População de Águas Belas nos censos

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Os censos realizam-se, periodicamente, desde 1864. Nesse ano, havia na freguesia de Águas Belas 560 residentes; atingimos os 1044 no censo de 1950 e hoje somos apenas 175. Há razões, certamente, a principal é a emigração.

A população da Freguesia de Águas Belas nos censos. Fonte: populacaodesabugal.jimdo.com

A população da Freguesia de Águas Belas nos censos (Fonte: populacaodesabugal.jimdo.com)

O quadro mostra que crescemos até ao censo de 1911, com maior expressão, no censo de 1900, em que houve mais 117 pessoas, 19%; decrescemos, sem grande significado, nas décadas seguintes; voltámos a crescer, de modo assinalável, no censo de 1940, com mais 254 pessoas, 36%; e no censo de 1950, com mais 92 pessoas, 10%.

A partir daqui, decrescemos sempre, com uma enorme expressão, no censo de 1970, em que houve menos 505 pessoas, 50%; no censo de 1981, com menos 99 pessoas, 28%; e nas três décadas seguintes, com números e percentagens significativas.

Em relação ao crescimento da população, ocorrido na última década, do século XIX, pode ter tido a ver com alterações na posse das terras e alguma melhoria na vida de algumas pessoas. Já o que se verificou, nos anos trinta e quarenta, do século XX, é um pouco estranho, porque as condições de vida no país eram más – vivia-se na ditadura do Salazar, foram os anos da guerra civil espanhola e da II Guerra Mundial.

O que pode, porventura, explicar esse facto tem a ver com a extensiva exploração de minérios nos campos, para lá do que era extraído nas minas do Vale de Arca e da Bica (freguesia de Sortelha), onde alguns homens daqui trabalhavam. Quem viveu esses anos, refere que: «O tempo do minério foi uma riqueza.»

Em relação ao decréscimo da população, deve-se à massiva emigração para França, nos anos sessenta e setenta, do século XX, quando saíram famílias inteiras, jovens casais, pais de família e rapazes muito novos para fugirem à guerra colonial. Nas últimas décadas, o decréscimo continuado deve-se, também, a alguma emigração, à persistente falta de condições para se fixarem novos residentes e, sobretudo, à redução da taxa de natalidade.

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«A minha terra é Águas Belas», crónica de Maria Rosa Afonso

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