Casteleiro – O Dr. Rosa e o Ti Zé Russo

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

Mais algumas situações que o meu cérebro retém. Histórias passadas há 90 anos e que eram contadas quando era puto e reguilóide «com’Ò caneco!» ou «com’Ò caraças!»… OK? Leia tudo que se vai divertir à ganância, como se diz lá naquelas ruas que adoro para sempre.

Esta era a Escola Nova das Raparigas

Esta era a Escola Nova das Raparigas

Vindos da Argentina – Os «soutiens» do ti’Zé Ruço

Esta história deve começar por volta de 1920 e tal. O Ti’Zé Ruço era então um jovem simples, trabalhador agrícola, filho de agricultores com meia dúzia de courelas que não permitiam a sobrevivência em condições mínimas.

Um dia, o Zé Ruço tomou uma decisão: ir para o estrangeiro. Mas para onde? Na altura havia dois destinos de base para a emigração: o Brasil e a Argentina. Circunstâncias da vida levaram-no para a Argentina.

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O Dr. Rosa e Marcelo Caetano – Sentença sábia em noite de passeio

À beira de entrar para a Faculdade de Direito, passei muitas noites a passear com várias pessoas jovens e sempre acompanhados do Dr. Rosa, que nos ia industriando em algumas coisas importantes da vida de Lisboa e não só. Percorríamos aquele quilómetro e tal da estrada que serve de rua principal da aldeia até lá em cima ao sítio exacto de onde se avistam os píncaros da Serra da Estrela. Ao pé da Escola das Raparigas ou Escola Nova – como se dizia na altura.

E era ali que se parava e se trocavam ideias e larachas. O Dr. Rosa era o nosso mentor. Um deles, vá lá. Mas talvez o mais insistente e mais importante desse tempo das nossas vidas.

Quem era o Dr. Rosa? Um licenciado e professor de História. Tinha feito Histórico-Filosóficas na Clássica de Lisboa e era muito conceituado entre nós. Muitos anos mais tarde, viria a ser Secretário Regional de Educação dos Açores, num dos últimos governos de Mota Amaral.

A estória que vou contar aconteceu numa dessas noites, logo a seguir a sabermos que Salazar cai da cadeira. Estávamos em Setembro de 1968. Nessa exacta noite, soubemos que lhe sucedia Marcelo Caetano. Íamos nós pela estrada fora, parámos no mesmo sítio de sempre, onde se começa a ver a Serra da Estrela. As estrelas já lampejavam. E pergunto-lhe eu, que daí a uns dias devia dar entrada na Faculdade de Direito de que Marcelo deixava agora de ser Director, e isso interessava-ma mais a mim do que aos restantes jovens:

– Dr. Rosa, como é que este é?

Resposta pronta dele:

– Calça o mesmo número. A forma é que é diferente…

(Nota: na palavra «forma», aqui, a primeira sílaba lê-se fô. Os sapatos eram feitos no sapateiro com uma «fôrma».)

Esta «sentença» ficou-me para sempre.

Aquele professor de História não podia ter descrito de melhor forma a situação. E todos os futuros lhe deram inteira razão. Calçava de facto o mesmo número. Mas os sapatos eram de outra «forma» (ler: fôrma»)

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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