Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (43)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 43 >> «VIAGENS NA MINHA TERRA» e CUBA.

Mapa de Cuba

Mapa de Cuba


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

:: ::

1994

Em 16.6.94 prestei prova de acesso ao 8.º escalão, tendo sido aprovado.

:: ::

Junho de 1994

Viagem com os alunos do curso nocturno à rota das «Viagens na Minha Terra».

:: ::

Em Junho de 1994, no fim do ano lectivo, viajei com alguns alunos do curso nocturno, da turma «2.º, 4.ª», na rota de «Viagens na Minha Terra», tal como havia feito com os alunos do curso diurno anos antes. Era uma turma simpática. Éramos 10 comigo, repartidos por 2 carros: Serafim Desidério, Jorge, Ana, Raquel, Li Sut Ni, Palitos e Teresa. Não me lembro do nome dos outros dois.

O percurso foi Lisboa – Cartaxo – Vale de Santarém – Santarém – Almourol – Tomar – Leiria, onde dormimos.

Começámos pelo vale de Santarém. Procurámos identificar a casa da Joaninha, mas tudo eram silvas e mato à volta de uma velha casa em ruínas. Visitámos depois a zona antiga de Santarém: o castelo, as Portas do Sol, as igrejas góticas de Santa Clara, da Graça, do Santíssimo Milagre, de São Francisco, de São João de Alporão, da Misericórdia e Santa Cruz. Também visitámos a igreja da Santa Maria da Alcáçova e até bebemos uma ginjinha aí ao lado.

No muro das Portas do Sol, com o Tejo lá em baixo

No muro das Portas do Sol com o Tejo lá em baixo

Continuámos para Almourol, tendo subido ao castelo, depois de tomarmos um barquinho e o Jorge, que era polícia, ter obtido a chave. Parámos no Cartaxo para almoçar.

O grupo no barquito para atravessar o rio Tejo

O grupo no barquito para atravessar o rio Tejo

Franklim com a Ana e a Li Sut Ni já na outra margem com o castelo de Almourol atrás

Franklim com a Ana e a Li Sut Ni já na outra margem com o castelo de Almourol atrás

Em Tomar bebemos uns brancos numa lojita cheia de teias de aranha. Muito bom.

Franklim no largo Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria

Franklim no largo Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria

Seguimos para Leiria, onde fomos a uma boíte nos arredores e dormimos num hotel no centro. A Raquel foi dormir a casa duma irmã do Jorge.

Regressámos no dia seguinte pela Batalha, cujo mosteiro visitámos, e pelas grutas de Mira d’Aire e Alcobaça, cujo mosteiro também visitámos e onde almoçámos no restaurante «O Mosteiro».

No restaurante O Mosteiro, onde se juntou o sobrinho do Franklim

No restaurante O Mosteiro, onde se juntou o sobrinho do Franklim

Depois foi sempre a andar até Lisboa, salvo, talvez, uma paragem em Óbidos.

E assim terminou uma viagem que foi do agrado de todos e que os alunos ainda recordam, certamente, tal como eu.

:: ::

5.ª Viagem a CUBA

Por não ter legendado as várias fotos de que disponho, é-me difícil distinguir esta viagem no Verão de 1994 da 8.ª viagem no Verão de 1995. E não sei onde param algumas fotos deste período. Por isso vou resumir cada uma delas sem seguir todas as datas.

Viagem de 15 de Julho a 27 de Agosto de 1994

Curiosidades

Tratada pela Top Tours. Paguei 3.400$00 pelo visto de Cuba. O custo do avião rondou os 125.000$00.

:: ::


>> 15.07.1994 >> Madrid e Madrid-Havana pelas 12:10 horas com a Ibéria e chegada às 15:25 horas. Fui de táxi para Varadero para casa da Zoila, pelo que paguei 42$.

>> 16 a 18.07.1994 >> Em Varadero, como habitualmente, passava os dias na praia, banhando-me, jogando por vezes uma espécie de ténis com as raquetes e uma bola e conversando com moças bonitas de quem recebi carícias e intimidades. Após o almoço sentava-me muitas vezes num murito junto ao minimercado Caracoles, debaixo dum coqueiro, onde passavam muitas moças, e lia por vezes um livro. Ao fim da tarde voltava para a praia. Depois de jantar ia sentar-me no muro em frente do hotel Aquazul, conversando com as moças e com alguns conhecidos dali.

