Tchau querido… vou ser cidadã!

Letícia Neto - Seixo do Côa - Sabugal - Capeia Arraiana - orelha

Tchau querida. Cartão da cidadã. Uma candidata bonitinha como a Marisa Matias. O Figo que responde à imprensa catalã porque a jornalista «eres guapa».

Na apresentação do Cartão do Cidadão (que só não foi Cartão Único por causa da abreviatura) já se falava num cartão para uma nova cidadania - Capeia Arraiana

Na apresentação do Cartão do Cidadão em Novembro de 2008 já se falava num cartão para uma nova cidadania
(o documento só não foi baptizado como Cartão Único por causa da abreviatura CU)

Lembro-me de quando ia fazer conferências de imprensa pelos clubes de Lisboa. Era raro que alguém não fizesse um reparo à minha presença e normalmente tinha de levar com: «Quem começa? Pode ser a menina. Primeiro as senhoras.» Nunca mostrei cara feia porque aquele discurso era a fórmula comum para quebrar o gelo que muitas vezes existe entre as pessoas que aparecem nos meios de comunicação e os jornalistas. E, no meu caso particular, servia para me acalmar um pouco e pensar «são só pessoas, pergunta o que quiseres. Não perguntes o que todos perguntam quase sempre porque eles até dizem o que ouves lá no Seixo».
No entanto todas estas coisas (algumas sob o falso espetro do cavalheirismo) revelam o que continua a ser uma sociedade machista. Uma sociedade machista também perpetrada pelas mulheres. Porque no fundo nós as mulheres adoramos apregoar que defendemos a igualdade de géneros mas depois derretemo-nos com as «benesses» da nossa condição de género.
Adoramos que o Figo faça o especial favor de responder à nossa pergunta porque somos uma mulher (ser inferior que não merece a indiferença do ser superior homem e jogador da bola) e até bonita (porque se fosse feia e gorda não teria direito a resposta). Ser mulher e ser bonita, essas grandes vantagens. Da mesma forma nunca veremos um «tchau querido» num cartaz que critica determinado político. Querida é frágil. E as mulheres são as sentimentalóides que dão à luz.
Depois há as pequenas coisas como o cartão do cidadão que ajudam (ainda que quase toda a gente considere que já são picuínhices a mais) a que continuemos a ser como sempre, sem que nos apercebamos. Acho que há medidas que merecem maior urgência mas porque não pensaram logo nisto quando passámos a ter um bilhete de identidade e um cartão de cidadão?

Porque somos todos #idiotamentemachistas.
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«Calhaus há muitos… Seixo há um», crónica de Letícia Neto

One Response to Tchau querido… vou ser cidadã!

  1. Silvestre Rito diz:

    Quanto a mim este assunto é um daqueles que são alimentados apenas para marcar presença e mostrar serviço! alguém anda preocupado se o cartão á de cidadão ou de cidadania? aliás o cartão não é só de cidadão porque contém outros 4 nomeadamente o de eleitor, ou de eleitoria? temos aqui outro problema! e o de contribuinte passará a ser de contribuinteria?, sem falar no da segurança social e o cartão de saúde!
    Em Portugal há muita gente com responsabilidade que gosta de se fazer ouvir, e neste caso do B.E. de vez em quando também se espalham como foi o caso de vir com os cartazes de que jesus também teve dois pais, francamente! numa situação em que já nem, adiantava nada porque o objectivo estava atingido e a lei aprovada; sendo gente nova por vezes é intempestiva e não reflecte o suficiente, mas pelo menos que tire as devidas ilacções dos erros que comete e que não os repita , ou seja pede-se actuação com bom senso e sobre assuntos que efectivamente ajudem a resolver problemas, não criando ainda mais que os que existem.

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