Os bens das igrejas da Moita

:: :: MOITA :: :: O arrolamento dos bens da igreja e capela da freguesia da Moita, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 6 de Março de 1912. Transcrevemos os respectivos autos de arrolamento existentes no processo.

Igreja Matriz Moita (Sabugal) - Capeia Arraiana

Igreja Matriz Moita (Sabugal) – Capeia Arraiana

Aos seis dias do mês de março de mil novecentos e doze, nesta freguesia da Moita e no edifício da igreja paroquial denominada a Igreja de São Pedro, onde compareceram os cidadãos José Augusto Martins, representante do Excelentíssimo Administrador deste Concelho, e bem assim, o cidadão António Augusto Martins, membro da junta de paróquia, indicado previamente pela Câmara Municipal do referido concelho, comigo Manuel José Gonçalves Coelho, delegado do Secretário de Finanças e da Comissão Concelhia de Inventários, para os fins consignados no artigo 62º da Lei da Separação das Igrejas do Estado, e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte:

Bens imóveis
Uma igreja denominada a de São Pedro, que serve de igreja matriz, situada no Rossio, com uma espécie de torre, um sino de tamanho regular, capela mor e sacristia, contendo altar mor e um de cada lado, encostados ao arco cruzeiro.
Uma capela, denominada a de São Sebastião, no sítio do Chafariz, em mau estado, tendo um altar com a imagem de São Sebastião, em mau estado.

Bens móveis
Uma custódia de prata, em uso regular.
Dois cálices com suas patenas, em uso regular, de prata.
Um vaso sacramental de prata, em uso regular.
Um pálio de damasco branco e respectivas varas, em mau uso.
Nove opas de paninho encarnado, em mau estado.
Quatro lanternas de lata, em mau estado.
Uma umbela de damasco branco, em mau estado.
Um véu de ombros de damasco branco, em uso regular.
Uma naveta de metal amarelo com colher de prata, em bom uso.
Um turíbulo de metal amarelo, em bom uso.
Três lâmpadas de metal amarelo, de pequeno tamanho, em uso regular.
Dois missais, um novo e outro velho.
Três bolsas de corporais, de diversas cores, de damasco, uma nova e duas já velhas.
Cinco véus de cobrir cálice, de diversas cores e de seda, em mau uso.
Duas capas de asperges, de damasco, uma branca e encarnada e outra roxa e verde.
Cinco casulas de damasco, de diversas cores, em uso regular.
Três alvas de linho branco, em estado regular.
Uma ambula de metal, para santos óleos, em uso regular.
Um estandarte de pequeno tamanho, de damasco encarnado, com cruz e pinhas.
Duas pedras de ara, em uso regular.
Uma sobrepeliz, em uso regular.

Imagens
São Pedro – orago da igreja.
Divino Espírito Santo.
Santo António.
Senhora do Rosário.

Bens do passal
Uma casa alta, no sítio dos Olivais, que parte do nascente com rua pública, bem como do poente, norte com Amadeu Soares e do sul com Manuel Leal, e que serve de residência do pároco.
Uma horta, no sítio da Fonte, na Moita, que parte de nascente com José Augusto Martins Paiva, poente com rua pública, sul com ribeiro público, e do norte com o referido José Augusto Martins Paiva.
Um chão no sítio das Lamas, limite da Moita, que parte do nascente com António Lourenço Hipólito, poente com caminho público, norte e sul com herdeiros de Doutor Almeida Santos.
Um chão no sítio da Várzea, limite da Moita, que parte de nascente com caminho público, poente com ribeiro público, norte com Aníbal dos Santos e do Sul com Doutor Aurélio de Vasconcelos.
Um chão no sítio das Amoreiras, limite da Moita, que parte de nascente com o Doutor Aurélio de Vasconcelos, bem como do sul, poente com António Augusto Martins e do norte com António Pires Soares.
Uma terra centeeira, no sítio do Cancelinha, limite da Moita, que parte do nascente com herdeiros de Adrião Cameira, poente com Dona Madalena de Pina Ferraz, norte com caminho público e do sul com Zacarias Leal.
Uma terra centeeira, denominada o Barroco da Cabeça, limite da Moita, que parte do nascente com Ricardo Valentim, poente com José Neto, norte com Joaquim Mousinho e do sul com António Teodoro Cameira.

