Águas Belas – Os cemitérios

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Hesitei em escrever sobre os cemitérios. Por respeito, certamente, como se uma necessidade de silêncio me obrigasse a isso. Mas, há dados históricos e outros aspetos que gostaria de referir…

O cemitério novo em Águas Belas

O cemitério novo em Águas Belas

.
Cemitério novo em terreno doado pela D. Emília Saldanha

O primeiro cemitério foi dentro da igreja, era assim há muitos anos. Quando essa prática de enterramento nas igrejas foi proibida, no século XIX, fizeram um cemitério contíguo à igreja, em 1878, e trasladaram para lá os ossos que encontraram. Recordo, quando era miúda, de ouvir, a pessoas de idade, dizer que se lembravam de ouvir falar disso.

Este segundo cemitério é pequeno e sem a ordenação devida; havia um sítio para os «anjinhos», bebés e crianças, logo, à entrada, de ambos os lados do portão, e o restante espaço era ocupado com sepulturas de adultos. Normalmente, cada família guardava as campas de familiares, para aí enterrar outras pessoas da família – mas nem sempre isso era possível, por terem decorrido poucos anos. Nesse caso, era aberta uma das sepulturas mais antigas.

Parecia haver sempre lugar. Só, quando se começaram a colocar campas e a junta de freguesia começou a vender o terreno das mesmas, já nos anos oitenta, o espaço foi diminuindo, até ao ponto de não haver nenhum lugar livre.

Construiu-se, então, um cemitério novo, o terceiro, muito perto do antigo, num terreno doado pela D. Emília Saldanha que inclui também o parque das merendas, o parque infantil e os edifícios da junta de freguesia. É grande e cumpre as regras para a construção de cemitérios desta dimensão: muros altos, um portão de ferro; uma ala central empedrada, com uma mesa em pedra; dois campos de enterramento, com tabuletas numeradas; um passeio interior à volta do muro…

Quero realçar a importância que teve para toda a gente a preservação de ambos os cemitérios. Aqui, o novo não substituiu o já existente: quem deseja ir para o cemitério novo, onde há muito espaço, vai; quem deseja ficar no cemitério antigo, em campas de familiares, pode fazê-lo. Ainda bem que pode ser assim.

:: ::
«A minha terra é Águas Belas», crónica de Maria Rosa Afonso

Deixar uma resposta