Casteleiro – O Ti’ Náciso e a «Quinta»

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

A Quinta da D. Maria do Céu, as superstições, os mitos, as lendas… sempre esse universo a dominar as lembranças dos idos de 50 e tal (haverá portanto uns 55 anitos)… Vá comigo até essa altura e divirta-se a valer, OK?

Era esta a «Quinta» que nos anos 50 do século XX estava no seu auge

Era esta a «Quinta» que nos anos 50 do século XX estava no seu auge

Supositórios não são para roer

Começo hoje com a ironia daqueles tempos da minha infância. Sempre me admirei de como, no meio de tantas carências das suas vidas diárias, as pessoas da minha terra nunca perderam o bom-humor e a ironia nos momentos engraçados das suas vivências, apesar de tudo com alguma boa disposição.

Até por vezes penso: as pessoas nem se dariam conta de que se vivia em tanta (digamos) simplicidade e modéstia de bens materiais… Eis mais um caso desse tipo de ironia bem popular, bem humorada e cheia de piada…

Recordo aqui o que escrevi há muitos anos:

«A ti’ Encarnação e a sua ingenuidade – Mais uma do ti’Náciso, o tal que era uma espécie de enfermeiro-médico popular etc.. Um dia, como tantas vezes acontecia, seguia o homem pelo sol das tardes quentes de verão daquela zona extremamente febril, e eis que uma senhora da aldeia o interpela:

– Ó senhor Narciso, ando aqui toda constipada e cheia de dores de garganta. Não tem nada que eu possa tomar?

– Então, vou-lhe aqui receitar umas coisas. Vai à farmácia e toma isto».

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Superstições, mitos e lendas de quando eu era menino e moço…

Tantas superstições!!!! Só dois exemplos:

O ladrar «aflito» dos cães em noite de invernia – significava para muitos o anúncio da morte de alguém na aldeia;

O grito «de dor» dos pavões da «Quinta da Senhora» (pequeno latifúndio cuja casa senhorial – não pela arquitectura mas pela dominação) significava também a morte de alguém.

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A Quinta da Senhora era assim

A propósito da «Quinta»… bastava dizer isso e todos sabiam qual era a Quinta… lembram-se da «Quinta da Senhora», com certeza. E quem melhor para falar dela do que quem por lá passou bons tempos e deles se recorda sempre com emoção? Pois então, leia, por favor, como eu também li oportunamente e hoje recordo assim:

«(…) Vieram-me à memória fragmentos de vida, passados na Quinta das Mimosas no Casteleiro, mais conhecida por Quinta da Sra.(Sra D. Maria do Céu Guerra). Era o sítio mais bonito e mais bem cuidado da terra e até, digo eu, dos arredores. Uma quinta com características feudais e casa senhorial com trabalhadores permanentes.»

Pois… a Quinta da Senhora era isto e muito mais!

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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