Abril…

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Só pela escrita feita revolta é que elimino muita da amargura que tenho na alma. Sou uma alma do meu tempo…

25 de Abril

25 de Abril de 1974

A Cidade perdeu a esperança, luta tremenda entre o ficar e o partir, só as palavras acreditam, só o coração dos justos alberga vida, a cidade é um vazio entre o adormecer da noite e a luz da madrugada, não há sonhos! Ouvem-se passos deambulando que não levam a lado nenhum. Apagaram-se as luzes do último bar que resistia à sepulcral noite, dele saiu uma alma cansada e vencida que se sentou num banco do Largo 25 de Abril envolta num manto de nostalgia. Um olhar através da janela iluminada pelo Sol da manhã, Lar acolhedor, última morada, ante-câmara da Eternidade… mas jamais se esqueceram os doirados tempos, agora só resta o adeus ao Sol e à Lua, ao vento, à chuva e à neve, quantas lágrimas furtivas de tanto dizer adeus, solidão, lembrança, imagem, oração e, Adeus Eterno. O sino da Igreja tange, mais uma alma que partiu, alguém que nos faz falta. Idílicas aldeias, idílicas paisagens, idílica pureza… Triste solidão. Se misturassem as lágrimas da Diáspora com as dos que sentem o fim daquilo que tanto amaram, as águas do Côa seriam salgadas.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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