De entre muitas moças, recordo a Yudi de Las Tunas, a Tamara, Duraika, Yorális de Santa Marta, a Maribélis de Ciego d’Ávila, a Laura, a Kéty, Iliana, Janet, Lívia Maria, Mariela, Odelca, Idalmis, Daimiri e Iolandra.

>> 25.07.1994 >> Dei 120$ à Zoila por conta da dormida (50$) e da comida (70$), incluindo as bebidas. Fui a Ranchuelo. Paguei de autocarro 2$. Fiquei na casa do Jorge Roca.

>> 26.07.1994 >> Fui à boleia a Cruces visitar a Solangel, que havia conhecido na viagem anterior, em sua casa. Foi muito difícil apanhar boleia, já que os carros eram raros.

>> 27 e 28.07.1994 >> Estive em Ranchuelo. Fui convidado para a inauguração duma loja, onde a Caixa era a esposa do médico que me havia tirado oito sinais. Já quase toda a gente me conhecia.

>> 29.07.1994 >> Fiz contas com o Roca, dando-lhe 32$: 20$ por quatro dormidas e 12$ por oito refeições.

sacos de milho que secaram na autopista Sta Clara-Havana

sacos de milho que secaram na autopista Sta Clara-Havana

Regressei a Varadero. Paguei 30$ à Zoila por seis noites mais. Paguei 12$ ao José por seis refeições. Paguei 8$ pela renovação do visa, já que o tirado em Portugal valia apenas por 30 dias e eu ia ficar 43 dias. Conheci a Yorális de Santa Marta, com quem tomei uma cerveja. A Yorális viria a apaixonar-se por mim e a querer vir comigo para Portugal. Chegou a ir para a Alemanha com uma amiga que casou com um alemão. De lá escreveu-me e enviou-me uma foto em ponto grande, na mira que a chamasse para Portugal. Era, porém, baixinha para os meus gostos.

A Yorális

A Yorális

>> 30.7 a 3.8.1994 >> Continuei em Varadero com a actividade habitual.

>> 4.8.1994 >> Paguei de comida e dormida 120$ à Zoila. Começou novo ciclo em 4 de Agosto. Com estes 120$ paguei mais 15 noites, isto é, até dia 18, inclusivé, ou melhor, até 20 inclusivé, dado que dormi duas noites no Sr. Armando em Sancti Spiritus.

>> 10.08.1994 >> Fui à disco La Pachanga. Paguei 9$ de entrada, por mim e pela companhia, mais 3$ de bebidas.

>> 12.08.1994 >> Fui a outra discoteca mais conhecida, La Bamba. Paguei 10$ de entrada, por mim e companhia.

>> 14.08.1994 >> Apareceu na Zoila um indivíduo de Sancti Spiritus que trouxe um camião carregado de móveis para vender. O camião era da empresa estatal do sogro.

>> 15.08.1994 >> Na praia conheci uma família de Sancti Spiritus. O Sr. Armando, a esposa e a filha Fara, que tinha uma pequenita. À tarde queriam ir de regresso a Sancti Spiritus e não tinham carro. O Sr. Armando ainda foi a Santa Marta, do lado de lá do canal, a ver se conseguia que los amarillos lhe arranjassem lugar num autocarro. A coisa estava difícil. Calhei a falar-lhes da pessoa de Sancti Spiritus que vendia os móveis e estava na minha casa. Foram lá e viram que se tratava de um familiar, já que o Armando era irmão do sogro do vendedor dos móveis. Este acabou por levá-los de regresso. Convidaram-me a ir com eles no camião e fui. Nesse camião ia também uma médica jovem deles conhecida. Cantámos e dançámos em cima da carroceria. Fiquei a dormir em casa do Armando, a quem ofereci uma camisa nova. Ao jantar confessaram que não tinham nada para me oferecer. Tranquilizei-os, puxando de umas latas de conserva, que levava comigo para as ocasiões. Ficaram espantados e tivemos o jantar. Gente boa. A Fara foi dormir em casa de alguém para eu poder ficar na sua cama.

No dia seguinte de manhã visitámos a casa da mãe do Armando, que guardava em sua casa uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, retirada da igreja para não ser destruída pelos revolucionários. Em conversa sobre os tempos passados alguém falou em tomar um chá. A Senhora, já velhota, disse que tinha saudades dos tempos antigos em que se fazia um chá contido numa bolsinha de papel inglesa. Retirei do meu bolso uma dessas bolsinhas e ofereci-lha. Ficou espantada por eu ter esse chá.

