A comunicação de Fernando Patrício Curado

Sabugal - © Capeia Arraiana (orelha)

:: :: CONGRESSO DO FORAL DO SABUGAL :: :: O segundo dia n(em 9 de Novembro de 1996) da cimeira histórica do Sabugal prosseguiu com a muito apreciada intervenção do arquélogo Fernando Patrício Curado, que falou sobre «O património arqueológico do concelho.

Um congresso histórico

Um congresso histórico

Fernando Patrício Curado era há altura engenheiro do quadro do Ministério das Finanças, onde, pelo tipo de trabalho de campo que desempenhava lhe fora sido possível dedicar-se também à Arqueologia. Identificou alguns materiais e estações arqueológicas em diversos concelhos do País, sobre os quais fez estudos que publicou em revistas da especialidade.
Propondo-se mostrar alguns materiais arqueológicos de interesse do concelho do Sabugal, o orador introduziu, contudo, alguns esclarecimentos que supôs de interesse fundamental.
Laborando permanentemente em erros que se vão acumulando, existem noções históricas que convinha, desde já, repor com verdade mais rigorosa. Uma delas tem a ver com a própria comemoração da efeméride, ou seja, a questão da outorga do Foral ao Sabugal. D. Dinis não deu foral ao Sabugal nem a nenhum dos concelhos de Riba Côa. Confirma, isso sim, o foral anterior. Comemora-se portanto a confirmação que o rei português terá feito dos foros leoneses anteriores.
Um segundo erro que convinha rectificar tem a ver com a própria fundação da vila. Pelos poucos documentos existentes, sabe-se que a fundação é de Afonso IX, dos últimos anos do Século XII. Alfaiates será já dos primeiros anos do Século XIII. Atendendo ao extravio dos foros e costumes do Sabugal, admite-se porém que os de Alfaiates serão uma cópia quase ipsis verbis dos foros de Ciudad Rodrigo, também perdidos. Existem vários capítulos nos foros de Alfaiates que não se aplicam senão a Ciudad Rodrigo, o que significa que aquando da fundação de Alfaiates os foros daquela localidade lhe serviram de modelo. É muito provável que os foros do Sabugal fossem idênticos aos de Alfaiates. Várias referências em documentos diversos dos Séculos XIII e IV sobre os foros do Sabugal são idênticas às que encontramos nos foros de Alfaiates.
Perante esta constatação Fernando Patrício Curado sugeriu que a Câmara do Sabugal empreendesse a publicação dos Foros de Alfaiates, com tradução livre e adaptada, facultando um melhor entendimento.
Aparecem por vezes erros que, de tão difundidos, se torna difícil rectificá-los. Vem a este propósito referir o folheto desdobrável emitido pela Junta de Freguesia do Sabugal, em que, servindo de legenda à ilustração da fonte velha, algumas irregularidades se apresentam: “Fonte Velha, também conhecida por fonte das três bicas. Construída em 1904 pelo municipio. A sua localização traduz o sítio onde se encontrava a fonte de mergulho da época de D. Dinis. “Vários erros contém esta legenda. A fonte chamada de D. Dinis era alguns metros a Norte desta, foi construída pela CMS cerca de 1840 e paga por quotizações dos proprietários dos terrenos próximos para utilização da água. Em tempos mais recentes uma expressão muito em voga e do agrado popular diz o seguinte: Eu, D.Dinis, ponte, fonte e castelo fiz. E quem dinheiro tiver fará o que quiser. Ora, quando D. Dinis nasceu já a ponte do Sabugal era bastante velha!
Se a fonte é do século passado, a ponte será, porém, anterior e do século XIII. Quanto ao castelo, existe documentação que comprova ter D. Dinis ordenado a sua construção, sendo disso prova a carta de quitação das obras passada a Frei Pedro de Alcobaça em 1303.
