O caminho errático das novas energias

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

A contratação do fornecimento de gás para o aquecimento das piscinas municipais revela o desnorte da Câmara do Sabugal face à intenção de substituir as energias fósseis por energias renováveis. É caso para dizer: bem prega frei Tomás – faz o que ele diz mas não o que ele faz.

ENERTECH - uma enormidade de gastos para dar sinais errados

ENERTECH – uma enormidade de gastos para dar sinais errados

A Câmara deu sinais de defender um caminho para o concelho – o das novas energias. Mas à primeira oportunidade, em vez de dar o exemplo a seguir, prefere dar um passo atrás.
Numa visão de oportunidade parecia que a Câmara iria apostar na eficiência energética, nomeadamente substituindo os combustíveis fósseis pela biomassa florestal, recurso que o concelho tem em abundância.
Foi essa visão de futuro que levou à realização da ENERTECH 2016 – Feira das tecnologias para as energias. O certame, ocorrido em Junho, teve elevadíssimos custos para a Câmara, que disponibilizou tendas, alcatifou a calçada, instalou electricidade e colocou as demais condições para um evento digno.
As conclusões da ENERTECH, foram resumidas pelo Engenheiro Escada da Costa em artigo no Capeia Arraiana (aqui).
Dos debates realizados aquando da feira resultou claro que o concelho do Sabugal é riquíssimo em biomassa florestal, nomeadamente de matos que têm que ser limpos para prevenir os incêndios, sendo esse portanto um recurso para a produção de biocombustíveis sólidos, a usar na produção de energia térmica para aquecimento ou até na produção de electricidade.
A Câmara, pela voz do seu edil, apontou que iria apostar em programas de eficiência energética de modo a usar a biomassa como combustível, conseguindo assim elevadas reduções de custos.
Haveria pois que dar o exemplo, substituindo o gás propano e o gasóleo nos equipamentos de aquecimento, nomeadamente nas piscinas e nos demais edifícios municipais. Essa boa prática estender-se-ia depois às entidades que gerem os lares de idosos, às empresas e até aos particulares.
Foi pois com imensa surpresa que vimos agora a Câmara Municipal contratar para as piscinas municipais o fornecimento de gás pelo período de 3 anos.
Sim 3 anos! – Poder-se-ia fazer um contrato de um ano, se fosse preciso tempo para tratar do recurso definitivo à biomassa, mas contratar por três anos é deitar às urtigas o plano de substituição das fontes de energia, e é condicionar a acção futura, pois os efeitos deste contrato vão além do actual mandato autárquico e esta decisão deixa de incentivar a mudança energética no concelho do Sabugal.
É este caminho errático, feito aos solavancos, ora avançando ora recuando que tem de ser denunciado. O caminho do Município tem que fazer-se seguindo um rumo recto e seguro, nas vias certas do futuro.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com

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