A malha

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Um poema de Alcínio ilustrado com duas pinturas de sua autoria – uma na abertura outra no final. Em ambas as cores e o movimento reveladores do calor tórrido e do trabalho árduo do povo raiano de antigamente.

A malha - pintura de Alcínio

A malha – pintura de Alcínio

Com uma temperatura inclemente e implacável
Quando o sol tórrido derretia e calcinava os corpos na laje megalítica
Homens mais rijos que o granito brandiam seus manguais artesanais
Sobre o s molhos de centeio estendidos sobre a laje para lhe roubar os grãos
Quando a força fraquejava alguém erguia a voz para manter o ritmo da batida
Atrás vinham as mulheres escondidas sob o chapéu de palha com não menos árdua tarefa
Iam virando a dourada esteira para ser malhada do outro lado e não ficar na palha um só grão
E assim seguiria o ritmo até que da meda não sobrasse um único molho
Depois era atar a palha e armazená-la para ser usada em múltiplos fins inclusive
Encher a enxerga colchão onde repousariam da vida austera e cruel.
Por fim esperava se que surgisse a brisa para lançar ao ar o grão para o limpar das impurezas.
Finalmente no fim da estrada chegaria a mulher com o cesto à cabeça
Onde vinha o tão desejado almoço para recuperar as energias gastas
E sob a sombra amiga do carvalho frondoso e secular, matava se a fome
Para ganhar ânimo.

A malha - pintura de Alcínio

A malha – pintura de Alcínio


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«Vivências a cor», de Alcínio

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