Ofereceram-me um livro!

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Um livro que me ofereceram tem como titulo – Apresento-vos o meu «amigo» e «companheiro» Alberto Caeiro – o autor é Carlos Lourenço d`Almeida, natural de Rendo, concelho do Sabugal. Foi professor durante muitos anos nesta Cidade, sendo também um conhecido advogado.

Fernando Pessoa - António Emídio - Capeia Arraiana

Fernando Pessoa

Ofereceram-me um livro! Para mim é um acto espiritual, é onde a minha alma se sobrepõe aos meus sentidos, não são as minhas mãos, o meu tacto que o recebe e lhe explora as formas, nem os meus olhos, o meu olhar que lêem e perscrutam a sua estética, sou a antítese de Alberto Caeiro! «Alberto Caeiro é o poeta dos sentidos, dos cinco sentidos (visão, audição, tato, paladar e cheiro). Assim nos descreve esse heterónimo de Pessoa o autor do livro. Não sou um especialista pessoano, nem um crítico literário, mas considero Pessoa um dos maiores escritores e poetas portugueses de sempre. O autor do livro guia-nos através da labirintica e enigmática personalidade de Fernando Pessoa, lá está o seu «amigo» e «companheiro» Alberto Caeiro um dos heterónimos que Fernando Pessoa mais gostava e admirava na – Quinta parte (pág. 61) o papel de Deus em Alberto Caeiro – temos esta estrofe do poema V de o guardador de rebanhos:

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Neste bucolismo de Caeiro, encontramos um pensamento panteísta de Pessoa ? Penso que sim.

Na – Quarta parte: (pág. 57) o papel do amor em Alberto Caeiro: esta estrofe do poema 60 dos poemas inconjunctos.

Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como os que para o que não são.

Nesta pequena estrofe está o amor, a única mulher que Pessoa amou? A mulher que ele depois deixou? Para mim um enigma… Será que para ele o amor foi entrar num mundo problemático onde nada é certo e tudo é obscuro? Só a sensação vale no amor? Mais enigma…

Querido leitor(a), leia o livro se puder, digo-lhe que vale a pena. Só me resta agradecer ao autor Carlos Lourenço d`Almeida o ter contribuído para a cultura a deste Povo e desta Terra, em primeiro lugar, depois, para a Universal, um livro é como uma semente lançada ao vento, não sabemos onde vai germinar.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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