Pedro Antunes – ter arrojo e correr riscos

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

Realizadas as eleições autárquicas, que renovaram o mandato ao presidente António Robalo, o vereador da Câmara Municipal do Sabugal, eleito pelo PS em 2013, dirige-se aos demais elementos do executivo municipal que agora abandona, deixando um alerta: Governar é também correr riscos.

Pedro Neves Antunes

Exmo senhor Presidente
Exma sra Vice-presidente
Senhora e senhores vereadores

Esta minha exposição poderia muito bem, conter nela a típica manifestação de agradecimento pelos eventuais momentos de aprendizagem proporcionados, podia manifestar essa congratulação, poderia manifestar o quanto foi proveitoso para mim esta experiência, poderia dizer até, que foi uma tarefa árdua a de ser vereador em não permanência.
Pois bem, não vai ser esta a minha tónica. Parecerá até arrogante da minha parte não manifestar estas posições. Mas a verdade é que não tenho melhor maneira de expressar, por palavras aquilo que me motivou em aceitar o convite para integrar a lista à câmara municipal pelo partido socialista.
Aceitei o convite não para aprender, mas para fazer, por que fazer dá trabalho e eu acredito no valor do trabalho. Fi-lo convicto e determinado que era possível mudar para melhor e sobretudo fi-lo porque achei ser uma oportunidade para contribuir a uma escala maior, para a construção de um município onde se pudesse viver com qualidade, tornar o município ágil, dinâmico, competitivo e atractivo não só para quem vive mas para quem passa ou visita.
Em 2013 vivia-se um quadro político, marcado por medidas lesivas ao interior e à ruralidade que nos caracteriza. Tínhamos assistido à extinção de freguesias e preparava-se agora um ataque sem precedentes ao serviço público. Desta feita, o tribunal iria fechar e assim extinguir a comarca do Sabugal.
Assistimos nestes 4 anos ao definhar de outros serviços, por exemplo a redução dos contingentes nos postos da Guarda Nacional Republicana, ao encerramento por duas ocasiões a oferta em saúde nos turnos da noite no mês de Agosto, a ameaça constante da extinção de uma porção importante da oferta educativa, a inoperacionalidade da rede de comunicações moveis, não falando no débil e pouco dinâmico tecido empresarial.
Estes factos já aqui foram descritos. Não obstante não pretendo atirar as culpas por inteiro à maioria que governa este município, mas também não pode “assobiar para o lado” ou fazer de conta que não vê
Sr. Presidente espero mesmo (caso ganhe estas eleições de dia 1 de Outubro) que faça muito melhor fazendo jus à experiência acumulada!
Durante estes quatro anos houve aqui divergência e consensos. Houve concordância e discordância. A opção de gastar três milhões de euros numa piscina ou gastá-los numa escola nova é discutível e quiçá dividirá opiniões. Mas deve haver consenso de princípio no que toca à defesa do bem e serviço públicos. Quem não é competente para o defender não merece estar sentado nesta mesa e muito menos ser Presidente. Tentei a exposição disto mesmo em várias circunstâncias, nomeadamente em documentos oficiais e públicos, mas como disse a vereadora Felismina na sua exposição na última sessão – “públicos só têm o nome devido à quase total alienação política da população”. Permitam-me já agora a este respeito, citar “A Mafalda” figura de cartoon criada nos anos 60 pelo famoso cartoonista – Quino, conhecida por pelo humor rebelde, mordaz e certeiro. Ela a certa altura dizia ao amigo “viver sem ler é perigoso, obriga-te a acreditar no que te dizem”. Não posso estar mais de acordo!
Como disse no princípio não pretendo desdobrar-me em agradecimentos, mas talvez em desculpas.
Desculpas àqueles que não convenci em 2013, pois só lhes roubei tempo; desculpa àqueles que eventualmente defraudei e desculpa a todos os que me acompanharam durante estes 4 anos e não pude ter a oportunidade de os considerar e prestar-lhes o devido reconhecimento.
Acredito que é possível mudar. Mas não podemos esperar diferente fazendo sempre igual. Sendo certo também que não podemos viajar no tempo, modificar os acontecimentos e assim alterar o curso da história. Temos que ser arrojados e também correr riscos. Sim! Governar é também correr riscos. É aqui que a experiência deve contar (para prever, antecipar e criar sentido de oportunidade)!
Por último desejo os maiores sucessos ao concelho do Sabugal, desejo um futuro auspicioso para o elenco do próximo executivo esperando dele trabalho, dedicação, verdade e inspiração!
Sempre ao dispor.
O vereador
Pedro Antunes

2 Responses to Pedro Antunes – ter arrojo e correr riscos

  1. Pedro e Felismina:
    Porque acho que o devo fazer, porque vocês merecem que eu o faça, porque tenho de o fazer, e porque ainda não o fiz ainda de outra forma, quero desta forma singela, dar-vos os parabéns pelo Vosso mandato que agora termina. E porquê? Porque sei que o cumpristes de uma forma competente, porque nunca virastes a cara a qualquer explicação ou esclarecimento, mesmo quando não era solicitado, e porque as críticas sempre foram por vós entendidas como sendo uma coisa positiva.
    Como munícipe e como membro da Assembleia Municipal, na qual também estou a terminar o meu mandato, após 24 anos, correspondentes a um total de 6 mandatos (será que tenho direito a alguma subvenção? 😀 ), reconheço sinceramente que o Vosso trabalho político foi meritório e mais do que merecido deste “reconhecimento” público e estou certo que, seja de que forma for, continuareis a ser úteis ao concelho.
    Abraços e beijinhos

  2. Felismina Rito diz:

    Não tenho palavras para dizer o quanto estou agradecida por estas palavras e também as palavras de todos os que comentaram a minha mensagem de despedida no facebook e pessoalmente. MUITO OBRIGADA. O trabalho a que te referes é também resultado do trabalho da equipa que nos acompanhou e que muito me honra ter pertencido.
    Mas Celino, sei que concordas que muita mais gente merece também os parabéns: sempre que alguém quer melhorar, sempre que alguém faz bem feito neste concelho, com profissionalismo, com gosto, seja no setor privado ou no público, o concelho beneficia…e todos esses estão de parabéns, quotidianamente.
    E todos os que por contingências da vida moram fora, mas são de cá e gostam disto, que venham muitas vezes e esperamos que se sintam bem-vindos, pois o concelho com isso também beneficia…e estão de parabéns por manterem as raízes e participarem como podem na vida do concelho.
    E sim, embora cause desconforto para muitos, são importantes os diferentes pontos de vista: os dos que moram cá e dos que moram fora, mas que continuam com um pedaço do coração cá.
    Uns com o papel de vereadores, outros comerciantes, gerentes de restaurantes, estudantes, jardineiros, etc…uns que moram permanentemente, outros que nos visitam regularmente, outros esporadicamente…uns do PSD, outros do PS, da CDU ou independentes, TODOS somos poucos para alterar o destino destas terras, pelo que cada um, com o seu papel diferente, pode ajudar. E sempre que fizer o melhor, está de parabéns.
    Felismina Rito

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