Invasões Francesas (8)

António Gonçalves - Colaborador - Orelha - Capeia Arraiana

:: :: SOITO :: :: Algumas aldeias raianas foram fustigadas pelos soldados napoleónicos entre julho de 1810 e abril/maio de 1812. Em julho de 1810, após a tomada de Almeida realizaram razias nas aldeias raianas; na retirada, em fevereiro ou março de 1811, entraram no concelho de Sabugal, vindos da Guarda, deixando um rasto de violência e destruição por onde passaram; em abril de 1812, quando da quarta invasão, as populações foram, mais uma vez, vítimas das barbaridades dos invasores. Muitos arquivos foram destruídos! Provavelmente não houve aldeia do concelho de Sabugal que não tivesse a “honra” de os receber!

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Álbum de Campanha Sobre Marchas, Manobras e Planos de Batalha do Exército Português, Realizados no âmbito da Guerra Peninsular, pelo Capitão Manuel Isidro da Paz: em: PT-TT-CF-212_m0117.TIF

Em 28 de agosto de 1810:
Domingos Gonçalves Lucas, casado com Maria Martins, “sepultado no campo”, a mesma sorte teve a esposa que foi “sepultada no campo, por não poder vir para a Igreja por causa dos inimigos.”(39)

Manuel Nunes, de quarenta anos, “não foi sepultado por não se achar senão passados oito dias alguns vestígios.”(40)

Miguel, solteiro de dezoito anos, filho de Manuel Vaz e Maria Ramos.(41)

Existe, ainda, um registo de uma Maria …, “morta pelos Franceses…”(42)

Certamente que resultaram de aventuras, a partir da praça de Almeida, visando saquear tudo o que fosse possível para alimentar os soldados e cavalos.

O Cura Manuel Vaz Rodrigues, depois destes episódios, lavrou diversos registos em que escreveu: “ … morreu de Bexigas.”(43) Isto pode significar que após a devastação instalou-se uma epidemia.

Capitão Manuel Isidro da Paz, op.cit., em PT-TT-CF-212_m0037.TIF

1811
Foi com alguma surpresa que encontrei um registo de óbito de trinta de Janeiro, de António Gonçalves, em que se refere “morto pelos inimigos Franceses.”(44)

Após a batalha de Sabugal, de três de abril de 1811:

Em vinte e seis de junho foram realizados diversos assentos de indivíduos “mortos pelos Franceses:”(45)

-Francisco Carvalho, casado com Maria Martins; Ana das Barrocas (?) viúva de António Saraiva Loureiro; João Rodrigues de quarenta e cinco anos; José da Veiga, de trinta e seis anos; José Lourenço, casado com Luiza Jorge.

Jorge, viúvo de Ana Guerra, foi morto em quatro de abril; no dia cinco foram as vezes de Manoel Carrilho, casado com Luísa Esteves, e Francisco Manoel Robalo, marido de Antónia Garcia, foi “sepultado no campo”. No dia doze de outubro, José Barreto (?) foi “mortos pelos Franceses:”(46)

No dia doze de outubro, José Barreto (?) foi “mortos pelos Franceses.”(47)

Será que os franceses foram mesmo expulsos do território português?

Os dias quatro e cinco são depois da batalha de Sabugal. Nestas circunstâncias, podemos dizer que ocorreram no momento em que abandonavam o território português. O óbito de outubro reforça a ideia de que os soldados franceses não partiram imediatamente após o desastre militar supra referido. É de admitir a hipótese de restarem alguns grupos. Estas circunstâncias mostram a fragilidade da administração portuguesa nas terras de Ribacôa. Ou seja, as populações estavam como que abandonadas e desprotegidas pelas autoridades de Lisboa.

Os registos de 1812 encontram-se muito deteriorados, apesar de digitalizados, com os meios de que dispus, não foi possível tirar quaisquer conclusões com o mínimo de segurança.

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«Memórias de Sortelha», por António Augusto Gonçalves

Notas:
39- Arquivo Distrital da Guarda, Registos de Óbito do Soito”, Rolo 0856/262.
40- Idem.
41- Idem.
42- Idem. Este registo está bastante degradado.
43- Idem.
44- Idem
45- Idem.
46- Idem.
47- Idem

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