O Paradoxo da democracia

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Esta democracia é um caldo de mil ingredientes. Este caldeirão de sopa, onde todos comem por antecipação ou omissão, é feito de todos os temperos e sabores.

Pintura de Alcínio

Nesta sopa, onde todos nos movemos, há os que flutuam à tona, por menos densos e com pouco ou nenhum sabor, que apenas dão corpo e cor. Mais densa, e numa segunda camada, movem-se os expectantes, que constituem uma corrente ou afluente que irá desembocar num dos muitos padrinhos que se movem sub-repticiamente para abocanhar estes pedaços interesseiros. E no fundo deste panelão habitam as serpentes de múltiplas cabeças venenosas, que fazem deste caldo uma mixórdia intragável.
É a sociedade medieval, com as mesmas classes – os servos da gleba, os senhores feudais e o rei.
Até tem a inquisição, que são os média, quem diria! As televisões escolhem as vítimas para animar a população – julgam e condenam. As vítimas são as estrelas, arbitrariamente por eles escolhidas, que animam o circo que é a casa de cada um. Mesmo que não queira assistir já pagou o bilhete. Quem serão os encapuçados desta inquisição?
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«Vivências a cor», de Alcínio

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