Ainda as Memórias Paroquiais de 1758…

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Nas referidas memórias, o Marquês de Arronches aparece como a figura tutelar da freguesia de Águas Belas. Referência que se encontra tanto nas respostas que o prior dá ao inquérito de 1758, atribuindo-lhe a posse das terras e da igreja, como na carta de foral do concelho da Vila de Sortelha (pp.225-226), a que pertencemos até 1855.

D. Henrique de Sousa Tavares, 1º Marquês de Arronches. Gravura: wikipédia

D. Henrique de Sousa Tavares, 1.º Marquês de Arronches. Gravura: wikipédia

Na carta de foral do concelho de Sortelha, quando se referem os privilégios municipais e concelhios, é dito que: «Águas Belas. Goza dos privilégios que gozam os caseiros encabeçados do Regedor, Governador e Desembargadores da Suplicação, concedidos por D. Pedro II, Regente em 1677, ao Marquês de Arronches, senhor desta terra, sendo governador do Porto (Águas Belas, c. Sabugal)»; e também, quando se referem os corpos e o oficialato das freguesias e lugares, «Águas Belas. Tem juiz anual espadano ou da vara eleito e aprovado pela câmara de Sortelha, a cujo governo está sujeito…», acrescentando tratar-se de um cargo muito desconsiderado, exercido pelos mais pobres e algumas vezes vago.

Se interpreto bem, a partir de 1677, as famílias que aqui viviam eram «caseiros» que tinham «à cabeça» esse Marquês de Arronches (título criado em 1674), mas em situação diferenciada – já havia pessoas com posses que se esquivavam a exercer o referido cargo.

Numa pesquisa na internet, pude ver que se tratava de 1.º Marquês de Arronches, D. Henrique de Sousa Tavares (1626-1706) – também, 3.º conde de Miranda do Corvo e 28.º senhor da Casa de Sousa – uma vez que as datas são compatíveis. O mesmo não acontece com a referência feita pelo prior, em 1758; neste caso, tratar-se-á do 3.º ou 4.º Marquês de Arronches.

Surgem-me algumas questões: Até quando vai, e de que modo acaba, esta sucessão de heranças que faz das pessoas da freguesia caseiros de um nobre que talvez nem conhecessem? O que significava nesse tempo ser caseiro? Quem intermediava entre o povo e o marquês? Quem eram os privilegiados?

Só uma pesquisa histórica rigorosa, com acesso a fontes fiáveis, poderá clarificar estes aspetos, com interferência clara no que seguiu.

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«A minha terra é Águas Belas», crónica de Maria Rosa Afonso

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