Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (46)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 46 >> ROMÉNIA.

Mapa da Roménia

Mapa da Roménia


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

:: ::

1995 / 1996

ROMÉNIA

Viagem pelo Natal à Roménia de 25 de Dezembro de 1995 a 3 de Janeiro de 1996

Curiosidades

Paguei pelos aviões 250 marcos.

:: ::


Resolvi ir visitar em Oradea a Cláudia Ambrus, de 18 anos, com quem me correspondia havia uns tempos. Oradea é a 11.ª cidade da Roménia, no noroeste da Transilvânia, junto à fronteira húngara, onde muita gente ainda fala húngaro. É a capital do condado de Bihor, sendo atravessada pelo rio Crisul. Já havia estado em Oradea em 1969.

>> 25.12.1995 >> Fui de avião da Lufthansa de Lisboa para Munique no dia de Natal pelas 16:00 horas – avião atrasado, depois de passar a consoada com minha mãe e irmãs em Alcobaça, e apanhei outro avião da Lufthansa à pressa para Budapest, onde era o único passageiro. Cheguei pelas 20:10 horas a Budapest, aeroporto Ferihegy. A Cláudia esperava-me com o cunhado, a quem alugara o carro. Fomos de noite de carro para Oradea. A certa altura falhou a gasolina, mas o condutor tinha duas garrafas de dois litros de gasolina cada com ele e resolveu o problema. Paguei-lhe 70 marcos. Na fronteira da Roménia demoraram a deixar passar o carro.

>> 26.12.1995 >> Chegámos às 02:30 horas da manhã a Oradea. Fiquei num rés-do-chão que a Cláudia tinha alugado para mim, perto do centro da cidade. Era um bom apartamento de três assoalhadas, bem aquecido, a ponto de ter de abrir a janela, mesmo com neve lá fora. Troquei 100 D. M.

Curiosidade: era o marco alemão a moeda mais aceite. Pelas 11:00 horas passeei com a Dia (Cláudia) no centro de Oradea. Chovia. Dormi das 14:00 às 16.00 horas. Jantar. Fomos ao Bingo e depois a casa da amiga Dorina. Pelas 22:00 horas fui para casa só. A Dia não quis ficar comigo.

Cláudia em minha casa

Cláudia em minha casa

>> 27.12.1995 >> Pelas 10:30 horas chegou a Dia. Sentia frio nas orelhas mesmo no mercado. Almoçámos num restaurante frente ao Hotel Dacia. Visitámos a irmã da Cláudia. Comprei-lhe um patinho por 10.000 lei(=500$00); 1 escudo=20 lei.

De tarde fomos de carro eléctrico a um hotel termal em Baile Felix, nos arredores de Oradea, a cerca de 10 quilómetros. Aí perto ficava um bonito palácio antigo sede do episcopado greco-católico, com uma estátua equestre em frente. Nevou. Fomos jantar com acompanhamento de orquestra. Realizava-se ali o jantar dos homens do teatro. Paguei 35.000 lei=1.750$00. Pelas 22:15 horas regressei a casa. Antes beijei bem a Cláudia e depois tivemos uma conversa séria.

Franklim com a Cláudia na escadaria do hotel termal em Baile Felix

Franklim com a Cláudia na escadaria do hotel termal em Baile Felix

Franklim frente ao Palácio Episcopal greco-católico de Oradea

Franklim frente ao Palácio Episcopal greco-católico de Oradea

>> 28.12.1995 >> De manhã nevava. Passeei só pelo meio da cidade. Conversei com a Diana e a Lavínia, empregadas dum bar, de 21 anos. Conheci a Carmen, de 19. De tarde parou de nevar. Pelas 16:30 horas veio a Dia. Fomos ao bingo. Jantar ligeiro. Às 21:30 horas fui para casa. Fui tomar café com os donos da casa, Andrei e Andreia. Fui ver se via a Lavínia. Falhou. Casa pelas 23:00 horas.

Franklim numa rua de Oradea cheia de neve, parecendo ter uma árvore de Natal

Franklim numa rua de Oradea cheia de neve, parecendo ter uma árvore de Natal

>> 29.12.1995 >> A Andreia, filha ou neta da dona da casa, de uns 16 anos, veio ao rés-do-chão. Como, entretanto, chegou a Cláudia, a Andreia saiu e perdeu-se o contacto.
Pelas 10:00 horas a Dia veio buscar-me. Ficou tudo esclarecido. Não gostava de mim por ser pouco carinhoso. Fomos passear. Fiquei só pelas 14:00 horas. Conheci a Jouvaa, de 25.

Cláudia, Andreia e irmão em minha casa

Cláudia, Andreia e irmão em minha casa

>> 30.12.1995 >> Nevava. Tinha nevado de noite. Estavam 6 graus negativos. Dormi até ao meio-dia, esperando pela Dia, que não veio. Fui até ao centro. Almocei no Stradivari, pequeno restaurante.

