Em memória de um Zé…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A institucionalização da Deolinda levou-me a conhecer o sr. Zé!…

Amor e companheirismo até ao último dia

Amor e companheirismo até ao último dia

O sr. Zé era um alentejano de gema desterrado na Póvoa de Santa Iria.

A mulher estava na instituição onde está a Deolinda num estado muito adiantado de demência.

Alquebrado, mal conseguindo andar, o sr. Zé todos os dias se metia no autocarro e vinha passar a tarde com a mulher.

Muitas vezes lhe ofereci boleia mas, no seu orgulho de alentejano, sempre preferiu o autocarro a aceitar um favor.

Conversávamos enquanto esperávamos a hora da visita e, quero acreditar, os poucos meses decorridos tornaram-nos bons amigos.

Era lindo ver aqueles dois idosos, sempre de mão dada, passeando pelas partes comuns da Casa, vendo-se claramente o amor que o sr. Zé votava à sua companheira de sempre.

De repente todos notaram a sua falta, só sabendo alguns dias depois que havia sido encontrado caído em casa e levado de urgência para o hospital em estado grave.

A família ia-nos mantendo informados e dia 3 veio a confirmação da sua morte.

Fica a memória de um homem que, mesmo com todas as limitações físicas que apresentava, nunca abandonou a mulher, acompanhando-a na sua doença, mesmo que ela já não o reconhecesse.

No sr. Zé vejo todos os que não esquecem que a companheira ou o companheiro continua a sê-lo seja nos momentos bons seja nos ruins.

Obrigado sr. Zé pela lição de vida que me deu!

E até sempre.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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