Viagens que aconselho aos leitores do Capeia (4)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Durante quatro semanas estou a aconselhar viagens que deviam ser feitas pelo menos uma vez na vida. Seleccionei vários países adaptados às preferências acima expostas, partindo do princípio que cada país tem a sua beleza. Poderão ainda ler o que venho escrevendo sobre as minhas viagens nos mais diversos países desde há um ano aqui no Capeia Arraiana.
>> Parte 4 de 4 >> ÁSIA e AUSTRÁLIA

Mapa da Ásia e Austrália

Mapa da Ásia e Austrália


VIAGENS QUE ACONSELHO AOS LEITORES DO CAPEIA ARRAIANA

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ÁSIA e AUSTRÁLIA


Parte 4 de 4

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Alongue a sua vista para a Ásia. Aconselho uma viagem a…

>> 27 – ÍNDIA – >> País de contrastes, de costumes e vida exóticos, de religião hindu, embora haja muitos muçulmanos e também siks, com uma filosofia de vida muito diferente da ocidental, de grandes urbes, como Nova Delhi ou Bombaím, com multidões nas ruas, multicores de turbantes de muçulmanos e siks, de muitos monumentos dos séculos XVII e XVIII, da época mongol (ou mogol) na região de Nova Delhi, Agra, com o seu famoso forte e Taj Mahal, Xatapur Sikri e Amber. Templos hindús antigos e modernos encontrá-los-à por todo o lado, sobretudo no Golfo de Bengala, em Chennai (antiga Madras), Bangalore e Mysore. Dê um salto a Amritsar e veja o Templo Dourado dos Siks. Poderá visitar os grandes palácios dos marajás em cidades como Amber e Jaipur. Quer montanhas, vá até ao Ladak no norte, na fronteira com o Nepal. Até pode dar um salto a Goa, Damão ou Diu, para matar saudades da época colonial portuguesa, onde encontrará ainda algumas pessoas a falar Português e onde pode visitar as igrejas deixadas lá pelos portugueses e que são Património da Humanidade, como a igreja de São Caetano, e Basílica do Bom Jesus, onde se encontra o túmulo de São Francisco Xavier. Rios largos e caudalosos, como o Ganges, o Indo e o Bramaputra e também o Zuari e o Mandovi em Goa esperam-no. Vá até Benares (ou Varanasi), onde verá muita gente banhar-se nas águas sagradas do Ganges. A vida é muito barata.
A moeda é a rupia indiana.

Dê um salto ao Caxemira e hospede-se num barco-hotel dentro dum lago em Srinagar.

Templo hindu de Mysore

Palácio de Mysore

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Siga até ao Sri Lanka, antigo Ceilão, e visite o mosteiro dos budas em Dambulla debaixo dum enorme rochedo, as ruínas de Polonaruwa, capital dos reinos Chola e Cingalês, abandonada no séc. XIII e redescoberta pelos ingleses no séc. XIX, e Sigiryia, capital do Sri Lanka no séc. V, no alto dum monte de cerca de 370 metros com sua escadaria em metal de centenas de degraus. Aí pode apreciar a irrigação por canais construídos nessa época. É Património Mundial da Unesco. Kandi, coração do budismo, onde é venerado um seu dente, merece uma visita.
A moeda é a rupia do Sri Lanka.

Rochedos de Sigiryia no Sri Lanka

Rochedos de Sigiryia no Sri Lanka

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>> 28 – NEPAL – >> Poderá ver numa única viagem, conjuntamente com a Índia. Poderá fazer aí ski e alpinismo, ajudado pelos sherpas. É no Nepal que se situa o monte Everest, o mais alto do mundo, fazendo parte dos Himalaias. Poderá visitar santuários hindus e budistas num bairro antigo de Katmandu, a capital, encontrará muitos templos hindus, sobretudo em Patan e até pode ver a deusa viva, Kumari, encarnação da deusa Durga ou Taleju, uma menina que deixa de incarnar a deusa quando tiver a primeira menstruação. Foi na cidade de Lambini que nasceu Sidarta Gautama, o Buda. Visite ainda a cidade medieval de Bhaktapur e Pashupatinath, o lugar mais sagrado de peregrinação hindu com seus templos e crematórios. Merece uma visita também o templo budista tibetano Bodinath stupa.
A vida é barata.
A moeda é a rupia nepalesa.

templo de Patan

Templo de Patan

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>> 29 – PAKISTAN – >> Com aldeias típicas, como Darra, onde se fabrica de modo caseiro todo o tipo de armas. O Khyber Pass, na fronteira com o Afeganistão, revela-lhe as cavernas dentro da montanha onde se escondeu Bin Laden. Lahore, com o forte e monumentos do tempo dos Mongóis, é digna de visita. É um país muçulmano de maioria sunita, embora se encontrem minorias xiitas e hindus. A vida é barata. Tal como a Índia, é um país muito populoso.
A moeda é a rupia paquistanesa.

