Pássaros

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Damos a conhecer os últimos dois sonetos de Manuel Leal Freire, o poeta bismulense que nos deixou no dia 24 de Janeiro. Enviados recentemente para publicação, os poemas evocam os pássaros que povoam as nossas terras e que, em harmoniosas melodias, alegram a vida do campo.

Rouxinol comum

PÁSSAROS

Vai ainda bem alta a madrugada
Mas ouve-se o trinar do rouxinol
Como que a dar o lamiré à passarada
Que só desperta com o arrebole

Aí está uma melodia orquestrada
Melhor não se faria no Tirol
Por ser tão perfeita e bem timbrada
Nem que fosse por todo um escol

Os anjos, os arcanjos e os santos
Envergando os seus espessos mantos
Em louvores à Santíssima Trindade

E assim o coral do dia a dia
Repete a harmoniosa melodia
Que nos convida para a santidade

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Existem pássaros palradores
Exemplo são a pêga e o papagaio
Que repetindo-se todas as horas
Vivem como que perene ensaio

Mas não são aves canoras
Como as que alegram o mês de Maio
Bem ao invés são aves maçadoras
Que não se calam ainda que caia um raio

Contra elas se queixaria Flomela
Da qual a melodia é tão bela
Que é esse o nome grego do rouxinol

Homero e com ele um coro enorme
Harmonioso, mesmo poliforme
Como que dão brilho ao sol

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«Poetando», Manuel Leal Freire

2 Responses to Pássaros

  1. Manuel Leal Freire deixa muita saudade. A sua expressão falada ou escrita emprestaram sempre a finura de trato que tão bem educara. O seu conhecimento sempre transmitido com enorme polimento mantinha as pessoas em imensa admiração . Um cultor de tudo e um apaixonado pelo próximo. Muito amigo da Beira. Eu muito o admirava. Os seus trabalhos são disso testemunho – todos o estimavam, estou disso certo. Paz à sua alma e os meus pêsames à Família enlutada.

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