Da parte da tarde visitei a casa da avó da Fara, por parte da mãe, que estava louca e dizia palavrões contra os estrangeiros. A neta, Yamilet, que vivia com ela, professora de Matemática, ofereceu-me um refresco de sumo de laranja. Depois fui eu que lhe ofereci uma bebida num bar. Eu tomei um daiquiri e ela outra bebida. Para meu espanto, o homem do bar cobrou em dólares, 7,50$, caríssimo, com a equivalência de 1$=1 peso. Bem protestei, mas em vão. Cumpriu a lei, só que não acredito que tenha entregado o produto ao Estado. Deve ter ficado com os dólares, substituindo-os na caixa registadora por pesos. Era assim a corrupção.

Fara e a pequenita na sua casa em Sancti Spiritus

Fara e a pequenita na sua casa em Sancti Spiritus

>> 16.08.1994 >> Tenho ainda o bilhete de comboio de Sancti Spiritus para Matanzas, tendo saído de lá pelas 12:20 horas. Paguei 8,45 pesos (ou talvez dólares) e 1$ de carro de Matanzas para Varadero.

>> 18.08.1994 >> A Yamilet de Sancti Spiritus, prima da Fara, a meu convite, foi ter comigo a Varadero, viajando de comboio até Matanzas. Fui buscá-la num carro a Matanzas. Paguei 5$. Dormiu no meu quarto noutra cama e nada quis comigo. Paguei novamente 120$ da casa à Zoila.

>> 19.08.1994 >> Comprei por 26,5$ um fato de banho para a Yamilet. Paguei de almoço com ela 8$50 e 5$ de jantar.

>> 20.08.1994 >> Paguei 8$50 de almoço. A Yamilet foi-se. Paguei 15$ de carro para ela regressar a Sancti Spiritus. Paguei 3$ de jantar, já só. Fui à disco La Bamba no hotel Tuxpan, certamente com alguma moça, por 19,7$.

Falei atrás que o Sr. Armando ainda procurou os amarillos para ver se conseguia lugar no autocarro. Pois bem, os amarillos eram uns empregados com camisa amarela cuja função era apenas verificar se ainda havia lugar para quem pretendesse bilhete nos autocarros. Era uma maneira de dar emprego a jovens que acabavam os cursos e não tinham lugar para os empregar. Era assim o pleno emprego em Cuba, como acontecia nos países comunistas de Leste.

Em Santa Clara, como já falei noutra viagem, os transportes dentro da cidade eram feitos por carretóns puxados por cavalos, burros ou machos. Eram particulares. Os comunistas não os viam com bons olhos, por os donos ganharem mais dinheiro que eles. Por serem particulares, não precisavam de amarillos. Assim os conheci no princípio. Passados dois ou três anos, quando ia apanhar um carretón, subi sem pedir licença a ninguém, como era habitual. Apareceu-me então um rapazito vestido de verde com um boné também verde, a dizer que era ele que mandava subir as pessoas. Aqui não eram amarillos, eram verditos. O Governo, perante tamanha falta de empregos e porque os serviços públicos já tinham dois, três ou mais empregados para o que deveria ser feito por um só, vá de recorrer aos poucos empregos privados e de lhes impor um funcionário. Cada carretón tinha um verdito e assim se arranjou mais uma dúzia de empregos.

>> 23.08.1994 >> Paguei 12$ de comida= mais seis refeições pagas ao José.

>> 24.08.1994 >> De regresso a La Habana, dormi no Colina, quarto 516. Paguei 36$ pelo quarto. Paguei 2$ de ónibus e 2$ de táxi desde o terminal de autocarros para o hotel.

>> 25.08.1994 >> Continuei no Colina. Paguei 48$, talvez por ter dormido com alguma moça. Almocei camarões por 10$, incluindo duas cervejas, na paladar da mulata.

>> 26.08.1994 >> Almoço por 10$ na paladar da mulata dos camarões. Paguei 12$ num táxi para o aeroporto. Partida de Havana para Madrid, pelas 17:15 horas.

>> 27.08.1994 >> Madrid – Lisboa pelas 12:20 horas com a Ibéria. Chegada a Lisboa às 13:30 horas. Paguei de táxi 900$00 do aeroporto para casa.

:: ::

Compras: os habituais charutos e rum.

Gastei 1.026 dólares mais táxis 2×900$00 = 1.800$00.

:: ::

(Fim da Etapa 43.)

:: ::
«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

Deixar uma resposta