Outra questão reporta-se à eventual fundação do Sabugal por Afonso X de Leão em 1220. Trabalhos mais recentes, baseando-se noutras fontes, apontam este erro sistemático. Em 1220 reinava Afonso IX. O Sabugal terá sido fundado depois da Covilhã (1186) e antes da Guarda (1199). Dentro destas datas-limite, o orador julga que a data de fundação do Sabugal terá ocorrido em Julho de 1197, esperando vir a comprová-lo brevemente. Alguns dados poderão ajudar nesta pesquisa. Sendo certo que a batalha de Ervas Tenras terá ocorrido em 1199, também neste ano passa para Portugal toda a margem esquerda do Côa até Pinhel, deixando portanto de ser leonesa. Alfaiates é fundada depois de 1209, mas antes de 1227. Não existe data rigorosa dos seus foros e costumes, mas poderemos situá-la nesse período, atendendo a que, trazendo implícita a referência a Castelo Rodrigo (fundação de 1209) não refere todavia Vilar Maior, que viria a ter a sua carta de povoamento em 1227 atribuída por Afonso IX. Caria-Atalaia seria de fundação anterior a 1215. Quase nada resta deste concelho, a não ser uns metros de muralha, quase alicerces, na Sra das Preces, junto da Ruvina.
Em 1215 o concelho da Guarda concede aos freires do Templo uma terras na zona do Touro. Trata-se de um pretexto que conduzirá à presúria, levando-os a ocupar as terras leonesas. É em 1220 que o mestre dos Templários dá termo ao Touro: dou-vos estas terras que já vão à Cornusela – hoje S.Cornélio, junto a Sortelha – e mais aquelas que eu conseguir apanhar.
Afonso X confirma de facto, em 1258, o povoamento de Vilar Maior ordenado por seu avô Afonso IX. Fica criado, desta forma, o concelho de Vilar Maior. Penamacor é de 1209. Sortelha tem povoamento de 1209, mas o foral é de 1229. D. Sancho II ao atribuí-lo, faz questão de o conceder às populações que no tempo do avô se juntaram em Sortelha. Uma das aldeias que forneceu povoadores seria Valência, na serra dos Mosteiros, junto de Santo Estêvão. Não se trata de Valência de Alcântara, nem de Valência do Douro, como alguns autores consideraram durante certo tempo. Touro é de 1220, mas de 1215 é a doação do concelho aos freires do Templo e essa data a única vez que é referida é no foral manuelino de Vila do Touro, em resultado das inquirições. Castelo Mendo é de 1229.
Em 1226 Afonso IX esteve no Sabugal. Em 1230 provavelmente o Sabugal terá sido cedido à Ordem do Hospital, pelo rei leonês.
O Sabugal foi de facto tomado por D. Dinis em 1296. O rigor desta data é atestado pelo facto de existirem documentos que referem que em 21 de Outubro de 1296 os representantes de Alfaiates iriam ao encontro de D. Dinis, fazendo uso das necessárias reverências que a circunstância exigiria e colocando-se sob sua vassalagem e em preito de homenagem. O próprio texto refere ainda que os alcaldes de Alfaiates façam menagem a El-Rei D. Dinis Rei de Portugal e do Algarve, e senhor de Ribacoa. Deduz-se, portanto, que o Sabugal nessa data teria sido tomado já por D. Dinis.
Em 1250 ter-se-á verificado uma tentativa de trazer a linha de fronteira ao Côa, o que nunca se verificou no termo do Sabugal. Cerca de 1 km de distância para Norte, inicia-se o termo de Vila do Touro. Aí sim, desde 1215/1220 já era o Côa fronteira. Em 1315, por sentença de D. Dinis, passaria a ser estrema dos concelhos de Sortelha e do Sabugal. Até lá, nunca o Sabugal, fosse ainda leonês ou já português, aceitou a alteração das suas estremas, inicialmente correspondentes à bacia hidrográfica do Côa…

O PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO DO CONCELHO
Da época neolítica constata-se que existe uma grande escassez de materiais, sendo porém de realçar as referências das memórias paroquiais de Século XVIII sobre as antas de Ruivós. Aí existiriam cinco antas, sendo uma delas desenhada pelo Dr Joaquim Manuel Correia, ilustração inédita que F.P.C. divulgou por especial deferência da Dra Natália Correia Guedes, que se presta também a autorizar a publicação de outros desenhos do autor pela Câmara Municipal do Sabugal. A anta de Ruivós, situada na Tapada das Cruzes, junto ao S. Paulo, mantinha em 1896 um razoável estado de observação. É curioso notar que a sua existência de 4000 anos foi interrompida recentemente, tendo desaparecido já este monumento importante. Terá esse sítio sido ocupado pelos Romanos. A comprová-lo existem materiais aí encontrados.
