Há 90 anos nasceu o Amigo da Verdade

Efemérides - 2015 - © Capeia Arraiana

Em 6 de Março de 1927 saiu a primeira edição do jornal «Amigo da Verdade», semanário católico e regionalista fundado por Alberto Dinis da Fonseca.

O «Amigo da Verdade» nasceu no Rochoso

O «Amigo da Verdade» nasceu no Rochoso

Temos de citar Pinharanda Gomes* para expor como nasceu o jornal «Amigo da Verdade»:
«…O seu berço foi o Patronato do Rochoso, instalado na casa do Desembargador José Diniz da Fonseca.
Alberto e Joaquim eram experientes na vida da imprensa. Alberto arranjou uma tipografia em Torres Novas, e expediu-a de comboio para a Cerdeira do Côa, onde um carro de bois a foi buscar. Era o princípio do fim do parque gráfico que Alberto sonhara para Torres Vedras. Era o princípio de uma fabulosa aventura da imprensa católica popular. Era o mês de Setembro de 1926. No dia 29, no Rochoso, iniciou-se um retiro para o grupo de rapazes que iriam constituir o corpo tipográfico do Amigo. Os rapazes já tinham sido ensinados na profissão pelo compositor Joaquim de Aguiar, e pelo impressor Alfredo Barbas, da tipografia da Casa Véritas. Conforme ao oportuno acordo do dr Alberto e de D. João, as irmãs Maria Cândida e Palmira tinham estagiado na Figueira da Foz, e estavam preparadas, já para assistir na tipografia, já para tratar do sector administrativo. Embora só mais tarde as respectivas alegorias fossem impressas no cabeçalho, o jornal surgia sob duas palavras de ressonância: «Eu sou a Verdade» – «Véritas liberavit vos». Mais do que uma afirmação é uma saudação do jornal ao leitor – que a liberdade te liberte! Composto e impresso na Tipografia S. Miguel (Rochoso) em conformidade com a óbvia vontade do dr. Alberto, o Amigo era apresentado por duas pessoas: como director, o P. Domingos João Pires e, como administrador, Abel Diniz da Fonseca. Uma equipa que se faria popular ainda nas classes mais humildes. Por isso, as secções do jornal foram concebidas a nível popular: miscelânias, anedotas, rifoneiros, noticiário condensado, calendário litúrgico, artigo de doutrina, o noticiário das paróquias e, por fim, duas secções de fundo doutrinal – «Luz e Vida», que D. João reservou para si mesmo, e que redigiu até morrer (a sua compilação evidenciaria uma longa e profunda obra teológica e querigmática) e «Conversando», possivelmente a mais popular das secções doutrinais, redigida pelo dr. Alberto, também até à morte. Popular, popular, foi, desde logo, a secção «Cousas e Lousas» que Alberto redigia com imenso carinho: um rifão, uma quadra, um adágio, uma anedota, um apotegma didáctico e uma notícia desportiva. A secção «A Trouxe-Mouxe» também se tornou popular. O dr. Alberto tinha de ler muitos jornais e livros para obter a matéria prima, qual barro para modelar a obra.

Alberto Dinis da Fonseca - fundador do Amigo da Verdade

Alberto Dinis da Fonseca – fundador do Amigo da Verdade

Uma carta circular do bispo D. José Matoso, com data de 22 de Dezembro de 1926, apresentou o jornal ao clero diocesano, cujo apoio se solicitava. Dificuldades várias obstaram a que o jornal aparecesse logo. O primeiro número saiu no Rochoso, com data de 6 de Março de 1927, no Rochoso teria a sua origem durante quase um ano, pois só em 29 de Janeiro de 1928 mediante a edição n.º 46) começou a ser confeccionado na Pombeira (Outeiro de S. Miguel).»

* Pinharanda Gomes, in «O Servo de Deus Alberto Diniz da Fonseca».
plb

One Response to Há 90 anos nasceu o Amigo da Verdade

  1. Ramiro Manuel Lopes de Matos diz:

    Não se pode esquecer o papel do Padre Soita, pois foi através dele que, durante muitos anos, o Amigo da Verdade distribuído no Sabugal se chamava Amigo do Sabugal e dedicava a última página a notícias do Concelho.

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