Valorizar o Interior

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Depois de muitos anos em sentido contrário, parece que finalmente se percebeu que o país é suficientemente largo e abrange também zonas a que é usual chamar interior. Parece que agora se começou a olhar apara este território, como uma oportunidade.

O abandono do interior provoca degradação das aldeias

O abandono do interior provoca degradação das aldeias

Desperdiçar 2/3 do território de um país que territorialmente é pequeno, não parece aceitável para ninguém. E para nós, que somos originários desse território ainda é menos aceitável. Ninguém gosta de ver o local onde nasceu e viveu uma parte da sua vida e de onde teve que sair precisamente por não ter no interior aquilo que o país facultava nas regiões do litoral.
Vem isto a propósito da criação da UMVI (Unidade de Missão de Valorização do Interior) através da resolução do Conselho de Ministros nº. 3/2016 de 14 de Janeiro. Essa Unidade de Missão preparou desde essa data um conjunto de medidas que apresentou ao Governo e destinadas essencialmente a prosseguir o objectivo primeiro – VALORIZAR O INTERIOR.
Essas medidas foram entretanto aprovadas através da resolução do Conselho de Ministros nº72/2016 de 20 de Outubro, tendo sido publicadas no Diário da República, I série, de 24 de Novembro (aqui).
Não vamos naturalmente analisar hoje essas medidas, mas certamente que iremos estar atentos ao desenrolar da sua implementação e aguardar que os resultados dessa implementação comecem a ser visíveis. Os resultados práticos deste tipo de medidas não são nunca imediatos, como imediatos não foram os resultados da desertificação. São sempre processos mais ou menos lentos, quer avancem num ou noutro sentido.
Nesta altura, o Governo está finalmente apostado em valorizar estes territórios, dotando-os de condições que, só com elas, poderá haver melhoria da vida das gentes e empresas que nesta zona continuam o seu trabalho.
É sabido que o interior do pais não tem apenas defeitos. Também tem qualidades e uma delas é precisamente a sua localização. As terras do interior estão mais próximas de Espanha para onde exportamos grande parte dos nossos produtos.
Toda esta faixa de território só poderá desenvolver-se se aos seus residentes forem dadas condições que noutras zonas já existem. Ou melhor, neste momento em que é preciso reverter uma situação, ela só será possível se as condições do interior foram muito melhores que as das outras regiões.
Quando o equilíbrio vier a ser estabelecido, tudo poderá ser tratado de igual forma.
Por último, e com a promessa de voltarmos a este tema, pois iremos ter certamente motivos para isso, não posso deixar de referir que por vezes não é preciso inventarmos todos os dias a mesma roda. Esta questão que agora se coloca e o Governo está apostado em começar a resolver foi abordada ao longo da nossa existência como país noutras épocas e contextos mas com o mesmo objectivo.
Desde os primeiros reis de Portugal que esta matéria estava permanentemente na sua agenda.
Foram os coutos para homiziados, criados nas terras fronteiriças;
Foram as concessões de terras para quem as quisesse trabalhar;
Foram as reduções dos tributos, ou mesmo isenção deles;
Foram as feiras francas criadas para fomentar o comércio e onde se não pagavam quaisquer impostos.
Hoje os tempos são outros, mas os problemas são parecidos e provavelmente as suas soluções terão de ser muito parecidas comas daqueles tempos.
Uma coisa deve estar sempre na mente de quem conduz estes temas: “ Só com condições melhores o interior conseguirá aproximar-se do litoral” Por isso, não se coíbam de tratar o interior de forma mais favorável que o litoral. Isso será necessário até que as oportunidades dos territórios sejam as mesmas. A discriminação positiva é necessária nestes casos.
Vamos acompanhando as medidas que vierem a ser tomadas e verificar se o resultado do seu impacto se começa a verificar.
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«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

One Response to Valorizar o Interior

  1. LUIZ CARLOS PEREIRA DE PAULA diz:

    Há muitos anos que ouço essas palavras, principalmente em anos de eleições e com a aproximação das mesmas!!! Só acredito com resultados práticos.

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