Noutro desenho divulgado F.P.C. chamou a atenção para a marca dos furos dos guilhos, indícios de tentativas de partir mais um esteio, sendo ainda observáveis pedras enormes que constituiriam restos dos outros esteios. Junto a uma das pedras F.P.C. tomou a liberdade de colocar, para registo fotográfico, restos de vasos cerâmicos romanos ali encontrados.
Seguiu-se uma série abundante de machados de pedra, materiais pertença do Museu Nacional de Arqueologia, encontrados no concelho do Sabugal, designadamente Forcalhos, Soito (fragmento), Aldeia Velha (em quartzito), Alfaiates (em quartzito), Aldeia do Bispo, colocados em diferentes posições que davam uma ideia precisa do seu formato. Igualmente de quartzito foi digno de observação um machado encontrado na serra da Opa, cuja divulgação se mantém inédita. Realce também para um machado votivo, possivelmente de oferta aos numina dos mortos, por certo localizado numa anta. Em locais desta natureza impõem-se sondagens adequadas, porque podem corresponder a antas intactas.
Ainda mereceu destaque especial um machado pertença de um sabugalense, em estado de perfeição, esperando que o mesmo possa um dia vir a integrar um futuro museu da região, contando com a boa vontade do seu proprietário.
Apesar da localização de vários machados de pedra polida acessíveis ao grande público, o concelho do Sabugal conta ainda com materiais idênticos encontrados em Vilar Maior, Badamalos, Ruvina, Vila do Touro e Vila Boa.
Quanto a machados de bronze, foi exibida a imagem de um que terá aparecido nas minas da Carrasca (mais recentemente para extracção de urânio) em galerias de exploração antiga do cobre, na localidade de Quarta Feira. Trata-se de material do Bronze Final, rondando os 3000 anos, e integrando um achado arqueológico de machados de pedra e martelos de mineração. O exemplar em apreço foi exibido na Exposição de Paris no final do Sec. XIX. Presentemente encontra-se no Museu Nacional de Arqueologia.
Proveniente do Soito, foram mostradas imagens em diversas posições de um machado plano, diferente do anterior (de talão ou argola), oferecido pelo Dr Joaquim Manuel Correia ao Museu Nacional de Arqueologia.
A exibição de outros materiais prosseguiu, com os comentários adequados, designadamente machados de Aldeia do Bispo e Lageosa, um deles oferecido ao Museu da Guarda e cujo diapositivo foi gentilmente cedido pela sua directora. Ainda escopros de Aldeia do Bispo e Vila Boa puderam ser observados, caindo especial incidência numa espada de Vilar Maior recolhida pelo Dr Vasco Rodrigues, hoje pertença do Museu da Guarda, datada de 1100/1200 a.C.
Prosseguiu a observação e explicitação de materiais de natureza diferente, designadamente estelas da Idade do Bronze.
A estela do Baraçal presume-se que possa não ser de origem funerária, mas sim de função totémica, ou marca de território da época. Tem 1,55 m de altura e a sua representação inclui uma lança, quase ilegível, com a ponta da lâmina voltada para a esquerda, um escudo a meio, e em baixo uma espada de configuração alargada na extremidade, sendo o seu terço inferior semelhante à de Vilar Maior. A estela estaria enterrada no solo até à altura dos elementos figurados. Este tipo de estelas é uma raridade no nosso país, dispondo o concelho do Sabugal de dois exemplares, predominando em maioria no território espanhol.
A estela dos Fóios é sensivelmente da mesma época da anterior (cerca de 1000 a.C.). Apresenta o escudo, a lança e a espada, possivelmente embainhada. Encontra-se exposta na escola primária da localidade.
F.P.C. revelou diapositivos de paisagem regional, focando a área de dispersão destes monumentos, mais a Sul do Sabugal, e acrescentando que se verifica uma evolução até ao Guadalquivir. Como nota de semelhança foi apontado o facto de a estela sabugalense ser próxima da de Montpellier (França), ambas com figurações em relevo, enquanto na maioria dos casos são as figuras esculpidas.
