Os que da lei da morte se vão libertando…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Esta foi uma semana trágica para a cultura portuguesa!…

José Mário Branco (Foto: D.R.)

José Mário Branco (Foto: D.R.)

Ainda na semana passada, a notícia da morte prematura de Teresa Tarouca, uma das senhoras do fado, tinha-me trazido um amargo de boca e um desejo súbito de me «embebedar» com os registos discográficos que nos tinha deixado como legado.

Ainda mal refeito da perda desta fadista, eis que nova morte abala o mundo fadista, a de Argentina Santos. Tive o prazer de a ouvir cantar na sua «Parreirinha de Alfama» há umas dezenas de anos e foi uma das vozes que me levaram a gostar tanto do fado tradicional.

Mas ainda faltava a estocada final, a morte de José Mário Branco!

Conheci o Zé Mário aquando da deslocação do seu Grupo de Ação Cultural ao Sabugal e ao Soito, espetáculos em cuja organização participei.

Foi uma viagem épica num autocarro, numa altura em que as viagens demoravam horas.

O Zé Mário era um «senhor» na verdadeira aceção da palavra. Homem digno, leal, intransigente na defesa das suas ideias.

E foi uma das mais importantes figuras da música portuguesa.

As suas canções, os arranjos musicais que fez para muitas canções, as bandas sonoras de peças de teatro e de cinema, e tanto, tanto mais que a ele deve Portugal!…

Dele roubei uma das canções da minha vida, «Inquietação», que ontem ouvi até à exaustão.

Zé Mário, podes ter morrido, mas esta inquietação que nos ligava nunca morrerá!…

«Inquietação» de José Mário Branco

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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