E não havendo outros bens a inventariar, se conclui este auto, ficando tudo entregue ao presidente da junta de paróquia, e de como ficou entregue vai assinar com os representantes do Administrador do Concelho e do Secretário de Finanças, e do cidadão pela câmara municipal indicado, mencionado no princípio deste auto, declarando que o pároco desta freguesia não assistiu por se encontrar doente.

Do processo consta um arrolamento adicional, datado de 12 de Agosto de 1943:
Aos doze dias do mês de Agosto de mil novecentos e quarenta e três, na freguesia da Moita deste concelho do Sabugal, compareceram perante mim, Manuel Lopes Alexandrino, informador fiscal, funcionário indicado para servir de escrivão neste auto, e as testemunhas idóneas adiante nomeadas, os senhores Raúl Soares Nobre, aspirante, servindo de Chefe de Secção, e o pároco da referida freguesia, como informador, na sua qualidade de representante da fábrica da igreja, a fim de, nos termos do artigo 46º do decreto-lei número trinta mil seiscentos e quinze, de vinte e cinco de Julho de mil novecentos e quarenta, se proceder ao arrolamento requerido à Direcção Geral da Fazenda Pública, dos seguintes bens:
1º – As dependências da Igreja paroquial desta freguesia.
2º – As dependências da capela de São Sebastião.
3º – Uma oliveira em baldio no sítio das Lages, junto a um prédio de João José Carneiro.
4º – Uma oliveira no sítio dos Peneiros, no prédio de José Augusto Martins.
5º – Uma oliveira no sítio do Figueiredo no prédio de Aníbal dos Santos; outra no baldio junto ao cemitério; duas no prédio de César Pina Ferraz, junto à Fonte; outra na propriedade de João Pires Guerra, no sítio da Vinha do Mosteiro; outra na propriedade do Dr Aurélio de Vasconcelos, duas no olival de Augusto Dagoberto de Carvalho; outra no prédio do Dr Rendeiro do Soito.
6º – Uma casa térrea que serve de forno, confronta do nascente com Luiz Filipe Martins Paiva, norte com o mesmo, sul com Homério Ladeira e poente com José torres.
7º – Uma terra denominada de Prado, no limite do Casteleiro, confronta do nascente e sul com Joaquim Mendes Guerra, norte e poente com Manuel Pinto.
8º – Uma terra centeeira no sítio dos Gradeiros, confronta do nascente e sul com caminho público, norte com António Manuel, poente com herdeiros de Manuel Capelinha.
9º – Duas oliveiras, uma no olival de Joaquim Hipólito da Silva, e outra no prédio da casa Pina Ferraz.
10º – Uma oliveira no baldio, junto ao cemitério, duas no baldio junto ao olival de José Duarte Assunção, outra na propriedade de herdeiros de António Amaral.
Nestes termos deu-se o presente arrolamento por efectuado, sem mais formalidades.
Foram testemunhas presentes Olímpio Augusto Quintela e João Fontes e Sousa, casados, escrivães das execuções fiscais, que também assinam este auto com os referidos aspirante, servindo de Chefes da Secção de Finanças, e pároco da freguesia, depois de lhes ter sido lido em voz alta na presença simultânea de todos.

Este auto de arrolamento adicional contém nota de rodapé:
«Todos os bens referidos neste auto foram entregues à Fábrica da Igreja pelo auto de entrega datado de 29-12-1945, Procº 18.202/256.»

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

One Response to Os bens das igrejas da Moita

  1. Micá diz:

    Boa tarde,

    Espero que se encontre bem.

    Muito gosto eu de ler o que escreve. Saber as histórias/lendas e o histórico de cada região do País, nomeadamente do Casteleiro que aqui descreve.

    Pode por favor dizer-me quem é Luiz Filipe Martins Paiva? Filho e de quem?

    Muito obrigada

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