Um congresso de sucesso

Sabugal - © Capeia Arraiana (orelha)

:: :: CONGRESSO DO FORAL DO SABUGAL :: :: A reunião magna evocativa da história do concelho do Sabugal, das suas tradições e da sua cultura, constituiu um evento solene que chamou atenções sobre o Sabugal e o exemplo de como comemorar uma data marcante.

Sessão do Congresso

Sessão do Congresso

Depois de tudo organizado, os presidentes da Câmara Municipal e da Casa do Concelho deram uma conferência de imprensa, para apresentarem à imprensa regional o congresso que nos dias 8, 9 e 10 de Novembro evocarias o VII Centenário do Foral Dionisino – foi a 13 de Outubro de 1996, no Salão Nobre da Câmara do Sabugal, no mesmo espaço onde o congresso de realizaria.
Chegada a data da realização do congresso, parte dos oradores, nomeadamente os que foram de Lisboa, seguiram num autocarro da Viúva Monteiro, no dia 8 de manhã, uma sexta-feira.
Pelas 21 horas desse mesmo dia deu-se a sessão de abertura do congresso no dito Salão Nobre. O evento tinha sido divulgado na imprensa regional, e haviam-se distribuído folhetos com o programa e enviado alguns convites, mas temeu-se que um evento com um conteúdo algo erudito se tornasse selectivo e não captasse a atenção de muita gente. Puro engano, na hora do começo a sala ficou repleta de gente, sentada e em pé, esperando ansiosamente o início dos trabalhos.
E foi assim ao longo dos três dias que durou o congresso. As alocuções, mesmo as mais longas, foram ouvidas com a maior atenção, sem que alguém abandonasse a sala e sem murmúrios perturbadores.
O Padre Claretiano Francisco Vaz, de Alfaiates, falou de um povo crente, que em especial sente o popular, simples e vivo culto de Maria. João Bigotte Chorão exaltou o valor da nossa gente no todo nacional – a interioridade e a raia como significado de isolamento mas a também o garante da sua afirmação.
Carlos Alberto Morgado Gomes revelou o seu talento enquanto jovem historiador, que estudou e publicou os forais concedidos ao Sabugal por D. Dinis e D. Manuel. Vítor Pereira Neves, homem culto e de ar austero, desfez equívocos históricos e explicou a evolução dos nossos antigos concelhos agora integrados num só.
António Amaro Monteiro descreveu a cultura de um povo forte que tem história e segue tradições ancestrais. Virgílio Afonso, ilustre jornalista, falou dos demais periodistas do concelho do Sabugal sem falar de si mesmo como um dos mais notáveis.
Manuel Leal Freire, colector do cancioneiro popular, singular poeta e contista, deu uma improvisada lição de etnografia. Maria José Mexia revelou o que ninguém sabia: no século XVIII gente muito culta do concelho detinha bibliotecas particulares repletas de livros raros.
Adérito Tavares percorreu a história do culto taurino e revelou a ligação do nosso povo ao touro que o diverte nas capeias. Pinharanda Gomes pegou na «ribeira da Coa» e com a Coa nas mãos e nas palavras deu uma lição de mística.
Fernando Patrício Curado inventariou o património arqueológico das nossas terras. José Manuel Louro lançou achas para a fogueira revelando os valores que o concelho possui e dando alertas pertinentes para os autarcas.
Mário Simões Dias falou no Foral de Vilar Maior de uma forma curiosa e divertida, arrancando da assistência sinais de bom humor.
No último dia, na sessão de encerramento, Horácio Alexandrino radiografou o estado do concelho e traçou perspectivas de futuro. Mário Bigotte Chorão proferiu uma memorável lição de história e de ciência jurídica com base no conteúdo do Foral do Sabugal.
Findas as intervenções a comitiva rumou a Igreja de S. João onde a missa de domingo foi de acção de graças.
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Por Paulo Leitão Batista

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