Para quem Escrevemos?

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Escrevemos para quem nos lê. Escrever sem destinatário definido é como disparar para o meio de um bando de perdizes. Só por sorte acertamos numa. É por isso que devemos escrever com o leitor em mente pois ele é a razão da nossa escrita.

O hábito de escrever cartas foi ultrapassado pela tecnologia

O hábito de escrever cartas foi ultrapassado pela tecnologia

Como é natural, só faz sentido escrever se essa escrita se dirigir ou destinar a alguém. Claro que, no limite, podemos escrever para nós próprios lermos. Aí provavelmente estamos a meditar naquilo que acabamos de escrever. Escrever para nós próprios certamente que é um exercício muito nosso mas mesmo nessa situação estou convicto de que, o nosso subconsciente nos manda burilar essa escrita a pensar no real destinatário para quem ela está a ser escrita.
Não é tão invulgar como se pensa escrevermos em função das pessoas ou grupo de pessoas a quem nesse momento nos estamos a dirigir e com quem queremos comunicar. Acontece por vezes que o mesmo emissor prepara conteúdos diferentes da mesma informação para que a mesma possa ser entendida por diferentes destinatários.
Essa é a motivação principal de quem quer comunicar. É o receptor que determina e justifica a forma como o emissor coloca as palavras num texto ou os sons que formam as palavras na voz.
Ao longo dos tempos, a comunicação sofreu transformações de tal forma importantes que hoje, por exemplo são mais os leitores de textos em digital do que de textos na forma tradicional.
No entanto, a forma tradicional de apresentar a escrita, é de longe a mais duradoura, pois a volatilidade do digital não consegue sobrepor-se. Pelo menos eu assim o entendo. No entanto uma forma e a outra podem coexistir, utilizando a segunda para anunciar a primeira já que é mais rápida e de mais fácil utilização.
Utilizando nós maioritariamente o digital, até parece que nos fica mal incentivar a leitura na forma tradicional, seja num livro ou num jornal. Mas, meus caros leitores, como já o disse várias vezes, nada me dá o mesmo prazer do que ler um jornal ou um livro. Aí há todo um conjunto de outros requisitos para além das letras que me seduzem (a textura do papel, o cheiro, o peso, a folha que abana com o vento e me interrompe a leitura, etc). Nada disto tenho no mesmo jornal quando o lei através do meu portátil.
Também o hábito de escrever cartas nas mais diferentes situações, foi rapidamente ultrapassado pela tecnologia. Ninguém pensa hoje mandar uma carta para os pais mesmo que estejam longe. A revolução tecnológica mudou os hábitos. Hoje temos, a Internet, o telemóvel, etc.

A revolução tecnológica mudou os hábitos

A revolução tecnológica mudou os hábitos

Mas mesmo assim, o papel não será facilmente substituído pelas nossas pens. E quando o for, haverá sempre necessidade, num momento qualquer, pelo menos pelo gozo, de imprimir o texto em papel.
No final deste conjunto de 3 textos em que abordámos esta trilogia de conceitos, talvez em resumo possamos responder às interrogações que colocámos.
Diria:
Escrevemos porque temos necessidade de comunicar algo, de transmitir a outros qualquer coisa que imaginamos tenha interesse para eles. Se por vezes, essa necessidade corresponde a necessidades afectivas dos leitores então o objectivo foi superado.
Escrevemos na forma que os nossos leitores entendam. Por vezes os nossos textos não correspondem ao que nós queremos escrever, mas sim ao que os nossos leitores querem ler. A forma é sempre encontrada a pensar nos nossos leitores mas o conteúdo é emergente da mente de quem escreve.
Escrevemos para quem nos lê. Ou melhor, escrevemos para quem nós achamos que nos lê. Escrevemos para quem no futuro mais ou menos próximo nos lê. E se alguém nos lê para quem nós à partida não escrevemos então os nossos leitores estão a ser recrutados e aumentar de número o que para todos os efeitos é bom.
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«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

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