Ecos de uma Conferência de Monsenhor Feytor Pinto

Isidro Alves Candeias - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Nascido em Coimbra, tendo vivido e crescido em Castelo Branco e tendo, de há longos anos, mesmo décadas, exercido o Sacerdócio e outras altas funções em Lisboa, é o Pe. Vítor Francisco Xavier Feytor Pinto sacerdote da Diocese da Guarda.

Monsenhor Feytor Pinto

Tudo como melhor consta do Anuário Católico, donde podemos respigar:
“Colaborador na paróquia de Campo Grande; Assistente Nacional e Diocesano da Associação Católica de Enfermeiros e Profissionais de Saúde (ACEPS); Assistente Diocesano dos Médicos Católicos; Assistente Diocesano da Associação Mundial da Federação dos Médicos Católicos (AMCP).
Diocese de Ordenação: Guarda
Monsenhor”

Pelo facto de pertencer à Diocese da Guarda, as suas funções na Paróquia do Campo Grande, em Lisboa, foram-no na qualidade, não de Pároco, mas na de Administrador da Paróquia.

Na Comemoração dos 50 anos da sua Ordenação, em 2005, na Paróquia do Campo Grande, registámos a presença de, entre outros, sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa à altura, o ora saudoso D. José da Cruz Policarpo, de D. Anacleto Oliveira, então Bispo Auxiliar de Lisboa e, ainda, de D. Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda, a sua Diocese, como já referido.

Igreja de S. José, Algueirão, Sintra

Vão decorridos mais de trinta anos, foi Monsenhor Feytor Pinto ao concelho de Sintra, fazer uma Conferência à Paróquia de S. José de Algueirão – Mem Martins – Mercês, a já então maior paróquia da Europa, na qual resido há quarenta e seis anos.

Não tenho presente o tema da Conferência, mas a mesma deverá ter versado sobre a área da saúde, na componente do voluntariado hospitalar e prisional, extensivo aos Lares de Doentes e Idosos.

Começou por introduzir uma historieta, passada com um Conferencista Americano, dizendo:

Havia um famoso Conferencista, que percorria os Estados Unidos da América a fazer Conferências.

O tema de uma conferência era apresentado, ao longo da temporada, sempre com o mesmo teor, porquanto as localidades e respetiva assistência eram sempre diferentes.

O motorista, que sempre o transportava, sentava-se entre a assistência e ouvia, vezes a fio, a conferência.

Escusado será dizer que aprendeu a conferência, a ponto de dizer para o patrão e Mestre: Eu já era capaz de fazer a conferência.

Responde-lhe o Mestre: Como a próxima conferência vai ser numa cidade aonde vamos pela primeira vez e onde ninguém nos conhece e como eu também sei conduzir, invertemos os nossos papéis: eu conduzo e tu fazes a Conferência.

E assim aconteceu: após a receção, o motorista tomou lugar na mesa do Orador e o Professor sentou-se entre a assistência, à semelhança do que fazia o motorista.

Iniciada a conferência, o Professor pasmava com a apresentação da matéria, com as mesmas palavras, idênticas pausas e os mesmos exemplos.

Terminada a mesma, grande ovação, que o Professor, sentado na plateia, sentiu como sua.

Seguia-se, como habitualmente, o debate.

E agora é que iriam ser elas, pensou o Professor.

É que a Conferência é do Conferencista e pode ser sempre igual, mas o debate, dependendo da assistência, poderá ser sempre diferente

Em caso de falha, era o nome do Professor que ficava marcado.

Vem uma pergunta difícil e o motorista responde assim:

– A questão é pertinente, já me tem sido colocada várias vezes e a resposta à mesma revestia-se de alguma complexidade.

Mas depois das teorias, que eu desenvolvi sobre a matéria, a resposta está tão facilitada que até ali o meu motorista é capaz de lhe responder.

Concluiu o Reverendo Feytor Pinto, dizendo que ele não havia levado motorista, pelo que, após a apresentação do tema, seria ele próprio a responder às questões que entendessem dever colocar-lhe.

Esta soberba e cativante introdução foi por mim ouvida, aprendida e, mesmo, decorada.

Mais de vinte anos depois, admito que na Jornada Diocesana da Pastoral da Saúde, dedicada ao tema Voluntários para cuidar, que teve lugar, em outubro de 2011, na Escola Superior de Enfermagem de S. Vicente Paulo, em Lisboa, que o Monsenhor coordenava, lembrei-lhe a sua conferência no Algueirão, ousei repetir-lhe a apresentada historieta e perguntar-lhe se tinha sido mais ou menos assim.

Resposta pronta: não foi mais ou menos assim. Foi mesmo assim.

Este o teor dos Ecos, que tinha redigido, havia dias, para trazer ao Capeia Arraiana.

Sucede, porém, que, na tarde de sábado, dia 16 do corrente mês de novembro, além do Almoço da Confraria do Bucho Raiano, realizado num piso menos três, mas – oh maravilhas! – a céu aberto, do Hotel Iberostar, em Lisboa, havia também lugar a Conferências sob a temática “Ciência e Universo, levadas a efeito pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, na Aula Magna de Lisboa.

E sucede também que o meu neto mais velho, de 12 anos e seu pai e meu genro, se encontravam inscritos para ambos os eventos.

Assim, tiveram que sair do muito participado e lauto banquete da iguaria raiana, quando este ainda decorria, para irem assistir às ditas Conferências.

Numa delas, em que o tema era “Conversa Cósmica”, foi orador o Professor Michio Kaku, da City University de Nova Iorque, o qual, no fim da conferência, contou a dita historieta do conferencista, reportada a Albert Einstein e seu motorista.

Já conhecedores da mesma, contada por mim há muito tempo, o meu genro apressou-se a dar-me conta do facto.

A curiosidade levou-me a consultar na Net o que se diria sobre a historieta.
Encontrei várias referências ao facto e, efetivamente, com reporte a Einstein.

Mas, porque não há amor como o primeiro e acrescendo que em nenhum lado a vejo contada com tanta interação e empatia entre o Conferencista e o seu Motorista, entendi não dever alterar o que sei de cor (saber de cor é ou foi, como sabemos, saber de coração) há tanto tempo, nem deixar de a apresentar “qua tale”, com um reconhecido sentido de gratidão a Monsenhor Feytor Pinto.

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Ecos, artigo de Isidro Candeias

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