Casteleiro – Eu, ocelense, me confesso…

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

Hoje deu-me para aqui. Trago um tema que para mim é tão pacífico e que nalgumas cabeças em tempos tanta celeuma levantou. Afinal quem somos e de onde viemos? Respondo: eu sei que sou ocelense, basicamente. Leia e veja de onde vem o seu sangue misturado, por favor!

Dos ocelenses até esta igreja: um grande percurso histórico!

Dos ocelenses até esta igreja… um grande percurso histórico!

Celtas, vetões, calaicos,… etc. até aos lusitanos, claro. Sinto-me celta, filho e herdeiro de ocelenses. Sinto-me ocelense. Sei que sou tudo isso misturado no meu sangue e muito mais… Umas gotas de sangue árabe uns séculos depois… Um cheirinho de cada uma das grandes tribos que por aí circularam e, sobretudo, sangue romano: muito sangue romano…

Vamos lá então ao assunto, aqui versado em 2014.

Sinto-me celta

Um dia escrevi que o Casteleiro é filho e herdeiro de ocelenses – um povo que era uma grande mistura.

Sabe que mistura era essa? Repare: na Lusitânia habitavam muitos povos, entre os quais os próprios lusitanos, os calaicos e muitos outros: túrdulos, turdetanos, descendentes de celtas, vetões, ástures etc.

Peguei no mapa dos povos e (sem qualquer preocupação de rigor artístico) procurei desenhar o nosso País actual, a vermelho. E desenhei lá em cima um círculo redondo: para mim (como leio em muitos autores) foi por ali, pelo Norte de Portugal que se acomodaram os celtas. E, ao lado, claro, os vetões. É por aí que me sinto: entre o celta e o vetão.

Mas estas coisas não vão lá por sentimentos.

Somos mistura e nada apaga o essencial...

Somos mistura e nada apaga o essencial…

O grupo social existe ou faz-se?

Como se deveria definir a identidade entre povos? Como nasce a nossa maneira de ser? Que papel têm nisso tudo as questões linguísticas, da filosofia popular, da chamada idiossincrasia colectiva ou mesmo os rituais religiosos e outras práticas ancestrais?

É por aí que quero seguir para pensar na minha gente do Casteleiro e poder compará-la com as outras gentes de outras terras: seja a Norte, seja a Sul.

Eu penso assim:

Quando, há mil ou dois mil anos (claro que foram milhões de anos, mas deixem-me simplificar) as pessoas que foram meus familiares se sentiram escorraçados e por quem, se sentiram apoiados e por quem, quando lutaram ou desperdiçaram o seu sangue e as suas ilusões e com quem e em função de que objectivos e se os conseguiram ou não – foi aí que começaram os comportamentos do meu grupo social, mais tarde repetidos em circunstâncias seguramente diferentes mas com o mesmo resultado: cada vez mais se acentuavam as características desse grupo social de onde provenho.

Identidade, sim

Não é fácil haver identidade de uma casa para a outra. Ou seja: um sentimento de pertença a algo comum. Quanto mais de uma rua para a outra. Ou, pior, de uma aldeia para a outra… Isso é um facto, na mais pura das acepções da palavra identidade: sentir-me igual, ou parecido que seja com o vizinho do lado. Mas temos de acrescentar aqui algo fundamental: a aquisição cultural. O ser humano, ao logo dos milénios, foi percebendo que, tão importante como combater os inimigos foi sempre juntar-se aos que o não eram, mesmo que ainda não fossem ou nunca chegassem sequer a ser amigos. É essa uma das vertentes da lei da sobrevivência. Pura e dura.

Já vai longa a citação. Se quiser (e acho que deve), veja o resto…

Continue a ler… (Aqui.)

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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