Passeei pelas lojas, onde comprei uma camisa por 500$00 e um boné por 250$00. Fui até casa. Subi ao 1.º andar, casa dos proprietários, a convite destes. Voltei para o centro. Conheci a Mariana, filha do padre ortodoxo. Bingo e jantei lá. Mais uma vez a Diana e a Lavínia me fintaram. Fui ao Bingo, onde encontrei a Andreia, conhecida da Cláudia. Às 22:45 horas fui para casa.

>> 31.12.1995 >> Levantei-me às 11:00 horas. Fui à igreja católica, com missa em húngaro. Almocei um bife tártaro (cru) no Restaurante Atlântico. Passeio. Pelas 18:00 horas conheci a Georgina e a Marilena, a primeira muito bonita. Foram a minha casa meio receosas. Pela meia noite fui ao Stradivari para festejar o fim de ano. No Bar estive com a Galey e esposo. Agradáveis. Bebemos champanhe e café do meu, que levara de Portugal.

>> 1.1.1996 >> Choveu todo o dia com 5 graus positivos. Levantei-me às 11:00 horas. Dei uma volta e fui almoçar no Stradivari. Estava tudo fechado. Falharam a Georgina e irmã. Passeei pela zona comercial. Chá e cerveja no café italiano. Voltei a casa. Fui jantar ao Stradivari, após o que regressei a casa pelas 22:00 horas.

>> 2.1.1996 >> Passeei pela cidade durante o dia. À noite saí da Roménia e entrei por Biharkeresztes na Hungria, no mesmo táxi que me havia trazido para a Roménia, tendo pago mais 70 D.M.

>> 3.1.1996 >> Parti de avião da Lufthansa de Budapest para Frankfurt pelas 07:00 horas, onde chegou às 08:45 horas e partida noutro avião da Lufthansa para Lisboa, pelas 13:30 horas, com chegada a Lisboa às 16:30 horas.

:: ::

Considerações: Como é que um país pobre como a Roménia conseguia ter e manter aquecimento central pelo menos nas cidades? Não sei se isso aconteceu só depois da queda de Ceausescu em 1989 ou se já vinha dos tempos desse governante ou até antes dele. É provável que a última hipótese seja a verdadeira. Isso significa que, apesar de ser uma necessidade de resolução inadiável, os governantes sentiam essa mesma necessidade das populações. A necessidade aguça o engenho e os povos de clima muito frio no Inverno resolveram o seu problema.

A mesma necessidade não aguçou o engenho dos portugueses nem dos seus governantes. Sempre consideraram Portugal como país de clima ameno, esquecendo-se das zonas do interior da Beira e Trás-os-Montes, onde o Inverno era semelhante ao da Roménia. Lembrando-me eu do que se passava na minha aldeia e em toda a Beira e Trás-os-Montes, onde as temperaturas no Inverno eram, nesse tempo, muito baixas, com neves frequentes, em que passávamos imenso frio na escola, para a qual levávamos braseiras feitas de um tacho velho onde colocávamos umas brasas que alimentávamos com uns galhitos acendidos com o baloiçar do tacho preso por um arame, chego à conclusão que os nossos governantes nunca quiseram resolver esse problema das nossas populações, votadas ao abandono e a suportar o frio que entrava pelas frestas das paredes das casas não rebocadas, e até pelas janelas mal calafetadas, onde não havia janelas herméticas, sendo o calor dado por uma muitas vezes magra lareira e ao poder de cobertores inexistentes para alguns. Para os pés, havia quem usasse sacos de borracha com água quente. E, como poderiam usar aquecimento central, se não havia água canalizada nas aldeias e algumas vilas, problema que só se resolveu após o 25 de Abril? Mas tinham-na as cidades como a Guarda, Viseu e Bragança. Mas nem estas tinham aquecimento central. Não havia carvão para queimar? Havia grande quantidade de lenha, que até alimentava o fogo dos fornos onde se cozia o pão. Que fraco entendimento e falta de vontade tinham os governantes de então, apesar das dificuldades financeiras! Pretenderiam demonstrar que as pessoas do interior eram rijas?! Que remédio tinham elas senão sê-lo!

Quando vim para Lisboa estudar na Universidade, constatei que nas salas e corredores havia aquecimento. Onde quase não era preciso, por Lisboa ter realmente o tal clima ameno, é que havia as condições que faltavam aos que mais delas necessitavam!

Na Roménia até os carros eléctricos e os bancos destes eram aquecidos.

:: ::

Curiosidades

Moeda da Roménia- a lei, equivalente a 5 centavos.

Gastei: 250 D.M. do avião, 140 D.M. de táxis e 150 D. M. do quarto. Paguei ainda os táxis em Lisboa e os restaurantes na Roménia. Outros gastos rondaram os 1.500$00.

(Fim da Etapa 46.)

:: ::
«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

Deixar uma resposta