Minha amada solidão

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Melancólica e triste é a minha alma, é a sua maneira de ser, ensinou-me que a má ambição é um vazio onde a inquietação e a angústia reinam cruelmente.

Minha amada solidão

Minha amada solidão

Deixem-me só com os meus livros…

Só, deixem-me só! Sem a solidão, o sonho e a tristeza seria um ser abjecto, deixem-me estar acompanhado com a minha intimidade e com as cores e os sons da Natureza, deixem-me caminhar dia e noite na obscuridade onde ninguém me conheça, não quero ouvir gritos de vitória, nem lamentos de derrota, não quero ouvir gemidos de dor nem gargalhadas de alegria, quero a solidão que me protege de mim próprio e da falsidade do Mundo. Deixem-me só com os meus livros, autênticas crónicas da infelicidade humana.

A vida não é só desespero nem sangue, mas eu vejo na solidão um guia, uma luz que está afastada do Mundo, mas verdadeiramente é o Centro desse Mundo! Por isso a minha solidão é tão povoada, mas nela não cabem os manipuladores, os que manipulam mental e psicologicamente o Homem, dizendo-lhe que a vida tem de ser vivida como se fosse um permanente bacanal. Estes, nunca aprenderam a viver com eles próprios, não conhecem as riquezas do espírito.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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