A voz do silêncio

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Uma pintura e um poema de Alcínio Vicente, que dão corpo a uma reflexão onde o silêncio se confunde com o movimento numa simbiose de raios de luz, vento e água corrente.

Pintura de Alcínio

Pintura de Alcínio

Caminho ensimesmado de mão dada com meu irmão silêncio
Sonhando acordado dia e noite a dentro
Repousando no colchão do pensamento
Como folha solta levada pelo vento
Em noite de breu abrigo para meu tormento
Envolto nas vicissitudes do passado ou eventos do momento
Onde umas vezes brotam fontes outras feridas
Expectante por luares de prata espreitando a vidraça
Aguardo a luz do raiar da aurora que suavize o sentimento
Com a brisa da manhã escoam se os pesadelos
Caminhar com a fé dum peregrino
Janelas que se abrem com o impulso do pensamento
Pesadelos que findam como uma rua acaba numa esquina
Por cada sombra escura há um raio de luz
Túneis que dão para a liberdade
Veleiros esperando a força do vento
Poesias aguardando as palavras certas
Pepitas ou diamantes nas mãos de lapidário
A pedra bruta esperando que o escultor descubra as formas nela contidas.
Os pinceis e tintas são portas giratórias
Por onde entram e saem meus pensamentos.
Como o visionário que enxerga o presente e o futuro
Nada é mais livre que o pensamento sem regras nem subterfúgios
A existência é feita de intermitências de plenitudes ou de ausências.
Não é mais do que uma passagem roubada
Melodia dum canto que soa como um canto celestial e insaciável
Como uma paixão sempre renovada
Como a beleza pura dum mundo harmonioso
Viajando no tempo em busca da beleza insólita
O pensamento é como a corrente do rio onde a água corre sem parar
Nada é mais livre que o pensamento sem regras nem subterfúgios.

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«Vivências a cor», de Alcínio

One Response to A voz do silêncio

  1. vitor coelho diz:

    E, porque “nada é mais livre que o pensamento sem regras nem subterfúgios”, eis-me manifestando, uma vez mais, o meu constante agrado pela pena ou pelo pincel do intelectual Alcino.

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