Águas Belas – A capela de São Sebastião

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

A capela de São Sebastião, em Águas Belas, é mais do que o edifício religioso, é também o Largo, o lugar, onde muitas pessoas vão (quando há gente) para conversar e conviver. Há sempre lugar, sol ou sombra, seja no banco à volta da capela, seja nas escadas de casas desabitadas, como as da casa paroquial, viradas para esse Largo.

Capela de São Sebastião em Águas Belas no concelho do Sabugal

Capela de São Sebastião em Águas Belas no concelho do Sabugal

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Dia de São Sebastião comemora-se a 20 de Janeiro

A capela é em honra de São Sebastião e fica ao cimo do povo. Não tem nenhuma data, mas sabe-se que, no século XVIII, já existia – aparece referida nas «Memórias Paroquiais de 1758». Tem, cada ano, um mordomo que toma conta de todos os assuntos, tanto os relacionados com o Santo como com o uso da capela.

A 20 de janeiro, dia de São Sebastião, celebra-se, aí, uma missa, em sua honra; dias antes, é pedida a esmola. Antigamente, pedia-se a «janeira», dada em géneros, que o mordomo colocava, no banco da capela ou numa mesa, para ser arrematada, depois da missa. Partia-se de um valor inicial, havia vários lances e era entregue a quem fizesse o último.

Na capela, já não fazem o velório das pessoas que morrem (agora, é na igreja), o que aconteceu durante algum tempo, quando os mortais deixaram de ser velados em casa. Mas continua a fazer-se a novena.

Também, compõem e abrem a porta da capela, quando há procissões: na Páscoa, no Corpo de Deus e nos dias de festa. Na procissão, o mordomo, ou alguém a quem ele pede, vai tocando a sineta, num toque lento – dlim…, dlim…, dlim… – sem pausas. Toca-se, desde que se começa a ver o pálio com o senhor padre, no final da rua da Carreira, até que a procissão dá a volta e desaparece, pela rua do Meio.

Há poucos anos, a capela teve grandes obras de beneficiação. No interior: chão, paredes, altar, bancos, objetos de decoração… No exterior: pintura, painel com São Sebastião e vitrine para informações. As obras foram realizadas com o contributo do povo, mas graças à iniciativa e ao empenho do mordomo da altura.

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«A minha terra é Águas Belas», crónica de Maria Rosa Afonso

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