Nota importante foi dada a imagens da única escavação feita no concelho em moldes científicos recentemente. Trata-se de um pequeno povoado no sítio de Castelejo, perto de Sortelha. O cabeço terá sido habitado por uma família. Em área restrita foram identificados algumas cerâmicas e outros materiais. A escavação arqueológica foi orientada pela Profª Raquel Vilaça da Universidade de Coimbra e durou mais de 2 anos. Era visível nas imagens um fundo de lareira, um buraco de poste e, entre os materiais, surgia um molde de fundição para punções ou agulhas, mós dormentes (uma intacta e outras fragmentadas), uma argola da época do Bronze, vários pesos de tear (seixos afeiçoados para pender as fibras), um fragmento de foice (parte cortante), um vaso partido e um fragmento de ferro que se presume de época diferente. O povoado em questão é de cerca de 900/950 a.C. Não deixou F.P.C. de chamar a atenção para a importância do desenho nestas pesquisas arqueológicas em fases de trabalho essenciais.
Em análise de paisagem contemporânea da região, detenção em Aldeia da Ponte, observação da Serra de Xalma (baliza municipal do Sabugal em finais do séc. XII), Mesas (designação recente da Nave Molhada) e o relevo que constitui a parte terminal do Sistema Central. Noutra zona, algures num ponto indefinido, o chamado “Sabugal Velho”. Claro que nunca o Sabugal se localizou neste sítio, no limite de Aldeia Velha, capela da Senhora dos Prazeres.
Através de fotografia aérea um tanto recente (décadas de 50/60), detecta-se nesta zona um resto de muralhas de terra batida envolvendo uma área de 4 hectares. O desleixo posterior a que foram votados os terrenos conduziu à intervenção dos Serviços Florestais, que, ao lavrarem o perímetro da estação arqueológica, danificaram alguns elementos de interesse. Todavia, na parte voltada a sul notam-se restos de muros de construção em alinhamentos rectilíneos. Muita pedra terá sido retirada para aldeias próximas. Verificam-se indícios de um arruamento central e escassos alinhamentos paralelos de menor dimensão, surgindo outros perfeitamente perpendiculares. Esta característica rectilínea dos alinhamentos de construção e os materiais descobertos pressupõem um acampamento romano da época republicana, importante atendendo à sua área. Impõem-se escavações, visto estarmos perante a única estação arqueológica com possibilidades turísticas futuras, que a Câmara Municipal não deveria descurar. Relembrou-se o facto de em tempos a edilidade ter pedido ao IPPAR a classificação desta estação como monumento de interesse, mas nada foi feito ainda para corresponder a esse apelo. Convinha insistir, pois a Câmara dispõe já neste momento de um arqueólogo contratado.
Chamou-se ainda a atenção para estelas funerárias de Vila Boa, da época romana, uma delas reaproveitada numa porta, revelando disposições testamentárias de libertos (ex-escravos), pretendendo levantar um monumento funerário ao patrono, descrevendo esse desejo de forma bastante clara. Como particularidade de interesse regista-se que uma delas, lembrando a circunstância de populações bilingues (latim e língua indígena), apresentar palavras escritas como se pronunciam oralmente, podendo levar a alguma dificuldade de interpretação.
Acerca da problemática do entendimento correcto foi observada uma imagem da época romana, Fonte da Tigela, em Aldeia da Ponte. Muitos materiais aí encontrados são dessa época. Aproveitando uma fenda natural da rocha donde sai a água, fizeram uma tigela muito bem executada para apanhar a água, com um rasgo de escoamento. A altura a que está indicia que fosse para as pessoas ou animais beberem. A leitura da inscrição presta-se a suposições que não andarão longe da realidade se admitirmos o significado de um termo como sinónimo de “corça”, lembrando que esta era um animal sagrado.
Quanto a outras estelas observadas, convém realçar mais uma do Sabugal e outra de Sto Estêvão, descoberta no Sec. XVI, entretanto desaparecida e recentemente encontrada por F.P.C. nas casas do Dr Pereira de Campos, junto à igreja de S. João, (passando posteriormente para a família Bigotte) que a conservou numa loja durante bastantes anos, juntamente com um marco miliário que foi encontrado num palheiro.
Uma ara partida, de Sto Estêvão, contém elementos de identificação do construtor, natural da região do Douro. Outra ara, da junta de Freguesia de Sortelha, estava reaproveitada como base de cruz no cemitério. Ainda outra, oferecida pelo proprietário à Câmara há uma dezena de anos, espera ainda que seja retirada do local, podendo, eventualmente, vir a ser colocada no posto de turismo da CMS em Sortelha, lembrando a conveniência de a mesma ficar na terra de origem.
