Ecos de 155 Anos do Diário de Notícias

Isidro Alves Candeias - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

O jornal Diário de Notícias comemora hoje 155 anos de existência. A primeira edição saiu na quinta-feira, 29 de Dezembro de 1864. Ainda não adquiri o número saído hoje, mas a efeméride faz-me recuar a edições anteriores, das quais destaco quatro, a saber…

Primeira edição do Diário de Notícias sob a direcção do  jornalista e escritor Eduardo Coelho

Primeira edição do Diário de Notícias sob a direcção do jornalista e escritor Eduardo Coelho

Andava pelos meus 13 ou 14 anos e deslocava-me, sozinho, da Colónia Agrícola de Pégões (Núcleo das Figueiras), concelho do Montijo, para Lisboa. Utilizava os Transportes Públicos, os autocarros da empresa João Cândido Belo até ao Montijo ou até ao Barreiro, de onde apanhava Barco para Lisboa, Estação Sul-Sueste, ou outro Cais ali perto, consoante se tratasse de Barco do Barreiro ou do Montijo para ser observado e tratado no Hospital de São José, em regime pós-operatório, ao cotovelo esquerdo, intervencionado na sequência de uma queda.

Numa dessas deslocações, em quiosque existente na Praça do Comércio, vulgo Terreiro do Paço, junto às Ruas do Arsenal e do Ouro ou a um ardina, que por ali passava (sei que foi por aqueles lados) comprei um jornal, que penso tenha sido o Diário de Notícias.

De quanto terei lido no mesmo, decorridas, que são, seis décadas, retenho apenas duas quadras, que jamais esqueci e ora reproduzo:

Entre nós, os Portugueses,
Há uma mania agora:
O pior fica para nós
E o bom mandamos para fora.

Ouvimos para aí fadistas
Muito maus o ano inteiro.
A Amália, que canta bem,
Anda a cantar p’lo estrangeiro.

E, de facto, andava.

Amália Rodrigues no Olympia de Paris

Amália Rodrigues no Olympia de Paris

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Amália no Olympia de Paris

O não encontrar, agora, naturalmente, as quadras na internet cria-me um problema de consciência: o de as conhecer, guardar e calar.

Por isso, aqui as trago, quando e porque se comemora o centenário do nascimento de Amália Rodrigues.

De 1960 para cá muitíssimas mais vezes comprei o Diário de Notícias, mas sucedia e sucede com esse periódico o que sucedia e sucede com tantos outros. Compra-se, lê-se, fazem as palavras cruzadas (bom vício, que aprendi e adquiri com o Sr. Carlos Pereira, do Grémio do Sabugal, um «expert» na matéria) e deposita-se no lixo, agora no eco-ponto.

Há, porém, um ou outro exemplar que calam mais fundo no nosso ser e lembrança, por um ou outro motivo de particular interesse e, por isso, os recordamos passados anos, como é o caso do acima referido, com aquelas singelas quadras, não sei de quem, de reconhecimento ao valor, já então, da incomparável Amália.

Estão nesse caso mais três exemplares, do referido matutino, cuja compra se impunha e aqui também trago.

Desde logo o exemplar do centenário do jornal, de dezembro de 1964, que adquiri na loja da Viúva Monteiro, conhecida por «Depósito», quando, entretanto regressado de Pégões, já me encontrava no Sabugal, a frequentar o Colégio.

Capa da edição centenária do Diário de Notícias

Capa da edição centenária do Diário de Notícias

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Diário de Notícias – Suplemento do Centenário

O exemplar do centenário, ao habitual preço de um escudo, era composto por cadernos e mais cadernos, sobre os mais diversos domínios, de que é exemplo o «Suplemento» da imagem.

Forneceu leitura para uns bons dias, quiçá semanas e alguns cadernos, de maior erudição ou de especial motivação, foram durando o maior tempo possível.

É que, não é todos os dias, semanas, meses, anos ou mesmo décadas que somos bafejados com uma literatura jornalística tão rica e a tão baixo custo.

Também de referir a edição dos 150 Anos – jornal de 144 páginas mais a edição do dia, de 29 de dezembro de 2014, que adquiri e ainda guardo, com textos originais e reportagens históricas, reproduzindo ainda, em quatro extensas páginas, preciosidade do «número 1, Programma, quinta-feira, 29 de Dezembro, 1864», que dá gosto ler e saborear, pela apresentação de notícias, nacionais e estrangeiras, todas elas, simples, aparentemente genuínas e duma tal trivialidade, que hoje não seriam notícias de jornal.

Reporto-me, finalmente, seguindo o calendário das aquisições, ao exemplar do mesmo Diário de Notícias, de 3 de agosto do ano em curso, já na saída, em formato de papel, de jornal semanário, não obstante a continuação da designação, cujo mérito da minha aquisição cabe ao «Capeia Arraiana», que, na sua edição de 4 de agosto, em «Hoje destacamos», de jcl, divulgou o artigo da jornalista Valentina Rodrigues no referido Diário de Notícias, consistente em reportagem dedicada aos «meninos de ouro, que vão ser os três primeiros oficiais generais da GNR».

Entre eles o Sr. Coronel António Bogas, natural do Sabugal, Amigo de alguns «combates» e motivações, como Colégio do Sabugal, Casa do Concelho, Confraria do Bucho Raiano e da pronta disponibilidade para o que necessário for, motivação mais que suficiente para a compra do «Diário de Notícias».

«Diário de Notícias» o jornal diário que passou a semanário

«Diário de Notícias» o jornal diário que passou a semanário

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Ecos, crónica de Isidro Candeias

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