampa, havia um edifício que parecia inacabado, onde faziam exposições de artesanato. Visitei algumas dessas exposições.

Assisti a desfiles de Carnaval, semanas da gastronomia, manifestações artísticas e desfiles de carros antigos, tudo isto no Malecón. Em Varadero havia bancadas num parque ao lado da Av. principal para assistirem aos carnavais, a imitação do Rio de Janeiro. Isto é, não falhava eventos culturais e sociais.

Mesmo em frente do cine Yara ficava um jardim onde se situava a Copélia, gelataria repartida por vários locais do jardim, onde aguardava em grandes bichas para comer um gelado. Era bom.
Passeava pela Rampa até ao Malecón ou até à Av. de los Presidentes ou mesmo até ao terminal de autocarros, para lá dos Ministérios, e também à volta do quarteirão entre o cine Yara e o Malecón. Uma ou outra vez ia a pé até ao mercado da Riviera. Aí comprei duas caixas próprias para guardar charutos, alguns quadros, umas maracas, um prato de cobre, etc.

Por vezes ia também a pé até à Habana Viega, quer pela calle Neptuno, quer pela beira-mar, fazendo uns bons cinco quilómetros. Numa dessas caminhadas à beira-mar vi sentada no muro uma pessoa que me parecia ser uma moça com um seio quase à mostra. Apontei o dedo ao seio como se lhe fosse espetar uma farpa. Então não é que era um travesti! Também havia disso por Cuba. Vá lá que não se queixou e disse que era um travesti. Continuei o meu caminho.

Fui algumas vezes a La Regla e uma vez fui ao Rincón de San Lázaro, lugares sagrados que foram visitados pelo Papa João Paulo II, quando se deslocou a Cuba em finais de Janeiro de 1998.

Sentava-me muitas vezes num banco de jardim junto à Avenida de los Presidentes, no murito em frente às Companhias de aviação (Ibéria, Cubana de Aviación, Mexicana de Aviación, Viasa, etc.) na Rampa, no murito da cascadita, no passeio em frente da minha casa, na parada dos guaguas, a fazer palavras cruzadas, a ler o Gramma ou um jornal humorístico, ou no muro do Malecón, sobretudo à noite. No Malecón havia um ou outro pescador caseiro, mas que sempre ia apanhando uns peixes. Alguém pintou a imagem da Virgem numa rocha dentro do mar. Nunca a vi submersa. Até parecia milagre.

Conversava com as moças e famílias cubanas nesses lugares. Assim, conheci centenas de moças e muitos cubanos, a vida que levavam e as dificuldades por que passavam. Raramente falávamos de política, mas, mesmo assim, encontrei gente pró-regime e gente adversa do regime.

Fui convidado a entrar nalgumas casas, mas não muitas. Talvez não gostassem que lhes vissem a pobreza em que viviam, incluindo as deficiências das habitações, a começar pelo exterior a necessitar de arranjos e pinturas. Quem morava na Rampa, como a Edelsa, e Av. de Los Presidentes, como a mulata dos camarões, tinha melhores casas ou até vivendas, embora já a precisar de obras. Devem-nas ter ocupado aquando da Revolução e com a fuga dos proprietários. Quando alguém sai para o estrangeiro perde a casa para o Estado. Foi o que aconteceu com a casa da Zoila em Varadero, quando ela, filha Bárbara e netas Yanélis e Mairélis saíram para Miami, onde vivia outra sua filha.

A resignação dos cubanos perante a vida traduzia-se na expressão: «Se lucha, se lucha!», quando lhes perguntava como iam na vida ou nos negócios. Com efeito a vida é uma luta constante e, para os cubanos, a luta era bem mais dura. Por isso, compreendia os seus desenrascanços e a forma como deitavam mão de todos os meios para ganharem uns pesos.

Frente à minha casa ficava a Prensa Latina, onde um dia vi o nosso ministro da Economia Pina Moura com o presidente Fidel.

(Fim da Etapa 50.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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