Também uma inscrição funerária da Tapada das Cruzes, Ruivós, outra de Pousafoles, e materiais da Quinta de S. Domingos. Pousafoles deveria ser pausatório na época romana.
Marcos miliários em Alagoas (de leitura difícil) e Sto Estêvão, servindo aqui como esteio nas cavalariças da casa Bigotte, junto à igreja de S. João, no Sabugal.
Cabeço das Fráguas: afigura-se neste momento problemática uma actuação nestes domínios. A comissão de acompanhamento do PDM, estranhamente, mandando fazer os trabalhos com base na carta militar, que não coincide com a carta administrativa, deu azo a um imbróglio deveras preocupante: para efeitos de PDM o Cabeço das Fráguas deixou de pertencer ao concelho do Sabugal. Análoga situação se verificara já com outra zona próxima da Bendada (englobando aqui toda uma aldeia, Trigais).
No Cabeço das Fráguas, junto ao marco geodésico, existe uma inscrição que tem dado muito que falar. Trata-se de uma inscrição indígena do Sec. I ou II, relatando oferendas sacrificiais de animais a deuses de protecção, designadamente uma ovelha, um porco, uma bezerra e um touro de cobrição.
F.P.R. debruçou-se sobre outras aras da Quinta de S. Domingos, do Casteleiro (esta do Sítio do Paraíso, com a raridade de ser ornamentada em todas as faces com motivos de preces e rezas diárias de libação). Na Moita (Chão do Pombal) foi encontrada uma peça importante, mandada recolher por um administrador do concelho em 1936, estando depois extraviada durante 50 anos. Actualmente está no Museu Machado de Castro. Representa uma divindade. Um trabalho grosseiro, tosco, de uma figura feminina com diadema. Trata-se de um dos poucos bronzes da época romana existentes em Portugal.
Cabeço do Touro: o significado diferente do termo “tauros”, em latim e em língua indígena, aqui equivalente a “monte”, tem levado a alguns equívocos. Em Vila do Touro, por esse facto, existe o ribeiro do Boi e o Bezerrinho, na direcção do Baraçal. Este termo “tauros” significaria aqui monte, algo inchado, algo grande, a exemplo do que sucede com as montanhas do Tauros no Mediterrâneo Oriental.
Sobre Caria-Atalaia, medieval, foi mostrada uma imagem. Era para ser sede de concelho no princípio do sec. XIII. Recentemente por incúria não foi acautelada convenientemente parte da parede. Detectam-se, no entanto, alguns troços de muralha.
Uma peça digna de interesse figura a emblemática municipal leonesa do Sabugal. Poderão ver-se na mesma duas prerrogativas, identificando o concelho do Sabugal e a irmandade/corporação de Ribacoa. Recorde-se que a irmandade foi também outorgada por D. Dinis (contida igualmente nos foros). Uma parte central continha uma representação que está picada. É o único emblema que temos da época leonesa, correspondendo ao reinado de Sancho IV (1282-1295).
Na igreja da Misericórdia (Sabugal) existe uma peça que identifica o côvado. Num reaproveitamento do sec. XVII alguém a terá partido pela vara. Trata-se de medidas municipais, de 1250, colocadas na igreja de S. Miguel, hoje designada da Misericórdia.
Observado ainda um selo, encontrado no quintal de Francisco Almeida Carvalho no princípio deste século. Foi oferecido pelo Dr Joaquim M. Correia ao Museu Nacional de Arqueologia. Trata-se do selo perdido em finais do sec. XIV, aquando da ocupação castelhana (1383 a 1393). O Sabugal foi uma das últimas praças a ser entregues, razão por que o selo ficou na localidade, sendo leonês.
Transitou-se para algumas imagens de sepulturas medievais do Sabugal, terminando por surgir uma referência importante quanto à ponte de Sequeiros. Identifica-se muitas vezes a ponte como contendo uma torre dita de portagem. Essa torre foi feita por D. Álvaro de Abranches em 1641, aquando da guerra da restauração. F.P.R. esclareceu que a torre não é de portagem e nem sequer medieval, quando muito apenas a ponte o será.
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A história do Congresso, por Paulo Leitão Batista

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