A coesão territorial

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Esta segunda-feira o primeiro-ministro, António Costa, assinalou os primeiros 100 dias do Executivo em Bragança e aproveitou para anunciar que a cidade receberá a 27 de Fevereiro o primeiro Conselho de Ministros descentralizado. A reunião de trabalho servirá para anunciar um conjunto de medidas que, considera, criarão melhores condições para o desenvolvimento do chamado Interior.

Programa Nacional para a Coesão Territorial

Programa Nacional para a Coesão Territorial

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É um erro enorme pensar que desenvolver as cidades do Interior é solução para o restante território

Escrevo esta crónica numa altura em que ainda nada sei sobre o que irá ser aprovado, mas, confesso, divido-me entre um sentimento de esperança e um sentimento de descrença.

Esperança, por um lado, porque parecendo já ter batido no fundo, quaisquer medidas que venham a ser adotadas só podem ser para melhor.

Descrença porque, depois de tantas boas intenções, temo que, mais uma vez, se apregoem milagres que, na prática mais não são que ilusões e poeira deitada para os olhos dos habitantes e investidores das regiões a que se destinam.

A ver vamos, mas aqui deixo uma nota que venho repetindo há anos.

Quando ouço falar de desenvolvimento do Interior temo sempre que tal signifique, antes do mais, o reforçar do papel que cidades como Guarda, Covilhã, Castelo Branco ou Fundão desempenham nas dinâmicas de desenvolvimento do Interior, porque é um erro enorme pensar que cidades médias desenvolvidas são solução bastante para o restante território.

Sem uma lógica de funcionamento em rede dos diferentes Centros Urbanos (Regionais, Estruturantes e Complementares), acentuar-se-ão as situações de exclusão territorial no Interior.

Hoje aquelas cidades já estão num patamar de desenvolvimento que nada tem a ver com os restantes centros urbanos e, mesmo para os Concelhos de que são sede.

Não compreender isto e continuar a canalizar os investimentos para aquelas cidades só vai acentuar o declínio dos restantes territórios da Beira Interior.

A ver vamos se não é isso que vai resultar das decisões a tomar em Bragança no primeiro Conselho de Ministros descentralizado desta legislatura.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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