O fim de um carrasco

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Vou começar este ano de 2020 escrevendo sobre uma figura sinistra da História do Século XX. É ela – Lavrent Pavlovich Béria – chefe da polícia política e um fiel servidor do terror de Estaline. Na conferência de Ialta em 1945, Roosevelt perguntou a Estaline quem era aquela figura, Estaline respondeu-lhe: «É o Béria, o meu Himmler.»

Lavrenti Pavlovitch Beria - executor do Grande Expurgo de Estaline na década de 1930

Lavrenti Pavlovitch Beria – executor do «Grande Expurgo de Estaline» na década de 1930

Lavrent Pavlovich Béria foi chefe da polícia política de Estaline

Béria foi um dos que mais rejubilou com a morte de Estaline porque pensava que na próxima «purga» seria ele uma das vítimas. Não se livra portanto da suspeita de o ter envenenado, mas daqueles que o serviram, nenhum teria a coragem de o matar, portanto, a tese do assassinato cai pela base.

Depois da morte de Estaline começa uma luta tremenda pela sua sucessão, havia três candidatos: Malenkov, Béria e Molotov, mas quem lhe sucedeu não foi nenhum deles, foi um mais astuto, Nikita Kruschov que era Secretário do Comité Central do PCUS. Béria manteve-se dentro do Ministério do Interior no cargo que já ocupava, substituindo as chefias por homens da sua confiança e começando a dar uma imagem de «moderado», falava nos «erros» do passado, e inclusivé mandou parar o processo que era conhecido pelos «médicos assassinos» processo aberto por Estaline contra os principais médicos do Kremlin, acusando-os de espiões que queriam matar os líderes soviéticos, como a maior parte eram judeus, tudo não passava de um anti-semitismo coordenado por Estaline. Este, segunda consta andava paranóico de todo.

Mas o grande problema desta imagem de «moderado» que Béria queria dar dele próprio, principalmente para o exterior, poderia vir comprometer muitos dos seus camaradas que também tinham cometido muitos crimes, convinha portanto que não se mexesse no passado, era necessário eliminar Béria, sabia muito acerca deles! Até que um dia a imprensa soviética num comunicado anunciava a destituição e detenção de Béria com a acusação de «acções criminosas a favor do capitalismo estrangeiro» os seus inimigos no Kremlin aproveitaram a ausência dele na RDA, com o fim de apoiar os lideres comunistas locais a reprimir greves de trabalhadores, apresentando-o como o principal responsável da política estalinista, que era muito impopular nos países de Leste.

Béria foi julgado e condenado à morte por fuzilamento

A queda de Béria não foi o fim de uma orientação política comunista conservadora, mas um golpe contra o aparelho repressivo, já que Béria estava à frente do novo departamento que saiu da fusão do Ministério de Segurança do Estado, com o Ministério do Interior, o julgamento de Béria foi a última «purga» do tipo Estalinista.

Vamos ler o que o Marechal Jukov disse do fuzilamento de Béria, depois de ter confessado todos os seus crimes: «Depois do julgamento, Béria foi fuzilado (…) comportou-se muito mal durante o fuzilamento, como o maior dos cobardes, chorou histericamente, pôs-se de joelhos e, por fim borrou-se todo. Resumindo, viveu como um animal e morreu de forma ainda mais animalesca.»

Convém dizer que os seus assessores também foram fuzilados.

Agora digo eu, em ditadura quem com ferros mata, com ferros morre. Em Democracia, quem trai, um dia é traído.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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