Templo de Lahore

Forte de Lahore

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>> 30 – CHINA – >> País imenso, de civilizações ancestrais, cheio de montanhas, com a Grande Muralha a perder de vista, com cidades muito populosas, como Pequim e Xangai. Visite o mercado de Pequim, onde encontrará cães e cobrinhas à venda, e admire os milhares de ciclistas que circulam nas largas avenidas de Pequim. Não deixe de visitar a Praça de Tian‘anmen com a Cidade Proibida, o antigo palácio dos imperadores. Admire as centenas de estátuas dos guerreiros de Xian. Vá-se treinando a comer com os tradicionais pauzinhos, se pretende ir a pequenos restaurantes. Agora terá de deixar passar o coronavírus.

Cidade Proibida em Pequim

Cidade Proibida em Pequim

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Vá até Macau e mate saudades do tempo dos portugueses. Entre no Casino-Hotel Lisboa e jogue um pouquinho. Não deixe de visitar a fachada das ruínas da igreja de São Paulo. Vá de jet-foil até Hong Kong, onde pode fazer compras de relógios, máquinas fotográficas e colares de pérolas. Admire os altos edifícios e visite o jardim propriedade do inventor do bálsamo do tigre vermelho.

Faça um tour até ao Tibete, visitando Lhasa com os seus numerosos mosteiros budistas em madeira plena de pinturas, a começar pelo Potala, e poderá ter contacto com a medicina tibetana. Viaje de autocarro pelo cimo das montanhas até Xigantsé e admire as alturas dos Himalaias e os rios a correr em profundezas. Nalguns prados poderá ver o quase sagrado de tão vital animal do Tibete, o iaque, que tem uma estátua numa avenida de Lhasa. Aí terá neve com fartura e poderá fazer alpinismo.

Palácio Potala

Palácio Potala

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>> 31 – JAPÃO – >> País do sol nascente, de gente trabalhadora, com a altíssima torre de Tokyo e um ou outro templo xintoísta, de grandes avenidas sobrepostas e edifícios altíssimos. Um país que foi na sua maioria destruído na Grande Guerra, mostra-lhe o dinamismo das suas gentes que reconstruíu o país e o tornou uma potência industrial, a começar pela indústria automóvel e acabar na dos rádios, televisores e computadores. A vida é cara.
A moeda é o yene.

Torre do Tóquio

Torre do Tóquio

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>> 32 – VIETNAME – >> Terra de gente tenaz que levou de vencida os colonialistas americanos. País muito populoso, onde ainda são visíveis os estragos causados pela guerra civil de Hanói (Vietnam do Norte) contra Saigão, hoje Ho Chi Min (Vietnam do Sul). São típicos os seus chapéus. Visite Cu Chi e admire as covas sobrepostas, escavadas numa floresta a 23 quilómetros de Saigão, maravilha de gente determinada a ser livre. Era nelas que se escondiam os vietcongues. Pode fazer umas compras de toalhas de mesa e outros bordados em Hanói. Também poderá adquirir quadros em nácar em Saigão. A ortografia romanizada ajuda-o a compreender algumas palavras. A vida é barata.
A moeda é o dong.

Mulher com o típico chapéu num mercado no Vietnam

Mulher com o típico chapéu num mercado no Vietnam

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>> 33 – CAMBODJA – >> Terra destruída pelos Kmers Vermelhos de Pol Pot. Na capital, Phnom Pen, poderá visitar o palácio real. Vá até Siem Reap e visite os templos de Angkor, capital do reino Kmer, iniciados no séc. IX e abandonados em 1430, após saque pelos tailandeses, meio destruídos e escondidos na floresta, recentemente descobertos. Merece visita especial o Templo Angkor Wat, o Tah Prohm e o Ta Son, onde se vêem as grossas raízes das árvores que derrubaram o templo, coisa que seria inacreditável, se não fosse vista. Isso poderá levá-lo a crer que outros monumentos de outras civilizações desapareceram pela mesma razão.
A moeda é o Riel.

Angkor Wat

Templo Angkor Wat

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>> 34 – TAILÂNDIA – >> País de boas praias de água mais que morna, como nas ilhas Phuket ou Pattaya. Perto de Bangkok visite o mercado flutuante e o jardim das orquídeas. Não saia sem visitar o palácio real de Bangkok, em madeira pintada, sobretudo de dourados, e trabalhada. Também pode fazer boas compras de roupa de marca e de relógios.
O bat é a moeda local.

