Tradições de Natal

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

É certo que o madeiro perdeu regularidade no adro da igreja e o Menino Jesus já não desce pela chaminé, mas há tradições que continuam quase intactas, como a reunião das famílias, o presépio e a missa no dia de Natal.

Presépio na Igreja de Águas Belas

Presépio na Igreja de Águas Belas

Antes, «ir ao madeiro» era um acontecimento para os rapazes novos, que começavam semanas antes a acarretar a lenha. Faziam-no, com um carro de vacas que eles próprios puxavam; iam e vinham, várias vezes, até juntarem a lenha suficiente. Quando começaram a usar o trator, tudo ficou mais fácil, podiam ir o dia atrás ou quase na própria da hora. Depois da lenha junta, empilhavam os troncos, cobriam tudo com giestas e piornos, colocavam pneus velhos, pelo meio, para o lume atear melhor e deitavam-lhe o fogo, lá pela meia. Os mais afoitos ficavam a noite toda junto ao madeiro, na borga. Muitas pessoas iam ao madeiro, não só para ver arder aquela imensa fogueira, mas também para conviverem.

Antes, o Menino Jesus deixava rebuçados, bolachas, laranjas, peças de vestuário, moedinhas… Se era roupa ou calçado, vestia-se logo nesse dia. Era bom ouvir: «Tens umas botas tão bonitas!» E responder: «Foi o Menino Jesus que mas pôs.. Era assim. Agora, o Pai Natal encarrega-se das prendas dos mais novos e em vez do sapatinho na chaminé são os embrulhos coloridos, debaixo da árvore de Natal.

Na igreja, lá está o presépio, muito mais pequeno, mas com igual significado, feito com musgos, heras, um pinheiro e imagens. Começa com a gruta, com o Menino, Nossa Senhora, São José…, e estende-se, com casas, ovelhas, pastores…, a fazer lembrar aquela aldeia da Palestina.

Ninguém falta à missa do Natal, daqui, do Espinhal e da Quinta do Clérigo, enche-se a igreja. Um dos momentos mais emotivo é quando se beija o Menino e se entoam cânticos tradicionais que todos conhecem. Ainda, dentro da igreja ou cá fora, partilham-se desejos sinceros de boas festas. Algo de novo, acontece em cada um de nós. E isto é muito bonito e reconfortante.

Desejo a todos um bom Natal.

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«A minha terra é Águas Belas», crónica de Maria Rosa Afonso

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