Templo de Chiang Mai na Tailândia

Templo de Chiang Mai na Tailândia

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>> 35 – LAOS – >> Vá até Luang Phrabang por barco rápido desde o Triângulo Dourado, visitando algumas grutas nas margens, como as de Pak Ou, e sinta uns calafrios pelo arrojo da condução do barco. Em Luang Phrabang, antiga capital dourada, cidade de mil templos, entre os quais o Wat Xieng Thong, de 1560, e o Wat Mai, dos finais do séc. XVIII, pode ainda visitar o palácio real. O Laos era constituído por três reinos que foram unificados pelos colonialistas franceses no final do século XIX. Visite a capital Vientianne com vários templos budistas.
A moeda é o kip.

Templo Wat Xieng Thong em Luang Prabang

Templo Wat Xieng Thong em Luang Prabang

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>> 36 – FILIPINAS – >> Visite a capital Manila com o seu forte e o norte da ilha de Luzón, onde poderá ver múmias em cavidades escavadas na montanha e terrazas em Banaué com arrozais, Património da Humanidade. Visite as cataratas de Pagsanjan. O Inglês é uma das línguas oficiais. Tendo sido colónia espanhola, encontrará muitos nomes de família espanhóis, mas já não falam Castelhano. A vida é barata.
A moeda é o peso filipino.

>> 37 – MYANMAR – >> Antiga Birmânia. Visite Bagan com a sua imensidão de stupas e Mandalay, capital do último reino independente em finais do séc. XIX e centro cultural e religioso do budismo na Birmânia, onde poderá visitar pequenas fabriquetas de folhas de ouro para cobrir os templos e também de objectos lacados. Veja o pagode dourado Shewedagon, do séc. VI, com o Buda reclinado em Rangun. Olhe para a cara das mulheres cobertas com um pó amarelado e para um tecido à volta da cintura dos homens, como se fosse uma saia. Os jornais são uma curiosidade, pois a escrita, em letras em forma de argolas, é uma combinação do sânscrito com a escrita páli dos livros sagrados.
A moeda é o quiate.

Poderá agrupar vários países numa só viagem, dependendo do tempo de que dispuser.

A rota dos descobrimentos portugueses, começando pela Índia, Sri Lanka, Malásia com ida a Malaca, ainda com lembranças portuguesas, como a Formosa, a bela porta da fortaleza, e a praça de Lisboa, onde poderá assistir a danças portuguesas e falar com pescadores que ainda falam o papiá cristão, um português já muito estropiado, seguindo até Macau, com um salto a Hong Kong e China ou mesmo até ao Japão, será uma boa ideia se dispuser de um mês a viajar.

Porta do Forte Santiago

Porta «A Formosa» da fortaleza de Malaca

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>> 38 – AUSTRÁLIA E NOVA ZELÂNDIA – >> Dois países que poderão constituir uma só viagem. Na Austrália, não deixe de visitar Sidney, com a sua Ópera. Vá até Ayers Rock e suba os montes Uluru. Visite uma quinta de cangurus em Melbourne. Certamente, encontrará também alguns kwalas. Mergulhe nas águas da barreira dos corais em Cairns, no norte. Talvez não seja a melhor altura para visitar este país, dados os imensos fogos que recentemente o devastaram.
A moeda é o dólar australiano.

Ópera de Sidney

Ópera de Sidney

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Na Nova Zelândia aconselho-o a visitar Rotorua, zona de forte cultura Maori, com geisers, e Waitomo com a sua gruta cheia de milhões de pirilampos.
A moeda é o dólar neozelandês.

Gruta de Waitomo

Gruta de Waitomo

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>> 39 – ILHAS POLINÉSIAS – >> Se quer isolamento num ambiente exótico vá até à Polinésia Francesa, nomeadamente às ilhas de Tahiti e Bora Bora. É uma viagem cara e a vida lá é também cara.

Resort em Bora Bora

Resort em Bora Bora

Outras rotas poderia seguir, mas não as posso aconselhar, por não as ter visitado. Apenas as conheço pela televisão. Seria o caso da Irlanda, do Irão, do Sudão com suas pirâmides, da África do Sul e do Quénia, com seus safaris, e muitos outros países de África, incluindo as nossas antigas colónias de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé, não esquecendo a cidade de Tombuctu no Mali.

Também poderá fazer a rota dos descobrimentos portugueses na costa de África.

Gostaria de o acompanhar. Boa viagem!

(Parte 4 de 4.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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